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Na verdade, este texto era um comentário ao que o Rafa mandou aí embaixo. Mas ficou tão grande que resolvemos publicar como post mesmo.

Aproveitando o gancho: os estaduais são também essenciais, em minha opinião, pelo fator geográfico.

O Brasil é muito, muito, muito grande. E quando o motor de nosso campeonato é o confronto entre vinte clubes sediados em pouco mais de dez cidades, o futebol do interior transforma-se em terra arrasada.

Nunca engoli o papo dos fundamentalistas de mercado que culpam a própria natureza dos estaduais pelo enfraquecimento dos torneios. Passei boa parte da infância e da adolescência no interior, e sempre achei a segundona e a terceirona o maior barato. Eu mesmo frequentava o estádio direto, existia um entusiasmo do povo da região em participar da coisa toda.

O Paulistão era longo, ocupava quase todo o primeiro semestre, e as equipes viajavam pelo interior se batendo em estádios que, se não viviam lotados, também raramente estavam às moscas. E olha que o estado de São Paulo nem é tão pequeno assim, seu tamanho é mais ou menos o da Itália (é, o país).

Confesso que os segundos semestres eram um problema. Custa caro competir nas séries de acesso do Brasileirão – passear pela Federação levando time e comissão técnica é uma grana – e boa parte dos clubes ficavam no limbo. Mas, ainda assim, a estrutura meio que se segurava.

Com o estrangulamento do futebol do interior, esse sistema ruiu levando, junto, o que fez do Brasil o país do futebol, esquindô esquindô, telecoteco. Porque era nos times interioranos que se fermentava um tanto da cultura do jogo nacional, que se formavam vários dos jogadores bacanas.

Pode até ser que eu esteja errado, mas acredito que boa parte dessa obsessão pelo “trabalho na categoria de base” tem a ver com a derrocada dos times do interior. Com as equipes menores caindo aos pedaços, os grandes raramente conseguem pescar algo interessante. E como aquela pechincha promissora é cada vez mais rara, o jeito é fazer em casa mesmo.

Claro, o trabalho de base é essencial. Mas, quando a coisa se encerra nisso, coloca-se em risco a diversidade do jogo nacional. Porque em vez de pescar aqui e ali em, sei lá, 40 times pequenos, com diferentes propostas e tal, você passa a peneirar num único lugar, com uma única proposta. O que, hoje, é ainda mais complicado, porque o moleque da base é visto como produto e treinado com vista à venda ao exterior. Aí dá-lhe futebol força e 3-5-2 na cabeça da meninada.

Com estaduais que funcionem, essa estrutura do interior é alimentada, enriquece-se a diversidade. E isso, graças às profecias auto-realizáveis de boa parte dos colonistas, está sagrando à morte. Vítima dos pitacos de gente que, deslumbrada com o futebol-empresa-europeu, raciocina como se o Brasil fosse do tamanho da Espanha.

Pensando junto: que campeonato nacional europeu tem mais de quatro grandes potencias brigando pelo título? E quantos países europeus conseguem ser muito maiores (em tamanho mesmo) que a média dos estados brasileiros?

Pô, pra quem mora no interior, empurrar o time da cidade é o maior barato. Estimular esse tipo de competição, pensar em soluções criativas que reanimem esse cenário pode não ser fácil, mas está longe de ser impossível.

Em seu modelo atual, o Brasileirão estrangula os times médios e nanicos do interior do país, num movimento que, a médio-longo prazo, pode mostrar-se um grande tiro no pé. Tudo bem, concordo ser pura chinelagem mudar o regulamento do Nacional a cada ano. E é fato que o futebol nacional precisa se modernizar em vários aspectos, que é bom que pelo menos uma ou outra coisas sejam feitas. Mas, sei não: pelo andar da carruagem, tenho cada vez mais a impressão que estamos jogando fora a criança e a água do banho.

Já repararam que praticamente todos os times do Brasil estão à beira de uma crise? O Internacional pode ir ao inferno hoje à noite, o Grêmio deve ir amanhã, o Botafogo está na zona do rebaixamento, o Flamengo outro dia levou de cinco, nossos amigos leonores estão aos farrapos, o Fluminense não faz muito apanhou dos torcedores, o Atlético estava com cara de rebaixado não fosse a mão mágica de Celso Hot/Sexy Roth (ave, Impedimento). A seguir, uma hipótese para isso.

Há uns vinte anos (começou com as bobagens colloridas em 1989) martelam na nossa cabeça que a competição é uma coisa boa. Era ela que ia salvar o Brasil, pois todo mundo teria que se coçar para ser melhor, e não ser engolido. Olhavam pra Darwin e diziam: “Ei, na natureza é assim, só os evoluídos sobrevivem”. E isso rolou no futebol também, acharam que se os grandes passassem a maior parte do tempo – com isso quero dizer do ano – se enfrentando se tornariam melhores. E isso de um jeito meio automático, já que “submetidos a uma grande lei natural”. A lógica torta valeu também para a escancarada abertura ao mercado da bola: íamos dialogar com os europeus e, se fôssemos bons, os superaríamos.

Pois eu acho que essa competição excessiva está nos detonando. Vejamos.

Nos anos 80 – a partir deles tinha idade pra ter noção de algo – comi o pão que o diabo amassou, em termos futebolísticos. Tinha que aguentar os amigos me enchendo dizendo que eu nunca tinha visto meu Palmeiras ser campeão. Mas, em 93, o céu se abriu, com o Paulista ganho podia respirar aliviado, levantar a cabeça: adeus, fila. E dá para lembrar do Corinthians também que, até 1990, não tinha ganho NENHUM Campeonato Brasileiro. Vou repetir, só pela pilhéria, NENHUM. Mesmo naquela época eles já se achavam, só por ter ganho Paulistas. Embora eu não saiba de cabeça o tamanho da fila dos times de outros estados, imagino que o estadual tenha funcionado da mesma maneira para outros.

Então esse é o ponto, um estadual maior e um Brasileirão não tão valorizado ajudavam a acalmar os nervos. O Brasileiro era tipo um bônus, uma Libertadores hoje em dia – você vai lá, disputa, mas ganhar uma a cada dez anos tá mais do que bom. O que segurava a onda mesmo eram os estaduais, nos quais você competia de verdade com mais dois ou três, o resto era zebra. Hoje dizem que o estadual só serve para precipitar crises naqueles que não ganham. Discordo, porque a esses títulos, hoje, não se dá a devida importância. E posso afirmar que, no passado, eles serviam mais para estancar crises, por darem mais títulos, a serem comemorados por mais clubes. Mini-tragédias, mesmo, quem propicia é o Brasileiro. Não dá para clubes tradicionais do Brasil acharem terminar um campeonato em oitavo como algo honroso. Nem dá para eles serem realistas com a torcida e dizerem, no começo do campeonato, que o objetivo é terminar entre os quatro, classificando para a Libertadores. Isso é apequenar todo mundo.

Bem, você pode dizer, e que me importa o emocional dos clubes e das torcidas? Eu quero é ver sangue e lágrimas – é você, criatura cruel, falando -, afinal isso que é divertido!

Tá certo, só que isso está estragando o espetáculo também. Esse clima de tensão constante está deixando todo mundo cauteloso demais e excessivamente pressionado. Não é à toa que o 3-5-2 virou praga. Todo time que entra em crise bota três zagueiros. E, pode reparar, no meio campo é tudo volante. Alas? Mentira, volantes! A coisa tá tão feia que um dos dois atacantes é, às vezes, um meia-atacante, o que na prática nos leva a um 3-4-2-1 ou 3-5-1-1. Não é à toa que o camisa 10 está morrendo.

E a pressão acontece também em cima dos jogadores. Nos estaduais, você disputava, sei lá, 20% de partidas difíceis, o resto era vitória meio contada. Empate não era coisa para time grande, nem fora de casa. Nesses 80% de jogos mais fáceis, você via a molecada se aprimorando, se entrosando, ficando ousada. Mais da metade dos lances bonitos saiam dessas partidas, onde se tinha mais liberdade para erra, para ser abusado. Não deu certo o drible, o chapéu? OK, ninguém vai comer o fígado de ninguém por isso, o jogo ainda assim vai ser ganho. E com isso o garoto ganhava confiança, passava a ter mais noção de seus limites e de seu talento. Experimenta errar um cruzamento hoje, ao 15′ do primeiro tempo. Pode ter certeza que vai ouvir, por trinta minutos e em mostra de fôlego invejável, os gritos de um tio barrigudo lhe dizendo como você é imprestável e como não merece a camisa que veste.

***

Vamos lá, falar de Palmeiras.

Luxa

Não dêem ouvidos à imprensinha nessa falsa polêmica do “ah, mas a quebra de hierarquia foi uma falsa desculpa”. Ninguém manda um funcionário de currículo, com multa contratual, na primeira quebra de hierarquia. A que aconteceu foi só a última de várias. VL perdeu a noção, inclusive do ridículo, pois aquela resposta ao texto bem humorado do Giorgetti foi patética. Não dava mais pra ele, queimou todas as pontes. E vinha mal tecnicamente também (sobre o assunto, vejam isso aqui).

Keirrison

Eu acho o moleque foda. Não é porque ele foi tosco com o Palmeiras que vou negar isso. Mas essa babaquice de querer ir para o Barcelona é um mal que aflige uma geração, essa que cresceu jogando winning eleven. Endeusam times só pelo hype internacional. Times com os quais os brasileiros sempre jogam de igual para igual quando dos torneios mundiais. Se K9 tivesse algo na cabeça se miraria no seu exemplo de Coritiba, o Alex. Quando a carreira dele acabar ele sabe que Palmeiras, Cruzeiro e Coritiba o esperam de braços abertos, pois ele construiu uma história aqui, na sua casa.

Claro, culpe-se também o empresário malaco.

Ao K9 não desejo sorte, não. Vou torcer contra qualquer time cuja camisa ele vista. Quem sabe batendo cabeça o figura não aprende.

O novo técnico

Vamos combinar? Futebol é coisa séria, sem essa de colocar a identificação com o clube em primeiro lugar. O time precisa de alguém que o arrume, que lhe dê padrão, não de um torcedor sentado no banco. Minha ordem de preferência é Muricy e Dorival. O Abel é tosco.

Twitter

Avisando a quem não viu: na página http://www.observatorioverde.net/twitter-ov/ dá para a companhar as twitadas ovezísticas

Depois do jogo Brasil contra o Paraguai comecei a escrever isso aqui:

Peço desculpas aos amigos e amigas vou dar um exemplo a partir de um ídolo leonor. Se bem que Kaká está mais para milanista ou “renascerista em Cristo” do que para representante do time do Jardim Leonor, de onde saiu escorraçado.

Não sei o quanto disso é verdade ou não, pode ser devaneio galvanístico, mas no meio do segundo tempo do jogo de ontem Bueno comentou algo como: “O Kaká agora de uma dura no Robinho, falou que ele tinha que ter passado a bola”. Mais tarde Galvão relatou algo como uma orientação de posicionamento feita por Kaká.

Aí fiquei pensando se temos alguém assim no elenco do Palmeiras, alguém capaz de orientar capaz de de dar instruções à garotada lá na frente, um sujeito que tenha visão de jogo suficiente para isso e ascendência sobre todos. Não me entendam mal, acho Kaká um chato moralista. Mas me parece que ele tem esse tipo de respeito, uma legitimidade para dar instruções, organizar as coisas.

Então me veio à mente Diego Souza. Joga mais ou menos na mesma posição no Palmeiras e lá na frente é um dos mais velhos do time (perde para Cleiton Xavier, que não tem ficado tão lá na frente).

Diego virou herói da torcida pelos motivos errados…

A partir daí ia argumentar que achava ele cabeça quente demais para o papel de líder do time, e que a idolatria que surgiu em torno de Diego só piora isso, porque incentiva o individualismo e o torna propenso a presepadas que parecem demonstração de raça - e às vezes são - mas que nem sempre são boas para o time.

Bem, fomos eliminados da Libertadores. E concordo com quase todo mundo que o problema foi o jogo no Palestra, quando tomamos o gol (o que o Barneschi fala sobre o Fator Jumar é bem classe). Mas isso não invalida minha opinião de que falta uma liderança em campo. Pelo contrário, talvez com essa liderança não tivéssemos tomado o gol no Palestra. Ou teríamos feito lá no Uruguai. Falta alguém pra puxar a orelha do Diego quando ele não passa a bola. Ou pra gritar com o Keirrison quando ele fica preso na marcação. Ou para orientar o time mesmo, dizer em campo quem faz o quê.

Nesse sentido, tem um material bom na imprensinha que reforça minha tese. Recentemente o JK entrevistou o Edmilson naquele programa da ESPN em que ele brinca de Marília Gabriela (lembram do Cara a Cara? Então). Ele deu um depoimento ótimo falando sobre o que o jogador vive nos clubes. Falou sobre como eles não são preparados para serem profissionais, para se dedicarem exclusivamente ao futebol. Disse que muitos tem que lidar com problemas paralelos de toda sorte e que alguns vivem atolados em dívidas, mesmo ganhando o que ganham. Edmílson mais ou menos aprofundou o que já havia dito no Mondo Palmeiras, quando perguntado sobre o que teria mudado no futebol brasileiro na sua volta. A resposta foi que nada mudou. E se o Palmeiras foi o único clube em que ele atuou na volta significa que ele está falando do Palmeiras.

Outro bom material foi publicado pelo Lance! Já descemos a lenha nos caras mas quando eles fazem algo direito é preciso dar o braço a torcer. As matérias sobre os 10 anos da Libertadores foram ótimas. (Achar no site dos caras é jogo duro, recomendo que dêem uma olhada no Nação Palmeiras, foi por lá que li). Vejam o que Felipão e outros falam sobre o grupo, sobre a mistura entre gente que já havia jogado a competição, jogadores talentosos e profissionais identificados com o clube. Claro que não há fórmula para ganhar o torneio, mas que faltou um pouquinho de malícia para nós faltou. Não fomos eliminados levando uma sacolada como os leonores (o placar agregado contra eles foi 4-1), caímos por causa dessa maldita regrinha dos gols (1-1 foi o nosso agregado).

E o manager? Bem, fica pra outro texto. Enquanto isso, façam figas para que ninguém assine nenhuma renovação com ele até 2010.

***

Que coisa feia isso, hein? Então Ricardo Gomes é genro do Teixeira? Roberto Verdão, nos comentários, foi quem nos contou. E ele ainda trouxe o link de um blog da Mídia Palestrina (Bianco, Rosso e Verdão) que relata a seguinte pergunta feita por M. Neves a Leco: “A filha do Ricardo Teixeira que é da comissão de escolha dos estádios é esposa do Ricardo Gomes. Isso tem alguma coisa a ver com a contratação dele como técnico já que vcs estão correndo o risco de não ter Morumbi escolhido?”

Adendo: Segundo PVC a informação acima é mentira. Ficam as nosssas desculpas aos leitores por termos ajudado a divulgar o boato e o espanto com como a imprensinha é tosqueira ao apurar o factual (fazem onda primeiro, checam durante). Falha nossa, deveríamos estar escaldados.

- Um crime, um crime, um crime gigantesco a anulação do gol do Obina. Golaço!

- O jogo foi nosso desde o começo. Nossa intensidade só foi diminuída porque os patéticos começaram a bater. O M. Gabriel quase quebra a perna do Cleiton Xavier.

- Juiz fraco, sentiu a pressão da torcida da casa.

- Muita garra, muita força. A desclassificação parece ter deixado o time mordido.

- Imagina se São Marcos faz aquele gol, chutando do meio do campo? Botem o gol de empate 50% na conta dele (e eu que achei que ele estava louco quando correu pra área do Grêmio no jogo do ano passado).

A Folha de S. Paulo, acho que todo mundo sabe, reserva o espaço de sua terceira página para textos opinativos. Aqueles artigos que, em tese, não seriam subordinados à opinião do jornal, representando a vastidão ideológica deste mundão velho sem porteira.

Então. Na edição desta sexta-feira, 05/6, foi a vez de um cartola subir no caixote. Não um executivo da CBF, ou qualquer outra confederação, associação ou coisa que o valha. Mas um diretor de clube.

“De qual clube?”, pergunta o amigo leitor, a dileta leitora.

Bom, eu sei, pode soar repetitivo e tal. Mas sim: era um dirigente leonor.

Intitulado “SP e a Copa: responsabilidade e legado”, o texto é escrito por João Paulo Jesus Lopes. E, sinceramente, entre as categorias “artigo” e “ensaio”, eu o classificaria como “aviso aos acionistas”. Porque em vez de oferecer argumentos sobre alguma ação, idéia ou posição político-institucional, texto se resume vender a idéia de que o Morumbi é um ótimo, ótimo investimento para a Copa.

Nada contra um grão-leonor tentar vender sua idéia (sofra reforma ortográfica, sofra!). A mídia serve pra isso mesmo, pro debate comer solto. O que pega, na minha opinião, mais que o texto em si (e isso é assunto para outro post), é o espaço no qual foi publicado.

Normalmente, a coluna de debates de um jornal diário abriria espaço a representantes do pensamento ou das ações de certa comunidade ou instituição - governo, ONGs, partidos, Academia, etc etc. Isto posto, o que me coça a cabeça é onde, exatamente, se encaixaria um clube de futebol.

Clubes de futebol ficam na zona nebulosa entre o interesse público e privado. Um exemplo: nenhuma coluna de debate séria abriria espaço para jabás assinados por representantes de empresas. Fato. Partindo daí, como fica, então, o caso do dirigente de clube que, na defesa das posições de sua agremiação, está claramente tentando defender uns cobres?

Certo, aí você pode dizer que clubes de futebol são instituições de caráter público, patrimônio nacional, Maracanã, Pelé, Garrincha. E que um dirigente, representante dessa figura constituída, tem todo o direito de ir lá defender o seu (caso no qual, convenhamos, a Timemania faz todo o sentido do mundo).

Quer dizer: o embate institucional no qual se insere o clube de futebol é, em certa escala, também privado. Até porque cada vez mais as agremiações são pressionadas para funcionar com ferramentas empresariais.

Essa modulação sobre o que mereceria espaço para publicação, coisa bastante delicada, é tarefa do editor da coluna. Ou, no caso da Folha, do “Editor de Opinião”. E ele não trabalha sozinho, está inserido na lógica editorial que, em tese, guiaria todo o jornal. Assim, poderíamos crer que o pessoal da Barão de Limeira considera clubes de futebol figuras de caráter público, carregadas de certo patrimônio institucional.

Veja bem que consegui chegar até aqui sem mencionar o fato do Editor de Política da Folha ser filho do grão-leonor Leco. Nem aludi à blitzkrieg midiática leonor pós-Morumbi/2014 chinelado.

Ou à necessária emergência de mídias de clube segmentadas (como a gloriosa Mídia Palestrina).

No fim das contas, o que importa é seguinte: se o Belluzzo escrevesse algo sobre a Arena Palestra, a Folha publicaria no mesmo espaço?

Ele está no centro do picadeiro. Brigou com a torcida, bateu na imprensinha, provocou os jogadores. Seus inimigos estão mais felizes do que nunca, prestes a fazerem suas dancinhas do “eu te disse!” - e vão dizer que foi para o nosso próprio bem.

Durante a semana inteira fiquei ensaiando escrever sobre Luxemburgo. É muito difícil entender suas últimas atitudes kamikaze. Nem falo sobre o que acontece dentro do campo (tipo colocar o Jumar no Keirrison), me refiro ao campo que ele mesmo diz dominar: sua relação com o público e com a imprensa.O texto que o Giocondo republicou, que saiu no Agora, é o melhor retrato que li disso.

Bom, a partir desse paradoxo tentei elaborar duas hipóteses, bem opostas.

Hipótese Hardy (realista?)

É tudo calculado. Luxemburgo está de malas prontas para qualquer lugar. Está procurando briga com todos porque não quer pedir o chapéu, está de olho na multa rescisória. De fato esse elenco não tem jogadores brilhantes capazes de decidir uma partida, e Luxemburgo depende desses caras para ganhar títulos. Assim que o time for desclassificado ele será demitido, não pelo mau resultado, mas pelo clima ruim que criou. Está jogando já as suas desculpas porque quer preservar o que resta de sua imagem. Vai viver assim o resto da carreira, se sustentando do passado e mordendo salários milionários. Enquanto isso: folga para um elenco que precisa trabalhar.

Hipótese Pollyanna (sonhadora?)

É tudo calculado. Em uma semana Luxemburgo conseguiu tirar o foco dos jogadores jovens e mais instáveis psicologicamente e trazer tudo para si. Velho e calejado, ele é capaz de resistir à pressão, a garotada não. A partir de agora cada erro de passe, cada cruzamento direto nas piscinas não é mais culpa do jogador, é culpa do técnico que o escalou. Até mesmo a torcida vai responder positivamente, pois foi tachada pelo próprio técnico como pouco solidária, inferior à torcida de modinha da cachorra de peruca. Os resultados vão aparecer logo, elenco e torcida mordidos, querendo provar algo.

***

Sinceramente, acho que só estando dentro do Palmeiras, sabendo do dia a dia, é que dá para arriscar se o ponteiro está mais para o lado de cá do que para o lado de lá. O que tenho certeza - o que significa que isso é só minha opinião - é que Luxemburgo errou feio ao tirar o Keirrison contra o Nacional e que se não fosse isso a situação não estaria nesse pé hoje (mas que, convenhamos, o cenário atual também não é nenhum fim de mundo).

Ao mesmo tempo, também me parece não valer a pena entrarmos no clima que tem feito os inimigos do pofessô delirarem de alegria. A imagem pública de Luxemburgo não é das melhores. Quer queira quer não, seja verdade ou mentira, as acusações que vivem sendo repetidas contra ele colocam na cabeça do torcedor de todo time que Luxemburgo treina um monte de minhocas. Não pode aparecer nenhum jogador desconhecido no time, ele não pode insistir na escalação de ninguém que logo aparece um torcedor ou jornalista (ou um torcedor-jornalista) insinuando ou dizendo claramente que Luxemburgo está levando algum por fora. O problema é que, sem provas, sem evidências fortes, esse tipo de comentário, por vezes delirante, não ajuda. Ou se sabe de algo, e se prova ou se evidencia, ou quem acusa só está pagando de 1nho, fazendo o jogo dos assassinos de reputação. Entendam-me bem, não estou recomendando que ninguém compre um carro usado de Luxemburgo, longe disso. Mas, sei lá, não acredito que caras como Belluzzo e Cipullo permitiriam barbaridade nenhuma, assim como acredito que Luxemburgo nos dá milhões de fatos comprovados e técnicos para criticá-lo, sem que se caia nesse lodaçal.

Mas o próprio pofessô, diga-se, tem boa parte de culpa nisso. O fato é que o personagem malandro que Luxemburgo projeta, por vezes conscientemente, hoje é altmente prejudicial aos times que ele treina. Bulhões, diretor da Coisa, ganhou seus minutos de fama em cima disso (especialmente no blog do Nelson Rubens da imprensinha, Cosme Rímoli). Pode ser que no passado ser malandro fosse legal, fizesse parecer que você tinha uma espeécie de inteligência/esperteza das ruas. Mas isso mudou, o mundo ficou mais certinho, limpinho e etiquinho, o que na real é uma coisa boa. Se Luxemburgo pretende mesmo voltar à Seleção algum dia, se quer continuar ganhando a bolada que ganha, deveria não só pagar todos os impostos como também parecer alguém que paga todos os impostos. Até suas explicações pirotécnicas sobre esquemas táticos vão parecer menos picaretas.

Mas divago, este post já virou uma salada, melhor encerrar.

Um pouco atrasado, lá vai.

1) Desespero, teu nome é Marcão.

2) Luxemburgo errou, e errou grandão. E todo mundo percebeu.

3) Você é treinador. Jogo decisivo de Libertadores. Aí você pretere o Keirrisson pelo Obina, só pra provar a quadratura do círculo e chamar os críticos de boboschatosfeios. Na minha terra, isso se chama birra.

4) Futebol é negócio, profissionalismo manda, até bola bate cartão, blá blá blá. Agora, de novo: ou você é profissional, ou você é birrento.

5) Ainda dá. Mas podia ser mais fácil.

O jornalismo é um meio panelístico por excelência. Confronte um figurão, mesmo educadamente, e ganharás um inimigo. Teça loas ao mesmo, concorde polidamente e promova-o quando possível que logo logo você está na patota. Eventualmente patotas diferentes brigam, para a alegria da massa, que é submetida a mais exposição de vísceras que muito filme gore por aí.

Não dá pra se aventurar nessa seara, mas a briga Giacomini/Kfouri vs. M. Neves chamou a atenção para o livro escrito pelo pivô do episódio e prefaciado e recomendado por JK: Dentre os grandes és o primeiro. Boa parte está disponível no Google Books e fui direto em duas partes que envolvem o Palmeiras na história deles, a nossa Arrancada Heróica e o Paulista de 1971.

Bom corto e colo os trechos, voltamos a falar depois que vocês tiverem um opinião sobre a obra.

Primeiro 1942:

livroescroto

livroescroto1

livroescroto2

Agora 1971:

livroescroto3

Não se enganem, este é um blog de esquerdinhas e este que vos escreve se considera um relativista. Já esperava que a versão leonor da história fosse um pouco diferente pois, sabe como é, até para colocar a cabeça no travesseiro à noite e dormir em paz nossa consciência altera um pouco os momentos vergonhosos da nossa vida para que a coisa não fique tão mal assim.

Mas tudo tem limite! É preciso que haja um mínimo de coerência nas coisas, senão o delírio é tão grande que vira caso para se tomar Haldol.

Nem falo nada sobre os absurdos sobre o contexto histórico da década de 1940, algo que é até desrespeitoso com com os italianos, alemães e japoneses perseguidos no Brasil. Mas falar do gol do Leivinha? Que mãos para o alto são sinônimo de tentativa de ludibriar a arbitragem? Isso não faz nem sentido, quem tenta ludibriar a arbritragem fingindo cometer uma infração?

Tudo bem que o livro seja escrito de fanático para fanático, como diz o JK no próprio prefácio (e sabemos que quando JK chama alguém de fanático ele não está fazendo propriamente um elogio à sanidade do sujeito). Mas, sei lá, achei que um dos papéis dessas figuras expoentes do jornalismo fosse referendar e recomendar o que tem uma mínima qualidade - nem precisa ser literária, basta ser qualidade lógica - até para que o público possa separar o joio do trigo. Pelo visto privilegiou-se a camaradagem.

Segunda, no Bem, Amigos, Luxemburgo deu uma reclamada lá na pegação de pé da torcida do Palmeiras. Acho que ele tem razão em parte, embora também ache que essa reclamação é cortina de fumaça para deficiências dele, Luxemburgo. Mas disso falo mais tarde.

Antes, quero fazer um paralelo entre Rivaldo e Marquinhos. Não, não estou dizendo que o último é craque como primeiro, o que quero é mostrar como a história do pernambucano pode nos ensinar algo sobre o baiano (e sobre nós, e sobre os outros).

Que me perdoem os edmundistas, evaristas, djalmistas, alexistas e os valdivistas, mas Rivaldo foi o maior craque que já vi jogar com a camisa do Palmeiras. Tudo bem, a história dele no Palmeiras não é tão longa, muito menos tão dramática quanto a do Evair, mas estamos falando de alguém que foi eleito melhor do mundo e que, não só para mim como para o Ronalducho, foi o grande craque da Copa de 2002.

É verdade que Rivaldo evoluiu com o tempo. Mas o talento já estava lá e, creio eu, isso que percebemos como evolução talvez seja mais é fruto de uma boa adaptação ao time. No Mogi-Mirim, Rivaldo era peça importantíssima do Carrossel Caipira, embora a grande estrela fosse Válber. Naquele time ainda estavam Leto, formando o trio de ataque, e os imortais (porque ainda ativos) Dutra e Fernando. Por um azar do destino eu estava num churrasco, a 500 metros do estádio, quando Rivaldo marcou “o gol que Pelé não fez”, aquele do meio do campo.

Bem, Rivaldo, Valber e Leto foram importados pelo corinthians. E não deram certo por lá, Rivaldo foi intensamente criticado pela torcida. Hoje isso até parece meio absurdo, como alguém que em poucos anos estaria no auge de sua carreira pode passar assim despercebido por todos?

Mas assim foi, e Rivaldo aportou no Palmeiras em 1994. Na nossa casa, ele nunca foi o grande ídolo, ofuscado por Edmundo e Evair. Mas com seu jeito tímido, calado e modesto lá sentiu-se bem. Principalmente, caiu como uma luva naquele time, assim como no impressionante Palmeiras de 1996.

E aí entra a minha comparação, que vai pelo lado da personalidade e pelo time em que o jogador se insere. Assim como vi rivaldo no Mogi de 1992 e 1993, vi Marquinhos no Vitória de 2008. Acho que o time do Mogi era melhor, assim como, comparativamente, a performance de Rivaldo. Mas ambos estavam perfeitamente encaixados em suas equipes. Quando saíram desse encaixe a qualidade caiu.

E, de alguma forma, a personalidade de Marquinhos parece ser oposta da de Rivaldo tanto quanto o corinthians é o oposto do Palmeiras. Marquinhos chegou de chuteira vermelha, brinco de diamante e cabelo espetado. Não acho que ele tenha feito nada de errado e eu não tenho nada contra, mas a torcida do Palmeiras, principalmente a amendoim, é conservadora e parece ter. Ou, no mínimo, vai esperar de um jogador vestido assim um desempenho tão esfuziante quanto a aparência. Algo me diz que a torcida do corinthians aceitaria isso numa boa, talvez até valorizasse mais o jogador.

E, com algumas exceções, as duas torcidas parecem ser assim, a do Palmeiras espera mais de quem aparece mais, a do corinthians até perdoa os mais mascarados. Talvez por isso que Ademir da Guia - tímido e reservado como Rivaldo – seja uma das únicas unanimidades no Palestra. A deles… sei lá, Marcelinho Carioca, Ronaldo goleiro…

Bem, mas aí entra o outro ponto, o técnico. Marquinhos chegou tarde nesse time e, diferente do que aconteceu com Rivaldo, Luxemburgo até agora não conseguiu acertá-lo na equipe. Está inventando até demais, tentando usá-lo como lateral, e Marquinhos tem obedecido o pofessô. Quando o time fracassa, como no último domingo, a coisa cai nas costas dele. Ninguém se lembra, por exemplo, que o recém guindado a herói, Diego Souza, anda numa fase absurdamente fominha e não passou a bola do jogo a Keirrison ou Xavier, preferindo tentar o chute mesmo estando marcado.

O fato é que o time sofre porque não está conseguindo equilibrar defesa e ataque. No começo do ano estava tudo ótimo. Em competições mais difíceis a coisa azedou. E Luxa começou a se acovardar, está sacrificando Keirrison que hoje joga sozinho no ataque. Nosso problema me parece estar aí, nesse equilíbrio que precisamos encontrar entre atacar e defender, não em Marquinhos ou Capixaba. Aliás, em 1993 e 1994 tínhamos o Cláudio na lateral direita, alguém se lembra? Nem todas as peças que teremos serão espetaculares mas é de todas elas que se faz um time. Desde que o técnico FAÇA esse time.

Bem, mas estou fugindo do assunto. Meu medo é ver, daqui a pouco, Marquinhos brilhando em algum outro lugar por aí…

É isso aí, estamos de volta.

O tempo continua escasso, a vida se mantém enrolada, mas a vontade de voltar a conversar sobre o Palmeiras bateu forte. Também falou alto a saudade dos bons amigos que fizemos por aqui.

Só que para continuar o mesmo este espaço vai precisar mudar. Ficar tão de olho na imprensinha é estressante e, quase sempre, enervante.

É um serviço público necessário, mas sentimos que a base já foi construída. Hoje o palmeirense lida de uma maneira muito melhor com o que lê e vê. Não toma tudo como verdade absoluta e está mais esperto para os interesses que orientam as coisas no futebol. A maioria já entende que criticar a imprensinha não significa encobrir os próprios erros do clube ou do time.

Mais legal ainda, quase todos os blogs Mídia Palestrina incorporaram a crítica da imprensa como atividade cotidiana. Por isso a parada do OV também foi boa, para meio que franquear o assunto para todo mundo.

Bom, isso tudo para dizer que este espaço vai ficar mais pessoal. Além de falar da imprensinha vamos nos atrever a discutir outros assuntos relacionados ao Palmeiras e ao futebol. O que significa que o grau de bobagem vinda dos editores vai aumentar.

Porém, pero no mucho. Como dito, continuamos sendo pessoas altamente enroladas, o que significa que a atualização aqui não vai ser assim super mega frequente. Os textos virão mas os pitacos e as espinafradas diárias vão estar mais concentradas no twitter: www.twitter.com/obverde . Para quem não sabe mexer nesse treco estamos providenciando um plugin na página do OV, assim o que for atualizado lá também vem parar aqui.

Ao mesmo tempo, no espaço de discussões dos posts do OV seremos muito menos tolerantes com o que julgamos impróprio. Antes a regra era “fale o que quiser, só não ofenda ao Palmeiras nem aos palmeirenses”, o que era muito bacana, mas deixava espaço pra coisas que caminhavam na fronteira do preconceito, xenofobia, homofobia e outra escritas escrotas. Na dúvida vamos deletar essas coisas sem dó, e esperamos que os deletados entendam que não é nada pessoal. E quem quiser ser completamente livre que seja também completamente responsável e funde seu próprio blog.

E é isso aí.

E até mais.

E dá-lhe Palestra!

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