O importante é o dito em campo
Mai 23rd, 2007 by Tiago Soares
A Folha de São Paulo, aquela do Painel FC, publicou hoje uma matéria-aperitivo sobre o clássico entre Palmeiras e São Paulo. A pegada é a que vem dando o tom da crônica esportiva ao longo da semana, sobre o Palmeiras estar em ascensão e o São Paulo, na descendente.
Agora, saca a manchete (apenas para assinantes):
Destreinado, Palmeiras perde o tom da ironia
Acostumada a ver o São Paulo favorito, equipe evita criar polêmicas com o rival
Time não tripudia sobre a má fase dos são-paulinos, que não negam que vivem pior momento que o do adversário de domingo
Mas que raios isso tem a ver? Eles tão cobrando que o Edmundo diga alguma gracinha? Até as maçanetas do Palestra Itália sabem que piadinhas infames sobre times que andam na draga só servem pra dar motivação pro rival.
E que papo é esse de que a equipe palmeirense é “acostumada a ver o São Paulo favorito”? Como assim, o time não tripudia sobre rivais por ser vira-latas? Por não ter méritos, por não saber tirar onda?
Publicar esse tipo de coisa é querer botar lenha numa fogueira que não tem qualquer razão de existir. O Palmeiras está na dele, sabe que o time está crescendo, e não vê motivo para estimular o rival com provocações. Já a equipe do Jardim Leonor está ciente de seus problemas, e pronto.
O que um time tiver de dizer ao outro vai ser dito no campo. E é isso que importa.
No programa Golaço (Rede Mulher) desta quarta-feira, comandado pelo Milton Neves, foi mostrada uma matéria sobre cobranças de penalidades que os árbitros mandaram voltar.
Uma das penalidades exibidas foi a de uma partida entre Santos x São Paulo, onde o Rogério faz uma defesa quase na linha da pequena área.
O árbitro Cléber Wellington Abade, acertadamente, manda voltar a cobrança feita pelo Diego. O goleiro reclama ostensivamente e agride o árbitro com um forte empurrão, não sendo advertido.
Essa reportagem, sobre volta de penalidades, gerou diversos comentários dos jornalistas presentes, mas nenhum deles sobre a reclamação/agressão.
Fica a pergunta, por que jornalistas não comentam fatos que as imagens registram com evidência? Por que alguns times e alguns jogadores são preservados pela mídia e podem fazer o que querem em campo?
O fato mostrado aconteceu há alguns anos, mas situações como essa continuam ocorrendo, com os mesmos personagens e a com mesma conduta da imprensa.
Entao, minha opiniao sobre isso é clara:
ELES QUEREM FAZER DE TUDO PRA MOTIVAR O TIME DO JD LEONOR PRA ESSE CLASSICO!
só que nao esta funcionando muito…
e destreinado porra nenhuma, pq quem ficou sem ganhar da gente durante 25 anos em brasileirao foram eles!
Opa!
Marco, verdade — essa coisa de “análise seletiva” é complicada… Parece que a força do consenso criado sobre alguns times ou atletas às vezes é tão forte que parte da imprensa simplesmente se nega a observar qualquer fato que não ratifique o que desejam dizer.
Exato Raul. O São Paulo é freguês histórico do Palmeiras no Brasileirão. Por que ignorar isso tão na cara dura?…
Grande abraço!
Só ressaltando: eles ficaram 27 anos (!!!) sem ganhar da gente em Brasileiros (1973-2000). Sobre o post, sempre achei complicado provocar o rival porque isso só serve pra lhe dar estímulo, como já foi escrito. Não gostava disso nem quando julgava o Palmeiras favorito, imagina agora que o equilíbrio é tão grande. As declarações dos jogadores de ambas equipes foram acertadíssimas e apesar do esforço de meios como a Folha e a GE, nada demais foi dito e provavelmente não será, a menos que haja uma “interpretação” como a que foi feita para as declarações do Michael (”ironiza” em vez de “minimiza”). Enfim…
Em tempo: realmente o que um time tem a dizer ao outro será dito em campo e espero (muito) que o juiz não tenha nada a dizer, e se dedique apenas a apitar com lisura e correção, como deve ser.
Eu me lembro que, em 1993, quando metemos 4 x 0 nos Gambás naquela histórica final do Paulistão, o ‘Jornal da Tarde’ publicou um texto com a seguinte ironia:
“Desacostumados a vencer campeonatos, os jogadores do Palmeiras comemoraram de maneira tímida e desajeitada a conquista do Campeonato Paulista. Atletas mais acostumados com títulos, como Antônio Carlos, Mazinho e Zinho, comandaram os festejos dentro de campo”.
Na época, como era mais jovem e tinha a cabeça mais fraca, não notava a má-vontade institucionalizada que a Imprensinha tem com o Campeão do Século. Mesmo assim, eu pensei: “Caramba, que besteira. Para se extravasar alegria por acaso é necessário ter algum treinamento?” É incrível ver passar 14 anos e notar que nada mudou, e os comentários imbecis persistem, redigidos pelos idiotas de costume. Por essas e outras, eu iniciei um boicote pessoal e permanente aos órgãos de impensa esportiva, e optei pela segmentação: só leio sites e blogs Palmeirenses. Nesses veículos, pelo menos, eu sei que não há intenção de prejudicar o meu querido time.
A função desse site é excepcional na crítica construtiva a essa imprensa sórdida e parcial. Não queiram entender o que escrevem. É de propósito. O Palmeiras, mesmo em baixa nos últimos anos, incomoda. E muito.
Olha, Jean Carlos, estou quase seguindo a sua linha e aderindo ao boicote, pois, ao invés de ficar informado, você fica desinformado. Se um marciano chegasse agora à Terra, ele pensaria que o Palmeiras tem total obrigação de vencer o Sâo Paulo, que, por sua vez, se vencer o Palmeiras, vai se reabilitar e provar que não possui defeitos e que é infinitamente superior. Além disso, concluiria que o Brasileiro já está decidido, pois o time dos gambás é o melhor do Brasil, eles tem um time renovado, “taticamente perfeito”(palavras de PVC) e revelações que estarão na selelão em breve.
Julio, pessoalmente falando, posso afirmar com certeza que o boicote irrestrito à imprensa esportiva só me fez bem. Deixei de me aborrecer enormemente após adotar esta atitude. É radical? Talvez. Mas não aguentava mais ligar o rádio na Bandeirantes ou na Jovem Pan e ouvir bobagens. Pagar (caro) pelo jornaleco ‘Lance’ ou pela ‘Placar’ ou acessar sites e me irritar com a notícia distorcida de fatos, ou a pura e simples invenção de problemas e crises que não existiam. Mesmo quando tem transmissão de algum jogo do Palmeiras, eu assisto com o som no “mudo” - assim não me irrito com os idiotas Casagrande, Neto, Marcelinho, PVC, Mauro Betting, etc.
Jean,
faço o mesmo há anos. Precisamos divulgar isso ao Finelli, novo assessor de imprensa. Ele precisa de alguma forma levar à imprensa que temos um movimento de boicote a quem é parcial, que estamos de olho na “imprensa marrom”.
Abraços!
Concordo, Rodrigo. Creio que se a Imprensinha não nos respeita como torcedores, terão que nos respeitar como consumidores. Um site tem seu valor comercial medido pela quantidade de acessos, um jornal ou revista pelo número de exemplares vendidos, uma emissora de TV ou rádio pela audiência alcançada. Se souberem que há um boicote massivo por parte da torcida Palmeirense, ao menos vão tentar ser menos parciais e mais honestos - quero dizer, eu acho. O sentimento anti-Palmeiras é tão arraigado na Imprensa que acho difícil que mudem a postura. Mas vale tentar.
Na capa do UOL agora está uma manchete “Edmundo ‘humilha’ atacantes do SPFC”, só pra dizer que ele tem mais gols no ano…
falei isso num topico acima, claudio…absurdo essa manchete!