Edmundo factor
abr 9th, 2007 by Rafael Evangelista
A expressão do título é do pessoal do Mondo Palmeiras. Foi criada antes, mas serve bem para ilustrar a fase atual da equipe.
Às vezes, um time adquire uma personalidade, como se fosse uma pessoa. Tem traumas, dramas, vícios, manias. Nisso, a imprensa contribui. Como um espelho de parque de diversões, ela distorce, engorda e emagrece certos aspectos em nome da diversão.
Hoje, o Palmeiras tem uma personalidade emprestada de Edmundo. Como ele, o time é emotivo. Se está bem grita “eu sou foda”, é quase arrogante e se dá ao luxo de perder gols e enfeitar. Se está mal, entra em parafuso. Ataca com afobação, esquece o combinado, se torna impaciente. E, quando perde, se entristece, se torna amargo ou melancólico.
Infelizmente, essa personalidade parece ter contaminado até mesmo o Caio Jr.
Ontem, era para nos classificarmos. Mas, enquanto não tivermos mais confiança em nós mesmos e pararmos de ouvir quem não se importa em nos prejudicar, não vai dar.
Edmundo é um craque amado e odiado nas mesmas proporções, tão inestável e imprevisível como o futebol ou a vida mesma. Até por isso (e pelo inquestionável talento), é um ídolo. Mas não é maior que o Palmeiras (nada nem ninguém é). Sou a favor de que o Edmundo continue, mas precisamos de ídolos e craques a altura para que ele não seja o dono do time. E, realmente, a afobação foi nossa maior inimiga em dois segundos tempos que poderiam ter sido - e acabaram não sendo - nossos.
Pois é Sergio…
O Edmundo é um enigma. Parece conseguir despertar na torcida e no time uma emotiva instabilidade, uma ciclotimia que acaba transformando a campanha do Palmeiras numa montanha-russa sem fim.
Eu, sinceramente, não consigo medir de um jeito ponderado o quanto o time ganha ou perde em sua ausência/presença.
Só sei que ele é gênio.
E que ficamos felizes com sua participação, sim senhor. Apareça sempre, a casa é sua. Abraço!