A ética palestrina e o espírito do parmeirismo
Abr 3rd, 2007 by Rafael Evangelista
Uma das consequências do tratamento diferenciado (para pior) dado pela imprensa aos assuntos palmeiristas é a constante instabilidade emocional de nossa torcida. Perdida no turbilhão de informações/opiniões distorcidas e maliciosas sobre o nosso time, ela é conhecida por sua pouca paciência com jogadores e técnicos.
Perdemos para os bambis e já tem gente dizendo que “Caio Jr. não é para o Palmeiras”.
Analisando mais de perto, dá para dizer que esse perfil geral de desânimo crônico ao primeiro tropeço se divide em muitos tipos.
Tipos ideais, para usar o termo de Max Weber, autor de A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. Ideais porque são uma idéia abstrata, não podem ser encontrados exatamente desse jeito na realidade, são uma descrição para a gente entender melhor as coisas. No dia-a-dia os tipos se misturam, é possível encontrar traços de tipos diferentes em cada um dos sujeitos reais.
Bom, mas chega de onanismo intelectual e vamos ao que interessa: descrever aquele cara que fica falando na arquibancada que o Edmundo está velho, mesmo com ele arrebentando na partida.
Ó céus, ó vida, ó azar…comecemos!
Hardy - Triste, esse palmeirense desconfia de cada vitória e tem certeza de cada derrota. Ganhamos de 4 a 0? O outro time era muito fraco. Não classificamos por um ponto? Tem que mandar o time inteiro embora. Moleque da base? Vai amarelar. Jogador consagrado? Tá velho e ganha demais.
Por mais que o time mostre uma evolução, padrão de jogo, ele não acredita no que vê. Ao invés de pensar no jogo, só ecoam na cabeça dele as análises “imparciais” das mesas redondas. Ele não faz por mal, é cabeça fraca e tem mais facilidade em lembrar de comentários do que de jogadas que viu.
Para que mude sua visão, todos os colunistas de todos os veículos deveriam gritar em uníssono que o Palmeiras é o melhor do mundo! Isso depois de golear o Barcelona e o Chelsea em uma mesma tarde, numa rodada dupla. Mesmo assim ele iria desconfiar, pois toda unanimidade é burra.
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