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Vamos lá, o Brasileirão está só começando e é hora de agitar a Mídia Palestrina.

O Ademir, do Forza Palestra, publicou um belo texto sobre os 16 anos do Marcão. Aposto que se o jogo contra o Inter fosse hoje a gente ganhava de 16 a 0!

Foi em um longínquo 16 de maio, há exatos 16 anos. Em um amistoso com a Esportiva de Guaratinguetá, onde o Verdão venceu o jogo por 4 x 0 (zero, não levamos gols naquele jogo), que estreava com a camisa 1 do Palmeiras o maior goleiro que atuou no Palmeiras em todos os tempos, e olha que já tivemos Oberdan Catani, Leão, Valdir Joaquim de Moraes…

O Juquinha kibou o 3VV! Não, não foi nenhuma aventura ronaldística do pai do Pequeno Paul. Kibar é o verbo criado a partir da prática de Antonio Tabet, do Kibe Loco, que vive roubando posts de blogs alheios. E não é que o Chico Lang “do bem” publicou um texto que é puro copy/paste do relato do Vicente sobre a reunião do Eternos Palestrinos? Pior foi a resposta do JK: “não leio blogs de torcedores”. Rá! Birner, ele não lê seu blog!

Assim falou JK:

Meu caro Vicente: se há uma coisa que faço sempre é dar crédito às fontes. Como neste caso. Recebi o texto como está assinado ontem à noite, de um colaborador do blog, o mesmo que já havia escrito sobre o espaço Vip do Palestra Itália e sobre o almoço do Felipão com o pessoal do Chelsea. O texto dele é também muito parecido com um que li hoje, no Lance!, porque a mesma reunião não pode mesmo ter textos tão diferentes. De minha parte, no entanto, saiba que não tenho por hábito ler nenhum sítio de torcedor porque não tenho tempo, com o que fica afastada a hipótese de eu ter lido o artigo em seu blog. Não conheco pessoalmente o autor do texto que publiquei, mas, sim, de fato, suponho que ele seja um palmeirense eterno. E me lembro de você ter prometido fazer um texto sobre gestão para o este blog, promessa não cumprida. Um abraço.

E tem mais uma que não dá pra deixar passar. Juca, você sempre dá crédito às fontes? Diz aí quem te falou que o Valdívia ia virar leonor!

No jogo de quarta, alguém viu uma profusão de fumaça rosa? Pois é, o Barneschi, do outro Forza Palestra, levanta a lebre: por que os leonores podem e, nos palmeirenses, é borrachada?

Houve sinalizadores, muitos deles, nas arquibancadas leonores no jogo em que os bambis de SP bateram os bambis do RJ.

Até prova em contrário, nenhum grupo de afoitos policiais militares subiu por entre a multidão distribuindo borrachadas em quem estivesse pela frente.

Mas a melhor sobre o jogo de quarta quem levantou foi o Tibé, do Coisa Verde. O Lance! fez um monte de piadinhas sobre o caso do gás (não, não esquecemos, voltaremos a ele. A verdade tem que surgir). Então, porque não piadas… with lasers?


Não, a promessa não é a nenhuma divindade (nem ao Divino Ademir da Guia). É ao Alvaro G M, que nos pediu uma análise comparativa da cobertura do nosso título paulista e de um título do passado. Escolhi a Folha.

Comecei pela Folha em papel e, confesso, não vi nada demais (será que estou sendo generoso?). Existe algo que incomoda, mas que é o estilo da Folha: é um texto cheio de alfinetadas, em que uma boa notícia sempre vem cheia de poréns e provocações. Particularmente, não gosto, pois deixa um gosto amargo para o principal leitor, o torcedor do time que acabou de ser campeão.

Vejam só os textos publicados no dia seguinte ao campeonato do Palmeiras e do Santos (para assinantes):

Palmeiras volta a pôr mão em uma taça

Contra tudo, Santos é bicampeão

Até com os leonores rola isso. Este é o texto pós-título de 2005:

São Paulo conquista torneio que reconquistou São Paulo

Entre as manchetes, a sobre o Palmeiras é a pior. Mas, no texto interno, há cutucões nos três campeões. O sobre o Jardim Leonor é levemente mais empolgado, mas ainda assim há referências à fama de amarelão.

Mas então fui olhar a Folha Online, indo direto para a seção especial do Campeonato Paulista de 2007 e 2008. Aí a coisa fica feia.

Vamos, primeiro, a algumas matéria publicadas no dia da conquista de 2008. Uma olhada na manchete, outra no conteúdo.

Marcos se diz surpreso e dá volta por cima com título Estadual

Parece que ele está surpreso em ter sido campeão, né? Pois é, mas ele refere-se a ser peça importante no time titular. A surpresa á com sua atuação individual, não com o título.

Palmeiras é o pior campeão de série dominada por Luxemburgo

Essa é uma daquelas matérias-estatística feitas com esmero de torcedor em busca de manchete negativa. A tese é que, nos últimos três anos, 2008 registrou o pior desempenho de um time dirigido por Luxemburgo. O critério escolhido foi o aproveitamento de pontos. Agora, me digam, alguém realmente pode pensar que o Santos de 2007 foi melhor que o Palmeiras de 2008? Um, quase perdeu o título para o São Caetano, vencendo por um gol, na última partida. Outro meteu 1 a 0 e 5 a 0 no adversário da final.

Alex Mineiro é apenas o 4º palmeirense artilheiro em 50 anos

Até que essa matéria contém um dado curioso: embora o Palmeiras tenha muitos títulos, tem poucos artilheiros. Mas foi publicada às 17h59 do dia do título. Ô vontade de criar um anti-clímax, não?

Com poucos títulos paulistas, elenco do Palmeiras busca batismo em SP

Essa foi publicada antes da conquista. Mas uma da série “comparando o incomparável”. O elenco do Palmeiras já ganhou de tudo, mas poucos tinham ganho Paulista. Vai ver que é porque mal disputaram,. né?

Bem, mas para comparar, vamos a matérias sobre o Santos publicadas no dia da conquista de 2007. Só achei duas meio negativas, em meio a várias laudatórias (até a Luxemburgo!):

Santos busca título paulista para esquecer crise e “acalmar” oposição

“Ex-favorito”, Santos posa de coadjuvante contra São Caetano por bi do Paulista

As da FolhaOnline estão abertas a não assinantes. Os amigos e amigas, o que acham das matérias?

Vergonha


A matéria saiu no Estadão. Fala sobre o aumento no valor dos ingressos.

As falas são de Ebem Gualtieri, em discurso direto e indireto. Mas a vergonha é nossa.

“Será um teste”, diz o vice-presidente do clube, Ebem Gualtieri. “A fase do time é boa e agora teremos só duas partidas por mês no nosso estádio. Além disso, é uma forma de selecionar mais o público. Se houver protestos, a gente volta ao valor que era antes.”

A intenção da diretoria é levar ao Palestra um público diferente daquele que entrou em conflito com a Polícia Militar, na luta por um ingresso para a final do Paulistão contra a Ponte Preta.

(…)

“Nosso problema hoje é a meia-entrada”, diz Gualtieri. “O normal era ter entre 17% e 20% dos assentos destinados à meia-entrada, mas esse número tem chegado a 35%, o que compromete a arrecadação”, emenda o dirigente, lembrando que o preço da arquibancada, por lei, cai de R$ 40 para R$ 20 a estudantes e aposentados.

O problema do Sr. Gualtieri não sabemos qual é (talvez ter idéias preconceituosas e pouco respeito pelo torcedor), mas o problema do Palmeiras não é a meia-entrada, mas sim os cambistas que vendem ingressos de estudante em frente ao Palestra. Na hora de entrar, ninguém liga se você tem carteirinha ou não.

Nossa vergonha é ter um dirigente com um discurso que mais parece o do outro lado do muro. Excludente, classista, como se quem tivesse mais, valesse mais. Não dá para saber se a formulação de Gualtieri foi exatamente essa, mas a frase “um público diferente daquele que entrou em conflito com a Polícia Militar, na luta por um ingresso para a final do Paulistão contra a Ponte Preta” é para fazer o mundo acreditar que os problemas aconteceram porque tinha muito pobre na fila?

Tá aí. E o pior é que ele, Ebem Gualtieri, fala em nome de nosso time.


Na semana passada, dia 5, o jornalista, “observado” e amigo do OV Elias Aredes Junior, conversou comigo sobre Palmeiras, OV e Mídia Palestrina para o Jornal dos Trabalhadores, programa produzido pela Rádio CUT e distribuído para dezenas de rádios comunitárias.

Obrigado, Elias, pelo espaço. O áudio está aqui: Entrevista Rádio CUT

Como dito no post anterior, o blog segue firme e forte. E como as coisas entram em ordem por aqui, volto ao batente e dou uma merecida folga ao Rafael.

Feitas as explicações, vamos ao que importa: começa o Brasileirão.

Apesar da desvantagem de iniciarmos o campeonato sem aqueles pontinhos garantidos contra a MSN, as perspectivas são, enfim, bacanas. Afinal, fazia tempo que time e torcida entravam na competição se contentando com a tal “sonhada vaga pra Libertadores” (ou “quarta colocação geral”, dá na mesma). E você sabe, e eu sei, e todo mundo sabe: começar o Brasileirão botando fé no caneco faz toda a diferença do mundo

Se os ventos andam mudando para os lados do Palestra, no caso da imprensinha as coisas parecem na mesma (e manca) toada. Olha só a cobertura da Folha para a partida de abertura do campeonato, aquela que opôs leonores e gremistas no Morumbi (online, apenas para assinantes).

São Paulo se poupa e cai no Morumbi

Muricy prioriza partida contra o Fluminense, pela Libertadores, e vê estréia desastrosa no Brasileiro diante do Grêmio

Hmmm… então o povo do Jardim Leonor se “poupou” na estréia do Nacional. Sabe como é, o “São Paulo se identifica com a Libertadores”, e blá blá blá.

Confesso não ter visto o jogo, mas estranhei essa coisa de “leonores poupados” contra o Grêmio. Até porque o elenco são-paulino, que não é dessas coisas, mal tem conseguido juntar gente suficiente para um time reserva.

Aí eu fui ver a escalação que perdeu dos gaúchos:

Rogério Ceni, Miranda, Alex Silva e Zé Luis; Jancarlos, Fábio Santos, Éder Luis (Hernanes), Júnior (Sérgio Mota) e Richarlyson; Dagoberto e Borges. Técnico: Muricy Ramalho.

Ué, pode ser impressão minha, mas parece que quase todos os titulares jogaram. E a coisa piora quando se lê a matéria

Não foi a estréia esperada. Num Morumbi vazio, com menos de 8.000 torcedores, o atual bicampeão do Brasileiro foi derrotado na estréia da competição, ontem. Um gol isolado, aos 5min do segundo tempo, deu a vitória ao Grêmio.

A estratégia de Muricy de poupar jogadores para a partida de quarta-feira contra o Fluminense, pela Libertadores, somada com as ausências de Jorge Wagner, machucado, e de Hugo, suspenso, deixou o time do Morumbi sem um jogador que pudesse conduzir a equipe.

Sem Adriano, que pediu para não jogar, o time não conseguiu criar nenhuma jogada de perigo durante todo o primeiro tempo. Isolado, Borges, o único jogador de área, quase não tocou na bola. Pelo meio, Dagoberto e Éder Luis erravam passes. Por fim, o lateral-direito Jancarlos, estreando, demonstrava a falta que três meses sem jogar faz a um atleta

(…)

Hmmm… peraí. Se não me engano, do time titular só não entrou mesmo o Adriano. Porque teve até estréia do Jancarlos, aquele lateral cuja contratação foi (para dizer o mínimo) festejada pela imprensinha. Certo, o Jorge Wagner está machucado, então não ia entrar de qualquer maneira. E faltou o Hugo. É, aquele que foi afastado para “reciclagem”..

Aí a Folha diz que Adriano e Hernanes não entraram jogando porque, nas palavras de Muricy, “estavam esgotados. Era até perigoso jogar”. Bom, pelo jeito Hernanes pediu refresco e ficou chupando o dedo, já que acabou indo pro pau com o resto do povo. Onde então o São Paulo “se poupou”? O único que realmente descansou foi o Adriano — o que, no fim das contas, dá a impressão de que a manchete deveria ter sido, na real, a seguinte:

Adriano se poupa e São Paulo cai no Morumbi

No fim das contas, aconteceu que o São Paulo entrou em campo com a melhor escalação possível, explicitou sua absurda dependência do Adriano, tomou uma piaba do Grêmio em casa, e acabou. Tudo bem, dá até pra argumentar que comissão técnica e jogadores leonores estivessem com a cabeça na Libertadores. Mas aí é outra coisa. O Palmeiras mesmo, quando caiu diante do Sport em Recife (e muito por conta de falta de concentração para a partida), teve sua cobertura permeada por expressões do tipo “falta de foco”, “vexame”, “queda”, etc etc.

Por que é que, para a imprensinha, quando é com o São Paulo os leonores “se poupam”, “se assumem desconcentrados”, e tal? Será resultado da super-organização leonor, aquela que é tão organizada, mas tão organizada, que planeja até as próprias derrotas? Vai saber…

(não acabou) É a resposta para a pergunta feita por Cabuto nos comentários.

O motivo da ausência desde o dia 6 é que estou viajando a trabalho*. O blog volta a ativa logo e, enquanto isso, me choco com o que leio no Cruz de Savóia, em especial o que está sob a rubrica “Exemplo”.

* No tempo livre fui a Náutico x Goiás. Pude ver três camisas palestrinas circulando no estádio do mandante, fora as limão-compressor genéricas à venda nas cercanias do estádio. O detalhe é que não vi nenhuma outra que não fosse dos times locais sendo vendidas pelos camelôs. Nada de outros paulistas, nada dos cariocas. No mesmo varalzinho, em frente ao Aflitos, era Náutico, Santa Cruz, a Coisa e a número 3 do Verdão.


Minha idéia era fazer o que sugeriu Alvaro G M: “seria espetacular se vocês pudessem fazer uma análise comparativa da cobertura da nossa vitória com um título paulista dos Bambis ou dos Gambás”. Vai sair, mas não já.

Antes, quero destacar o post do Barneschi, do Forza Palestra, intitulado “Os verdadeiros bandidos“. O assunto é a ação da sempre gentil PM, que conseguiu estragar a linda festa preparada para acontecer na Turiassu, logo após o jogo. Destaco um parágrafo de Barneschi, mas recomendo a leitura do texto inteiro.

Porra, é preciso ser algum doutor honoris causa em segurança pública para saber que não se entra dando porrada no meio de uma multidão?

Assisti o jogo em casa, pela Bandeirantes (a imagem é ruim, o Luciano do Valle erra o nome de todo mundo, mas ver na Globo me dá um azar danado). Assim que começaram a ser mostradas as imagem da PM dando borrachada na torcida da Ponte e, depois, do Palmeiras, Luciano soltou os velhos clichês de sempre: “tem sempre que alguém acabar com a festa, esse pessoal não vêm para torcer…”. Só que a imagem mostrava o contrário, torcedores tentando acalmar os policias, que partiam de cassetete em punho contra a arquibancada. Uma temeridade, risco de tragédia enorme, pois o estádio estava lotado e aquela grades instaladas para separar o torcedor “comum” do “organizado” (a mando da polícia) poderiam ter esmagado alguém.

Na saída, mais confusão. Barneschi sustenta - e ouvi essa versão de outras pessoas - que não houve nada especial, que a ação da polícia foi por vingança, já que o público a presenteou com um coro de protesto após as borrachadas na arquibancada. Até pela televisão foi possível ouvir o grito do estádio lotado.

Na imprensa, a única versão que temos do episódio é a da PM, que diz que alguns torcedores tentaram invadir o estádio. Mas será que era preciso jogar gás, atirar balas de borracha e soltar bombas em um lugar repleto de crianças e mulheres, onde se preparava uma festa após uma partida de uma torcida só?

Como se o torcedor fosse um animal, sem voz e sem direito a integridade física. Talvez isso seja herança da escravidão ou do regime militar, mas basta estar na arquibancada para ser rotulado como marginal e vagabundo - “Esse tipo de festa só serve para atrair bandido, marginal e vagabundo”, vociferou um iluminado Flávio Prado.

Choca ver a imprensa, que deveria vigiar e cobrar o Estado, ficar tão passiva a cenas flagrantes de violação da lei e de direitos humanos básicos (adendo: Giocondo, nos comentários, aponta que a rádio Bandeirantes ouviu os torcedores). Submissa frente a um promotor público que defende interesses privados (de seu clube, o do Jardim Leonor) e que sobe a temperatura ao chamar os holofotes para si e promover uma cruzada pessoal com linguagem bélica.

Surpreendentemente, a polícia não fez NENHUMA prisão. Nem dos pretensos invasores, nem de agressores. Mesmo que fossem todos bandidos, mesmo que se tratassem de marginais, não cabe à polícia o revide, a guerra declarada, mas a aplicação da lei.

Não o caso de se defender ou condenar as organizadas, nem de se sair apontando culpados a priori. Caberia à imprensa reportar as diferentes versões e desnudar a flagrante brutalidade policial e o notório abuso de poder do promotor que parecer ter uma causa maior do que o cumprimento da lei.

Eu te disse…

Rápido e rasteiro e direto ao que importa:


É CAMPEÃO!!!


Digo logo: não gosto de campanhas de boicotes. Ou melhor, não gosto da banalização deles. Não porque ache que boicote seja algo errado ou anti-democrático (como uns que não entendem picas de pressão democrática vez ou outra alegam). Mas porque acho que é uma manobra estrategicamente arriscada. É meio que um tudo ou nada. Para se fazer um boicote, primeiro, é preciso colocar o carro na rua, não pode ser silencioso, tem que ficar claro pra todo mundo. Segundo, ou se tem certeza do sucesso ou o tiro sai pela culatra. Nada pior que um boicote fracassado, aquele que o alvo não acusa o golpe.

O boicote da Jovem Pan, por exemplo, foi bacaníssimo. Mas isso se deveu, em boa parte, à tosqueira da própria Pan. Parece que tudo meio que começou sozinho, num erro crasso de apuração da própria rádio, que juntou uma campanha ainda muito em fase embrionária com email irado (e muito bem feito) em um fórum de discussão. Aí misturou um Luiz Gonzaga que não era Belluzzo, soltou spot de defesa meio patético e foi aquela festa. Uma rádio que não consegue nem apurar quem se levanta contra ela não merece mesmo ser ouvida, não dá pra confiar.

Mas eis que surge uma outra boa oportunidade, levantada pelo Parmerista. Na Mídia Palestrina corre uma campanha de boicote contra o Lance!, jornal que parece ser meio especialista em lidar mal com as cousas palestrinas. Vira e mexe… um parênteses: escrevendo este post, ao falar do Lance!, resolvi dar uma olhada no site. Sabem qual a matéria de destaque, agora, às 2:51h de domingo? “LANCENET! mostra a maior magia de Valdivia”. Sabem qual a “maior magia” destacada pelo Lance? Fotos da mulher de nosso camisa 10, caçadas da internet.

Bem, voltando. A idéia é usar o dia de amanhã e de segunda para dar uma boa demonstração ao Lance! da insatisfação do palmeirense com o tratamento dispensado pelo jornal a seu time. Se tudo correr bem, na segunda deve sair nosso poster de campeão. Prefira outro jornal!

Se você, como eu, acha que fotos da mulher do camisa 10 na véspera de uma decisão, sem que nenhum fato novo dê gancho a isso, são uma perturbação à toa na cabeça de nosso jogador…

Se você, como eu, acha que o Lance! exagerou naquele episódio da ata, quando chamaram os dirigentes palmeirenses de mentirosos…

Se você, como eu, acha que eles se dedicaram demais ao retratar o Palestra como um barril de pólvora, quando os mesmos eventos, quando ocorrem no Jardim Leonor nunca ganham destaque…

Eles nunca vão admitir que algo aconteceu, que as vendas foram mais baixas do que o esperado. Não vão fazer como a Pan e preparar um texto-resposta dizendo que nos amam. No máximo podem dizer, publicamente, algo como: “ah, o palmeirense compra pouco…”.

Tudo bem, o recado vai ser passado. Pontualmente, no momento - aimeudeus, é amanhã! - mais palmeirense deste primeiro semestre.


Não é difícil encontrar os culpados pelo problema dos ingressos, eles têm nome e CNPJ: diretoria do Palmeiras, BWA/Ingresso Fácil e Polícia Militar (tá, essa não tem CNPJ mas… você entendeu), não necessariamente nessa ordem. Se pelo menos um desses três tivesse agido melhor a coisa não teria acabado como acabou. Se a PM tratasse o torcedor como cidadão teria se preocupado em evitar o problema - deslocando um efetivo maior e combatendo os cambistas - e não em tratar o ocorrido com borrachadas. Se a BWA tratasse os torcedores como clientes, teria adotado procedimentos empresariais simples, como o aumento de pontos de venda, e combateria os problemas internos que resultam no vazamento de seus ingressos para os cambistas. Se a diretoria do Palmeiras não tratasse seus torcedores como gado ou como servos medievais, teria evitado que parte dos ingressos virasse moeda de troca política internamente e, lá fora, teria dado um jeito de colocar um mínimo de ordem na fila (nem que para isso fosse necessário contratar uma segurança privada, quem já comprou ingresso na hora no Palestra sabe que o problema dos fura-filas não é novo).

Não tem mistério, não é preciso nenhuma fórmula mágica para lidar com eventos quem que a demanda de ingressos é maior que a procura, basta um pouquinho de racionalidade e planejamento.

Agora vou falar de onde não está o problema:

Você, torcedor palmeirense, não acha que uma decisão de campeonato merecia um palco maior, mais confortável, onde coubesse mais gente (o dobro de gente, no mínimo), todo mundo protegida da chuva, com um gramado decente? Ou, pelo menos, se quer fazer uma festa menor, mais restrita, quase uma reunião num apê, que a organizasse melhor.

Cada vez mais, me convenço de que uma cidade do tamanho de São Paulo merece um palco mais digno para o futebol. Já que não se encara mais o Morumbi como campo neutro –- e o estádio também não é nenhum primor de conforto, embora seja disparado o mais apropriado para decisões na metrópole — São Paulo precisa de um Maracanã (melhorado), de um Mineirão (melhorado). Ou então de Beira-Rios (melhorados) e Olímpicos (melhorados), estádios próprios e maiores para os clubes.

A volta do torcedor ao clássicos paulistas, inclusive, pode passar por um novo estádio, neutro, com transporte público, que ofereça mais conforto ao consumidor paulistano de futebol.

O texto acima é parte de um post de André Rizek. Louve-se a argumentação em favor de um espaço público bacana (para mim ele já existe e chama-se Pacaembu, basta administrá-lo direito e não tomá-lo como patrimônio do time que não tem estádio).

Só que definitivamente o problema dos ingressos não tem a ver com o palco. Apontar isso é deixar de ver o problema onde ele está: o espectador de futebol, principalmente por ser em sua maioria pobre e ferrado, é pessimamente tratado tanto pelo poder público como pelas entidades privadas. Infelizmente a mídia esportiva, quando apresenta soluções para isso, fala em mudar o público e não em melhorar o tratamento dispensado ao cidadão (não estou falando que Rizek diz isso, mas é um argumento que se vê por aí).

E aí voltamos a falar de Palmeiras. Rizek fala de uma “melhor organização numa festa menor”, mas logo infla o argumento de um novo palco citando os estádios municipais de outras cidades. Embora tenha defendido o argumento de o Palmeiras jogar no Palestra, insinua que o Jardim Leonor seria melhor (ao contrário do que ele diz lá nunca foi campo neutro. Não é hoje e nem era na época que o governador sentava no banco de reservas).

Mas lhe escapa o essencial. O palmeirense não quer ir no jogo só para ver o time ser campeão. Quer estar lá porque é lá a sua casa, onde ele circula livremente, vendo tudo pintado de verde, passando pelo busto de Ademir da Guia e sentindo a história do Palmeiras em cada tijolo, em cada degrau da arquibancada.

Na história dos ingressos, muita gente errou feio na organização. Só que isso não pode virar argumento para aqueles que defendem estádios insustentáveis. A Arena virá e teremos um pouco mais de espaço, possivelmente na medida. Que cresçam também o respeito pelo torcedor e pelos cidadãos.

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