Aviso aos desavisados
nov 12th, 2007 by Rafael Evangelista
Neste final de semana não teve alviverde de Palestra Itália, só uns amarelões de Goiânia e Caxias (foi duro de aguentar as hipérboles para o goleiro da Marginal Sem Número: Fernando Vanucci falando em São Felipe; Luciano do Valle delirando ao classificar a defesa do pênalti de histórica).
Mas, aproveitando, faço um semi off-topic. Quero transcrever trechos de um livro que estou lendo e que ajudam a esclarecer um pouco a filosofia deste OV (este post é uma espécie de Não coma gato por lebre II).
Bem, o livro é Envisioning Power, de Eric Wolf. Nele, o autor, um antropólogo, fala sobre como o poder foi um assunto deixado de lado pelos estudos antropológicos; e aproveita para falar sobre usos do termo ideologia.
O livro está em inglês, então desculpem minha tradução de pé quebrado. Wolf está falando de Antonio Gramsci, marxista, jornalista e cientista político que perdeu sua vida na prisão, vítima do fascismo.
Gramsci combinou Marx e o neo-Kantismo de uma maneira diferente, desenvolvendo uma abordagem para entender como as idéias são geradas e distribuídas dentro de um campo de força.
(…)
Gramsci criticou [Benedetto] Croce por seu idealismo, mas buscou traduzir seu conceito de “momentos de consentimento ético-morais” para termos marxistas. Fez isso por meio do conceito de “hegemonia”, em que argumenta que a influência e dominação de classe não existe meramente no sistema político formal e no aparato de coerção operado pelo Estado mas espalha-se para além do Estado e da política, na vida social e nos arranjos culturais da vida cotidiana. “Vencer a hegemonia, na visão de Gramsci,” escreve Terry Eagleton, “é estabelecer liderança moral, política e intelectual na vida social, ao difundir uma específica visão de mundo pelo tecido da sociedade como um todo, então equivalendo os interesses específicos com os interesses da sociedade como um todo”.
O conceito de hegemonia tem raízes políticas. Inicialmente usado por Lênin para referir-se à dominação política, foi elaborado por Gramsci para sugerir que nas sociedades capitalistas ocidentais - (…) - o poder político pode ser ganho por meio da construção de um consenso predominante em lugar de por meio de violência revolucionária. (…) O balanço entre hegemonia e contra-hegemonia estaria sempre em fluxo. Então, a hegemonia era vista não como uma relação fixa, mas como um processo contínuo de contestação.
Calma, meus caros, o assunto aqui é futebol e mídia, não política partidária. Para entender a analogia, pensemos como idéias hegemônicas certos mantras propagados pela imprensinha: “Jardim Leonor é time moderno e arrojado”; “Marginal Sem Número é o time da raça, da superação e do povão”; “O time do Palmeiras é limitado e decadente”; “Os juízes erram igualmente para todos”; “São Felipe”; “Jornalistas são imparciais e não são tomados por paixões clubísticas”. É contra isso que a mídia palestrina tem batido, inclusive este OV: contra as idéias prontas que são repetidas por veículos de comunicação poderosos e que se estabelecem como verdades absolutas. E fazemos o possível para fortalecer nossa contra-hegemonia, a partir de fatos para os quais os outros fecham os olhos: Valdívia é craque; Pierre é seleção; a torcida do Palmeiras é a mais presente, nos momentos bons e ruins; e por aí vai…
AINDA BEM QUE SOU SEU AMIGO E DO TIAGO TBM, CARO RAFAEL…NAO GOSTARIA DE ESTAR NUM DEBATE CONTRA VCS!!AHAHAHAHAHAH
Gostaria de fugir do tópico apenas para dizer que saiu a nossa tabela no Campeonato Paulista:
16/1 - Sertãozinho (casa)
20/1 - Santos (fora)
23/1 - Marília (fora)
27/1 - Mirassol (casa)
30/1 - Ituano (casa)
2/2 - Noroeste (fora)
6/2 - Guaratinguetá (casa)
10/2 - Guarani (casa)
17/2 - Juventus (”fora”)
20/2 - Rio Claro (fora)
24/2 - Rio Preto (casa)
2/3 - Gambás (La Bambinera)
9/3 - Bragantino (fora)
12/3 - Ponte Preta (casa)
16/3 - Bambis (”casa”)
23/3 - Paulista (fora)
26/3 - Portuguesa (casa)
30/3 - São Caetano (casa)
6/4 - Barueri (fora)
Excelente texto Rafael.
O trecho “o poder político pode ser ganho por meio da construção de um consenso predominante em lugar de por meio de violência revolucionária” ilustra muito bem a situação do jornalismo esportivo paulista e a forma de .
Fim de semana futebolístico impressionante…
Impressionante como os 20 e poucos mil espectadores do “elefante branco” ontem comprovam como a torcida bambi é mesmo “da moda”.
Impressionante a incompetência do Goiás.
Impressionante, e revoltante, a alegria/alívio de Nilson César, Cleber Machado, Luciano do Valle e Cia com mais esta “goleada” dos sem-estádio.
Impressionante como nada disso não nos surpreende.
Grande Abrax,
FC
Excelente texto Rafael.
O trecho “o poder político pode ser ganho por meio da construção de um consenso predominante em lugar de por meio de violência revolucionária” ilustra muito bem a situação do jornalismo esportivo paulista.
Fim de semana futebolístico impressionante…
Impressionante como os 20 e poucos mil espectadores do “elefante branco” ontem comprovam como a torcida bambi é mesmo “da moda”.
Impressionante a incompetência do Goiás.
Impressionante, e revoltante, a alegria/alívio de Nilson César, Cleber Machado, Luciano do Valle e Cia com mais esta “goleada” dos sem-estádio.
Impressionante como nada disso não nos surpreende.
Grande Abrax,
FC
Valdívia é craque; Pierre é seleção; a torcida do Palmeiras é a mais presente, nos momentos bons e ruins; e por aí vai…
pegando esse trecho do seu texto que faço um breve comentario.
É necessidade do Palmeiras ter cadeiras cativas nos dois lados do seu estadio?
Será que esse publico de poder aquisitivo diferenciado frequentará o estadio qdo o time estiver mal na tabela?
Porque nunca é feito um projeto que beneficie o “pobre” torcedor do Palmeiras?
É fato que nas horas ruins o “povão” da numerada desaparece do estadio ficando somente quem pula no cimento cru…….
É isso ai…e nós palmeirenses devemos dar cada vez mais atenção a midia palestrina e esquecer as imprenssinha..Da-lhe Verdão!!
FORMAÇÃO DE MENTALIDADES
Qual o interesse, dentro do futebol, que pode existir por trás de uma formação de mentalidade?
Qual o resultado prático que se consegue fixando a idéia sobre a limitação de um time?
Há muito tempo, notamos uma grande parte da imprensa repetir, a todo instante, que os times do Palmeiras são fracos, são limitados, que entram nas competições apenas para participar e não para ganhar.
Falam isso desde o início da temporada, não importando quem são os jogadores que façam parte do elenco. Atletas que são respeitados em outras agremiações passam a ser limitados pelo simples fato de vestirem a camisa do Palmeiras.
Os comentários são sempre genéricos, nunca analisando ponto a ponto.
Nesse atual elenco, os exemplos são numerosos.
O time limitado tem os goleiros Marcos e Diego. O lateral direito, contratado junto ao São Caetano foi escolhido para a seleção do Paulistão. Dininho era sempre cotado para a seleção. Leandro e Martinez eram destaques quando atuavam pelo Cruzeiro. Edmundo tem um histórico enorme no futebol. Valdívia dispensa comentários. Pierre e Gustavo calaram a boca de muita gente. Makelelê e Caio se tornaram grandes revelações. Enfim, vários nomes podem ser destacados, mas para a imprensa, o time será sempre limitado.
Não se trata de elogiar os jogadores, mas de verificar que, com relação ao Palmeiras, só analisam os defeitos e se esquecem as qualidades.
O grande problema é que esse trabalho encontra eco dentro da coletividade palmeirense. Torcedores amendoins e “hardys” são o campo perfeito para esse trabalho crescer. Geralmente, todas as análises feitas por esses torcedores e por essa imprensa citam apenas os defeitos do Palmeiras e as qualidades dos concorrentes. Um verdadeiro mundo de ficção, como se defeitos fossem exclusividade do time do Palestra Itália.
A mentalidade se forma e com ela vem o negativismo, a crítica pelo simples prazer da critica, o pessimismo e o sentimento de que nunca o resultado positivo virá. Nos jogos decisivos surge sempre o medo de perder, como se todos no Palmeiras atraíssem a derrota.
Quem forma e forja opiniões sabe muito bem explorar essa “inocência” de uma parte da torcida palmeirense. Basta que o time se fortaleça, para que uma série de situações sejam criadas, no sentido de voltar o pessimismo e a falta de confiança.
Os jogadores e treinadores que são contratados acabam chegando ao clube sem a convicção necessária, influenciados pela mentalidade criada em torno do Palmeiras.
Notamos que é comum atletas e jogadores do nosso time se envolverem nos comentários maliciosos da imprensa, citando CONCORRENTES como referência. Eu não me lembro de ter visto, algum dia, um diretor ou mesmo um funcionário da Pepsi elogiar, publicamente, a Coca-Cola e tomá-la como referência, ou vice-versa.
No Palmeiras, é comum jogadores e treinadores bajularem o trabalho, a estrutura de outros clubes, sendo que muitos deles têm mais “marketing” do que realidade. Falta malícia para muita gente, mas falta também senso de observação e avaliação sobre essa implantação de mentalidade feita contra o clube.
Outra questão fundamental é a das arbitragens.
Estando consolidada a idéia que o time é fraco e limitado, qualquer erro de interpretação dos árbitros ficará imune às criticas. Sempre irá parecer que é desculpa de perdedor, reclamação de torcedor. Dessa forma, as arbitragens não serão pressionadas, caso errem contra o Palmeiras.
Lembro a todos que o fraco e limitado Palmeiras foi eliminado de duas libertadores (2005 e 2006), em razão de erros graves de arbitragem. Erros que foram completamente ignorados pela imprensa esportiva.
Também no Paulistão 2007 e no segundo turno do Brasileiro de 2007, o Palmeiras teve o resultado tirado por erros de arbitragem, contra a mesma equipe rotulada como “melhor do Brasil, disparada”. Isso sem contar com a caça ao jogador Valdívia, responsável pela saída dele, da partida do segundo turno. Mais uma vez, nada de anormal na repercussão na impressa.
( Não eram tão melhores contra o limitado Palmeiras, por que não golearam em todos esses jogos? Precisaram contar com a sorte dos erros de interpretação?)
O clima já estava pronto, então, como, o limitado Palmeiras poderia estar reclamando por ter perdido para o melhor time do país?????
Por outro lado, quando toda a opinião pública já está conscientizada de que existe um time muito superior a todos os outros e que esse time já é apontado como campeão, desde as primeiras rodadas da competição, ninguém irá questionar quando essa equipe for favorecida pelas interpretações de arbitragens, mesmo que esses erros sejam sucessivos, decidam jogos na fase mais importante e determinem uma liderança que, após consolidada, não poderá mais ser alcançada. Qualquer reclamação contra isso será vista como desculpa e a pontuação obtida ao final da disputa irá apagar tudo o que aconteceu no caminho.
A tranqüilidade para jogar e o clima favorável proporciona o rendimento em campo e a confiança para toda a competição. Tudo isso a partir de uma idéia muito bem trabalhada e fixada junto ao público.
Rafael, permita-me mais um exemplo das idéias hegemônicas e prontas da mídia, que determinam a mesma cobertura e o mesmo enfoque para os assuntos.
Ouvi, hoje, na Rádio Eldorado, que o Rogério Ceni disse que recebeu uma proposta do exterior no meio do campeonato, parece que do Japão, mas resolveu recusar a oferta, preferiu continuar no SPFW.
Assim que ouvi, pensei: “Será que apuraram se a tal a proposta não veio, novamente, por meio de um fax suspeito?”.
Maldade minha?
Não. Há algo no passado do goleiro que remete àquela pergunta e oferece o chamado ‘gancho’ jornalístico para juntá-lo ao fato presente.
O jornalista não deve sonegar a informação ao ouvinte/leitor de que o goleiro, em 2001, apresentou ao São Paulo uma suposta proposta do Arsenal, da Inglaterra, e ficou afastado do clube por um mês, que não engoliu a história do suposto interesse — turo teria sido forjado para forçar um aumento de salário.
A apresentação de uma nova proposta, feita pelo atleta, permite a comparação, até para saber se ele mudou de comportamento.
Porém, há na imprensa a idéia hegemônica de que esse FATO deve ser apagado da biografia do Ceni e não se fala mais nisso.
Tal qual se fazia na antiga União Soviética, reescreve-se a história e pronto.
Quem quiser revolver esse passado nada abonador do queridinho da mídia leva um processo nas costas, como o que está sofrendo Milly Lacombe, que ousou ir contra a corrente dos colegas jornalistas e questionar a idéia pronta da de que o goleiro de hóquei é um exemplo de profissional e o melhor goleiro do mundo.
Repito um comentário que fiz no post “o Palmeiras ainda é um time paulista?”, no final de setembro, com algumas modificações:
——————
A imprensa esportiva tem telhado de vidro. E a imprensa, me parece sempre um barco à deriva, indo pra onde o mar de interesses levar.
E em bloco!
É nesse ponto que eu quero chegar.
É muito fácil ser da imprensa. Note que o comentário de todos os profissionais é o mesmo sobre todos os assuntos… “SP é estruturado, não há complô da arbitragem, as câmeras atrapalham os árbitos, a arbitragem tem de se profissionalizar, kerlon é coitado/coelho é bandido, cartolas são corruptos, fantasma do palestra, fiel torcida nunca pára de cantar, todos querem jogar no SP pq é uma vitrine, Grêmio é imortal, Corinthians e Palmeiras estão nivelados (em relação à diretoria e time), é sempre difícil ganhar do Inter lá, Cuca é derrotado, Marcos está incomodado na reserva, tem coisas que só acontecem com o Botafogo, Rogério Ceni é inteligente e isso incomoda, a IMPRENSA É IMPARCIAL!” Parece que existe uma espécie de “cartilha pra entrar na turma”.
Vejam que todas essas frases entre muitas outras já viraram chavões na imprensa. E notem tb que todas esses chavões beneficiam a certas equipes. Poucos jornalistas têm a coragem de sair dessa zona de conforto e discordar de qualquer uma dessas posições. Creio que já é implícito na classe. Tenho pra mim que, quem discordar disso se sentirá ridicularizado no ambiente de trabalho.
Muitas vezes pessoas como o Cereto, por exemplo, apenas, “nadam com a maré” e seguem a posição da maioria, simplesmente por medo de sair da zona de conforto e não querer tomar uma posição diferente. E a imprensa esportiva é formada de 90% de “Ceretos”! Comecei a pensar que muitas vezes nem é por mal… É incompetência mesmo, medo de errar e ser ridicularizado no meio!! Não vou ousar, vou ficar no arroz com feijão para manter meu empreguinho. Falta de coragem, competência ou ambição? Aí surgem “novos” termos para justificar tal posição como a chamada teoria da conspiração, as famigeradas paixões clubísticas, o não leve tão a sério o futebol, o time é ruim para a história da instituição e o time é limitado!
Para mim, a inércia da imprensa em relação a certos assuntos vem daí. Desse medo de criticar alguém que possa, por ventura, jogar pedra em seu telhado de vidro. Não digo em relação à descoberta de teorias conspiratórias, lobbys, favorecimentos a certas instituições, ou algo do tipo, mas sim em relação à incompetência que nesses últimos tempos tem sido escondida com frases do tipo “minha consciência está tranquila”.
——————-
Quase 2 meses depois e tudo continua igual, não??
Rafael,
Ótimo paralelo.
Esses trechos evidenciam que o comportamento e tratamento da mídia esportiva é apenas reflexo de um universo maior.
De forma maquinada ou inconsciente, a polarização é um caminho cômodo. Quando uma “Terceira Via” incomoda, o que é inconsciente passa a ser maquinado. E isso nós observamos claramente quando o assunto é a polarização cômoda Corínthinas (populismo) – São Paulo (imagem e máquina orquestrada) e o incômodo Palmeiras.
Infelizmente o grande responsável disso é o próprio Palmeiras que se perdeu no tempo e deixou um terceiro crescer a sua sombra. Mesquinharias, na má formação moral, péssima visão de mundo são algumas características que nos levaram a esse ponto e que devem ser combatidas internamente.
Para destacar o lado positivo, digo que essa consciência está ganhando força no mundo Palmeirense.
Apenas para dar mais um breve exemplo de uma “maquinada” subliminar do vizinho de muro de muro temos uma reportagem na Veja SP desta semana.
Gostaria da análise de vocês se nesse ponto estou exagerando em relação ao spfw.
A revista trás matéria sobre os 10 maiores clubes de São Paulo, seus atrativos e pontos fortes.
Entre esses clubes estão Palmeiras, spfw e a máfia russa.
Os detaques, COM FOTO, na reportagem são:
No Palmeiras é a patinação e alguns bares em construção.
Na máfia é o parque aquático.
E agora vem o pior, o destaque do spfw é o FUTEBOL. O futebol para escolinha da garotada e os campeonatos internos.
Pois é, nosso clube é colocado em evidência na matéria, FOTO, por um esporte que até tem tradição, mas não somos nós, enquanto que o vizinho de muro é destacado pelo FUTEBOL.
No meu modo de ver é marketagem barata. O que vocês acham?
Amigos,
Vou ajudar nas máximas da imprensinha: “O SPFW ama a Libertadores”. Certamente a maior falácia de toda a história da crônica esportiva.
Por que inventaram tal asneira? Porque não enchem estádio nunca, exceto nessas ocasiões. O que seria um enorme defeito tornou-se qualidade. Se eles “amam” a Libertadores, logo, os outros não o fazem. Será?
Será que o Serra Dourada ficou às moscas para Goiás x Estudiantes? Será que o Jaime Cintra ficou vazio para Paulista x River Plate? Não. Formaram-se enormes filas em busca de um ingresso, para um jogo de primeira fase.
Portanto, são-paulinos gostam tanto da Libertadores quanto goianos e jundiaienses.
Abraços,
LULA.SP
Rafael,
há um aspecto profundo que lhe escapou: o Gramsci teorizou o que a turma bolchevique e os fascistas - é, regimes totalitários são bem parecidos entre si - e o que o George Orwell chamava, no 1984, de novilíngua.
Em “1984″, para manter a propaganda - vamos dizer assim - o regime totalitário do “Grande Irmão” associava palabras com ações que eram justamente o seu contrário. O valor simbólico positivo da palavra era associado com algo horripilante. Por exemplo: no livro, o Ministério do Amor era o que tortura os indivíduos; o Ministério da Verdade era o que falseava os documentos históricos; e assim por diante.
O Gramsci inspirou a esquerda no mundo inteiro a fazer isso. O exemplo mais besta é o da “Crítica”. Todo mundo associa “Crítica” a apontar os erros; à pessoa ou veículo que, ex machina, é capaz de apontar os erros dos estudos que se fizeram até então. Fala-se em “Crítica de teatro”, “crítica de arte” como alguém que opina. “Criticar alguém” é lhe atribuir valorações negativas.
Porém, em ciências sociais, todas as vezes que o título trouxer “crítico” significa marxista. Entende? A “sociologia crítica” usa metodologia marxista, a “história crítica” também, bem como a “criminologia crítica”.
Como isto aqui é futebol, eu lhe mostro como pegar jornalista no pulo com isso.
Você se lembra quando o Valdivia foi contratado? A mídia torceu o nariz. Victor Birner, sempre ele, saiu-se com esta: “Ora, você não acha que se o jogador tivesse realmente talento algum clube europeu não o teria contratado antes?”
Agora, imagine se o São Paulo o tivesse contratado. Como se trata dos supersônicos, seria aposta; como se trata do Palmeirense, haveria loucura ou incompetência.
A valoração ao ato se dá de forma subjetivo, por quem faz, não por o que faz. Se o São Paulo fez, é bom; se o Palmeiras fez, é ruim. Não importa o resultado. Não importa a análise objetiva do que aconteceu. Importa é o agente: São Paulo=bom, Palmeiras=ruim.
Essa turma têm consciência que o ato tem história? Claro que não - jornalismo esportivo é a escória do jornalismo, que deve ser a escória das ciências sociais. Mas aprende intuitivamente que funciona.
Que absurdo o que esse tal de Marcos Ribeiro falou. Jornalismo é a escória das ciências sociais. Sou jornalista aqui no interior de SP e me senti ofendido. Vc não deve conhecer nada de teorias do jornalismo e se o mercado desvirtura todo esse arcabouço teórico a culpa não é da profissão. Absurdo, rapaz! Grandes trabalhos jornalísticos fizeram história para a humanidade (livros como “A luta”, do Norman Mailer, só para citar um). Vc não tem o direito de dizer que o jornalismo é a escória das ciências sociais…
Marcos, eu não colocaria nas costas de Gramsci a invenção da novilíngua. Há uma diferença entre trabalhar a contra-hegemonia, a construção de um consenso alternativo ao poder dominante, e manter uma posição de poder por meio de propaganda. No segundo caso, a paz pela “guerra ao terror” do gov. Bush é um exemplo melhor e recente.
Sobre o uso da palavra crítica já ouvi antes esse diagnóstico. Mas acho que ele vale para estudos dos anos 70. Hoje, crítica não está mais necessariamente ligada a estudos marxistas.
Quanto ao seu exemplo sobre o Valdívia, concordo plenamente.
Caro Rafael,
Antes de tudo, devo dizer que o seu post me fez pensar. Não só devido ao tema, certeiro como sempre: a observação do quanto as idéias pré-estabelecidas normalmente são falsas, e transmitem uma informação desconectada dos fatos.
O que me fez matutar foi o exemplo por você citado: uma análise das idéias do idéologo italiano Antonio Gramsci.
Coincidências não existem: o que existe é ação e reação, causa e efeito. Portanto, não foi mera coincidência a citação direta ao pensador marxista neste artigo, após um rápido comentário sobre Olavo de Carvalho, um anti-Gramsciano, nos posts 71, 74, 75 e 87 do artigo anterior, “O Boato e sua anatomia” (http://www.observatorioverde.net/2007/11/07/o-boato-e-sua-anatomia/).
Relembrando:
Jean, Post 71:
“(…) Hoje, na análise política, um dos poucos caras a ter ‘colhões’ é o Olavo de Carvalho. Não consigo identificar ninguém com as mesmas características de independência nas transmissões esportivas ou resenhas culturais, por exemplo, na grande mídia. Mas quase todos dizem que o bufão e marajá dos tempos da Ancine, Arnaldo Jabor, é que é o ‘bão’.”
[ERRATA MINHA: AO INVÉS DE ANCINE, LEIA-SE EMBRAFILME]
Esmeraldino, Post 74:
“(…) Sobre o Olavo de Carvalho.
Embora ele veja comunistas em toda a parte, com o que não concordo, ele tem razão em muita coisa. Fala muito e com justa razão no filósofo italiano Antonio Gramscy que balisa as ações do PT e de todos os partidos de esquerda no país.
As suas explicações de como as esquerdas estão dominando o mundo são pertinentes e mereciam um estudo mais acurado. Mas, aqui, o tema é Palmeiras…
Concordo com você que o homem é preparado, é fera…
Ele vem muito aqui para palestras no clube dos oficiais a convite do Grupo Inconfidência.
Já entrevistei duas vezes Olavo de Carvalho em programas de rádio ao vivo, de uma hora de duração e sei calcular o quanto o homem conhece de política e do mundo atual.”
[JÁ AQUI, ESMERALDINO ENCERRA A CONVERSA SOBRE POLÍTICA - QUE REALMENTE NÃO HAVIA PORQUE SE ESTENDER MAIS: "Mas, aqui, o tema é Palmeiras..."]
Rafael, Post 75:
“(…) Vão por mim gente, Olavo de Carvalho é um dos maiores picaretas que já vi na vida, mestre do ilusionismo intelectual. Sr. das citações esdrúxulas.
E digo isso não porque sou esquerdinha não, é porque o sujeito é enganador mesmo, só vale como piada sobre o quão ridículo é o anti-comunismo.
Mas o assunto aqui é Palmeiras, então mudemos de assunto.”
[APESAR DE EDUCADO, O COMENTÁRIO É DEFINITIVO; O JORNALISTA POR MIM CITADO É "um dos maiores picaretas que já vi na vida, mestre do ilusionismo intelectual, sr. das citações esdrúxulas", E O ANTICOMUNISMO É "RIDÍCULO"]
Passa-se o fim-de-semana, no qual não acessei a internet, e, na 2º, ao ver o comentário, posto a constrangida réplica…
Jean, Post 87:
“(…) Respeito sua opinião, embora discorde totalmente dela. A ‘picaretagem’ passa longe, e muito, do cara. Desculpe, mas o dia que um esquerdista gostar do Olavo de Carvalho, vai ser um dos sinais que anunciam o Juízo Final.
Mas como disse o Esmeraldino e você reiterou, o assunto aqui é Palmeiras.”
A minha réplica, como se nota, foi diplomática e, reitero, constrangida, pelos seguintes motivos:
Primeiro, achei por bem retrucar devido ao fato de realmente considerar o OC um analista político extremamente competente; e, ideológicamente, sou conservador de direita, e, por consequência, tenho uma visão anti-comunista, assim como um esquerdista inescapávelmente é anti-conservador e anti-direita. Não considero minha posição “ridícula” ou coisa que o valha; ao contrário, considero estranho o fato de na América Latina, os comunistas se referirem aos direitistas como, na melhor das hipóteses, figuras folclóricas ou alienadas; essa atitude ou é baseada na desinformação (tipo, para alguns, direita=fascismo - o que é uma dedução aberrante), ou na ma-fé pura e simples;
Segundo, embora a citação a Olavo de Carvalho tenha partido de mim, não tinha a menor intenção de discutir ideologia política em um fórum Palmeirense. Estava doido para encerrar o assunto (e voltar à divertida atividade de descer a ripa nos gambás e bambis), mesmo que me desculpando sabe-se lá pelo quê (no fim, olha só o que deu).
Já que o assunto deve ser realmente discutido, tenho a seguinte objeção a fazer: no último parágrafo do texto que você transcreveu (”O balanço entre hegemonia e contra-hegemonia estaria sempre em fluxo. Então, a hegemonia era vista não como uma relação fixa, mas como um processo contínuo de contestação”) considero essa idéia uma meia-verdade. Após a conquista da hegemonia (ou predominância)do pensamento cultural pelo comunismo, que, por consequência, se estenderia até a classe política governante, quem garante que vozes dissonantes seriam ouvidas e/ou respeitadas, o que garantiria o tal “processo contínuo de contestação”? Isso não ocorreu em nenhum governo comunista até hoje (basta citar como exemplo, para não fugir mais ainda do futebol, a contundente cena do jogador polonês fazendo o sinal da cruz no jogo Brasil x Polônia na Copa de 1970, uma eloquente e silenciosa forma de protesto pela falta de liberdade religiosa em seu país natal).
Porque aconteceria agora, ou no futuro?
Um abraço!
Jean Carlos,
parabéns pelo texto.
O jogador foi o Petras, depois de marcar o primeiro gol do jogo entre Thecoslovaquia e Brasil.
Uma manifestação bem inteligente da parte dele.
O mais importante em todas as manifestações sobre esse assunto, desde o texto inicial do Rafael, foi a fundamentação e, de certa forma, uma explicação técnica para uma situação prática que envolve o Palmeiras, nosso foco nesse espaço.
Apesar de posições políticas contrárias, entre alguns participantes, todos acabaram atingindo o objetivo de analisar, com propriedade, os problemas criados para o Palmeiras por essas idéias pré-concebidas.
Apesar de não ter sido o assunto com um grande número de participações (pelo menos até o momento), creio que tenha sido o mais significativo.
Um debate como esse pode ajudar aos mais desavisados a entender o motivo de certos comportamentos existentes na imprensa esportiva.
Quem sabe, com o tempo, uma grande parcela da torcida do Palmeiras possa deixar de ser “caixa de ressonância”.
Marco,
O que a minha memória tem de péssima, a sua tem de privilegiada!
Eram tantos países do leste europeu assolados pelo comunismo, que só podia me confundir, mesmo em um episódio famoso desses…
Valeu pela retificação!
Mesma pessoa?
http://img139.imageshack.us/my.php?image=bambirk7.jpg
Tibé, interessante, tudo a ver.
Tibé, interessantíssimo eu diria!! Parabéns pelo achado!!
Sensacional. Acho que essa “coindicência” deveria ser melhor apurada e, se possível, comentada em um próximo post.
Ops. Coincidência…
He he, também achei bastante “suspeito”…
Ah, e não fui quem descobriu, foi o Emerson Carriero (acho que ele comenta aqui de vez em quando). Eu só fiz a montagem.
Marco (Post 18),
Na verdade, infelizmente boa parte da torcida pode ser considerada uma “caixa de ressonância”.
Por comodismo ou falta de acesso à internet, muitos não tem acesso à mídia Palestrina, que é contestadora e apuradora dos fatos por excelência, e serve de contraponto às bobagens e mentiras propagadas pela Imprençinha “mainstream”.
O pior é que, além de se deixar levar pelo que é dito na Imprençinha, ainda creem piamente nas auto-imagens de idôneos, corretos e imparciais que alguns “jornaleiristas” criaram para si (Juca Ki-Furo é um “moralizador do futebol”; Flávio Prado é “contundente”; Milton Neves se diz não santista, mas “jornalismo futebol clube”; e por aí vai).
Aí, o que ocorre: como os sujeitos, na cabeça dos Palmeirenses desavisados, são exemplos de isenção e credibilidade, tudo o que é dito por eles (ou nos programas de TV ou rádio dos quais eles participam - aí a auto-imagem de um é passada para outro, e se estende até para um cara como Chico Lang, pois, para o telespectador, um jornalista honesto não estaria no mesmo programa de um desonesto) é verdade pura e consagrada.
Resumindo: como o agente não é questionado, a mentira emitida por ele também não é.
É complicado…
Um abraço!
Jean Carlos,
Sobre coincidências: no final de semana eu realmente estava lendo o livro citado, não busquei por nenhuma citação de Gramsci. Mas, ao me deparar com o trecho, percebi que ele iluminava parte do trabalho que fazemos aqui e que a mídia palestrina tem feito de maneira geral. Por isso achei por bem citar, e acho que fiz bem, o comentário do Marco sobre formação de mentalidades evoluiu bastante o assunto. Foi simplesmente isso, nada mais.
Sobre a conversa sobre política. Não fui eu que a iniciei e ela estava sendo terminada com uma visão unilateral das coisas (elogios ao Olavo de Carvalho). Dei minha opinião porque tenho uma visão completamente distinta e tentei encerrar o assunto. Sua réplica na verdade foi uma tréplica.
Sobre Olavo de Carvalho e o anti-comunismo. Conheço uma coisa ou outra sobre os assuntos que ele trata e achei por bem colocar meu diagnóstico a partir de um contexto elogioso não criado por mim: ele faz citações completamente fora de contexto, num malabarismo intelectual oco e sem consistência. Torce os fatos (quando são fatos) que expõe. Quando disse que o anti-comunismo é ridículo o fiz em um contexto: comentar o anti-comunismo de OC. Respeito sua posição política, embora não concorde com ela, e mantenho minha opinião: o anti-comunismo que vê fantasmas por todos os lados e conspirações absurdas é completamente ridículo (e isso é literal, eu via o programa do Olavo na TV como comédia).
Sobre a citação: os espaços de contestação podem ser restritos tanto no capitalismo como no comunismo. No segundo, evidentemente, pode-se ter um Estado opressor que controla os meios oficiais, mas isso não significa que estarão mortos os meios clandestinos, informais ou não oficiais - e nos Estados comunistas muita ação ocorreu por aí. Ao mesmo tempo, capitalismo não é sinônimo de liberdade. Mal acabamos de sair de um regime militar capitalista, em que pessoas foram mortas por pedirem por democracia. Hoje, continuamos a ter meios controlados, mas pelos poderes econômicos, pelos anunciantes e pelos donos de jornal. O importante, na citação, não era discutior isso no capitalismo ou no comunismo, mas mostrar como o esforço da mídia palestrina (mesmo que de forma inconsciente) é contra-hegemônico, pois redes de televisão pautam suas opiniões por agradar a maioria, em busca de audiência e de conseguir anunciantes.
Tibé: são duas pessoas difentes, já checamos isso, coincidência mesmo.
Rafael,
Sobre a coincidência… Como eu disse, realmente não acredito em acaso; me pareceu que o artigo postado foi uma, na falta de palavra melhor, “reação” (e deixo claro: coloco aspas porque a palavra neste caso específico não se aplica como sinônimo de revide) aos comentários meus e do Esmeraldino à um jornalista decididamente anti-Gramsciano. Mas como você afirma que não foi, fico com a sua palavra;
Sobre a conversa política… Realmente não foi você que a iniciou, e não afirmei isso em momento algum, como pode notar. O que eu afirmo com todas as letras é que eu estava doido para ENCERRÁ-LA (Post 87), pois iniciava ali, talvez, uma discussão sobre ideologia política, que é um assunto cansativo até para mim que gosto de política;
E realmente minha réplica foi uma tréplica. Falha minha.
Sobre o anti-comunismo, você escreveu: “Quando disse que o anti-comunismo é ridículo o fiz em um contexto: comentar o anti-comunismo de OC”. Bem, agora seu ponto de vista está claro; mas na sua réplica, você não citava esse detalhe. Apenas escreveu “o quão ridículo é o anti-comunismo”, mas não se referiu à posição anti-comunista de um indivíduo em particular. Apenas entendi o que eu li;
Sobre o Olavo de Carvalho e Antonio Gramsci… Bom, nossos pontos de vista sobre os dois já estão mais do que estabelecidos. Como disse antes, discordo diametralmente de você nesse ponto, mas respeito sua opinião, sem problemas (assim como você respeita a minha);
Sobre a citação… Entendi perfeitamente que, no seu artigo, em momento algum se tentava fazer comparações sobre hegemonia cultural em um ou outro espectro político-ideológico, e sim mostrar a Mídia Palestrina como o que é: pedra no sapato da mídia “mainstream” que (claro!) só faz o que seus interesses, e não a fidelidade aos fatos, exige. Concordo em 100%, sem problemas;
Citando: “Sobre a citação: os espaços de contestação podem ser restritos tanto no capitalismo como no comunismo. No segundo, evidentemente, pode-se ter um Estado opressor que controla os meios oficiais, mas isso não significa que estarão mortos os meios clandestinos, informais ou não oficiais - e nos Estados comunistas muita ação ocorreu por aí. Ao mesmo tempo, capitalismo não é sinônimo de liberdade. Mal acabamos de sair de um regime militar capitalista, em que pessoas foram mortas por pedirem por democracia. Hoje, continuamos a ter meios controlados, mas pelos poderes econômicos, pelos anunciantes e pelos donos de jornal.”
A diferença nesse caso é basicamente o seguinte: enquanto no capitalismo o “Estado opressor” é a exceção (as antigas ditaduras latino-americanas e a espanhola, por exemplo), no comunismo, você há de concordar, é a regra.
Por exemplo, no momento - aliás, já há alguns anos - o vilão do momento é George W. Bush. Considero-o um mau presidente, inculto e sem preparo. Não chega aos pés de outros grandes presidentes republicanos do passado, como “Ike” Eisenhower, por exemplo.
Entretanto, mesmo durante o seu governo, um opositor ferrenho como Michael Moore pôde publicar um livro como ‘Stupid White Men’ ou lançar com estardalhaço um documentário abertamente oposicionista como Farenheit 9/11.
Já nos regimes comunistas, toda a contestação à hegemonia se dá, sempre, inescapávelmente, por “meios clandestinos, informais ou não oficiais”. Não há debate e oposição oficiais; prevalece a vontade do partido (ideologia) e, falando claramente, que se explodam os outros.
Concluindo: pode-se dizer que o sistema capitalista funciona; há falhas, SEM DÚVIDA, no capitalismo, e isso é aceito de antemão pelos seus “seguidores”. O conservadorismo é pessimista: para ilustrar a diferença primal entre conservadorismo e socialismo, transcrevo aqui trecho de um artigo de Russel Kirk, eminente intelectual norte-americano falecido em 1994:
“(…) Os conservadores são refreados pelo princípio da imperfectibilidade.
A natureza humana sofre irremediavelmente de certas falhas graves, bem conhecidas pelos conservadores. Sendo o homem imperfeito, nenhuma ordem social perfeita poderá jamais ser criada. Por causa da inquietação humana, a humanidade tornar-se-ia rebelde sob qualquer dominação utópica e se desmantelaria, mais uma vez, em violento desencontro – ou então morreria de tédio. Buscar a utopia é terminar num desastre, dizem os conservadores; nós não somos capazes de coisas perfeitas. Tudo o que podemos esperar razoavelmente é uma sociedade que seja sofrivelmente ordenada, justa e livre, na qual alguns males, desajustes e desprazeres continuarão a se esconder. Dando a devida atenção à prudente reforma, podemos preservar e aperfeiçoar esta ordem sofrível. Mas se os baluartes tradicionais de instituição e moralidade de uma nação forem negligenciados, se dá largas ao impulso anárquico que está no ser humano: ‘afoga-se o ritual da inocência’. Os ideólogos que prometem a perfeição do homem e da sociedade transformaram boa parte do século XX em um inferno terrestre.”
http://www.kirkcenter.org/kirk/ten-principles.html
http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=5178
http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=5179&language=pt
……….
E encerro por aqui minha re-réplica. Um abraço!
Muitíssimo interessante toda a discussão envolvendo Gramsci e a formação de “idéias hegemônicas”. Li os posts com grande prazer (no sentido intelectual desta palavra).
Gostaria apenas de fazer um acréscimo para explicar a gênese da situação atual da mídia. Ao final do ano de 1992, a situação era semelhante à de hoje: SPFW, campeão paulista em cima do Palmeiras (e nós, em longa fila de 16 anos); SPFW, campeão da Libertadores e campeão mundial; SPFW, clube de futebol maravilhoso e revelador de craques; SPFW, dono da maior e melhor estrutura etc. etc. (Esse filme já passou bem antes, não é mesmo?…) As pesquisas de torcida na época indicavam que tínhamos a metade dos torcedores do SPFW. Mas… eis que começa o ano de 1993 e o Palmeiras começa a jogar e assombrar.
Em pouco tempo (leiam os jornais da época), o que se via na mídia? Era só Palmeiras, Palmeiras… e Palmeiras. O campeonato paulista de 96 foi uma espécie de ápice. “Hoje não se assiste a uma partida do Palmeiras para saber se vai vencer, mas para saber de quanto vai vencer. Façam suas apostas.” Ou: “Estamos assistindo não a uma partida do Palmeiras, mas a uma performance-exibição.” E por aí vai. A imprensa incensava o Pameiras de modo até tedioso.
E o nosso concorrente? Reparem que “sumiu” desta incensação da mídia por uns 12 anos, até voltar forte com o título da Libertadores de 2005 (logo após a conquista do paulista daquele ano sob o comando do Leão.) O que quero dizer com isso? Que a mídia é sim um barco à deriva,
mas o Palmeiras tem sido passivo durante os últimos anos, e esta passividade/ausência gera uma marola em sentido contrário (o do concorrente.) Quando o Palmeiras como instituição (e nisto nos incluímos todos, dirigentes, torcedores, etc.) arregaçar as mangas e colocar a faca entre os dentes, e os resultados vierem como fruto de uma determinação, creiam-me que estaremos discutindo novos rumos para este ótimo OV!
Rafael (Postando pela quarta vez e inexplicávelmente não sendo publicado…),
Sobre a coincidência… Como eu disse, realmente não acredito em acaso; me pareceu que o artigo postado foi uma, na falta de palavra melhor, “reação” (e deixo claro: coloco aspas porque a palavra neste caso específico não se aplica como sinônimo de revide) aos comentários meus e do Esmeraldino à um jornalista decididamente anti-Gramsciano. Mas como você afirma que não foi, fico com a sua palavra;
Sobre a conversa política… Realmente não foi você que a iniciou, e não afirmei isso em momento algum, como pode notar. O que eu afirmo com todas as letras é que eu estava doido para ENCERRÁ-LA (Post 87), pois iniciava ali, talvez, uma discussão sobre ideologia política, que é um assunto cansativo até para mim que gosto de política;
E realmente minha réplica foi uma tréplica. Falha minha.
Sobre o anti-comunismo, você escreveu: “Quando disse que o anti-comunismo é ridículo o fiz em um contexto: comentar o anti-comunismo de OC”. Bem, agora seu ponto de vista está claro; mas na sua réplica, você não citava esse detalhe. Apenas escreveu “o quão ridículo é o anti-comunismo”, mas não se referiu à posição anti-comunista de um indivíduo em particular. Apenas entendi o que eu li;
Sobre o Olavo de Carvalho e Antonio Gramsci… Bom, nossos pontos de vista sobre os dois já estão mais do que estabelecidos. Como disse antes, discordo diametralmente de você nesse ponto, mas respeito sua opinião, sem problemas (assim como você respeita a minha);
Sobre a citação… Entendi perfeitamente que, no seu artigo, em momento algum se tentava fazer comparações sobre hegemonia cultural em um ou outro espectro político-ideológico, e sim mostrar a Mídia Palestrina como o que é: pedra no sapato da mídia “mainstream” que (claro!) só faz o que seus interesses, e não a fidelidade aos fatos, exige. Concordo em 100%, sem problemas;
Citando: “Sobre a citação: os espaços de contestação podem ser restritos tanto no capitalismo como no comunismo. No segundo, evidentemente, pode-se ter um Estado opressor que controla os meios oficiais, mas isso não significa que estarão mortos os meios clandestinos, informais ou não oficiais - e nos Estados comunistas muita ação ocorreu por aí. Ao mesmo tempo, capitalismo não é sinônimo de liberdade. Mal acabamos de sair de um regime militar capitalista, em que pessoas foram mortas por pedirem por democracia. Hoje, continuamos a ter meios controlados, mas pelos poderes econômicos, pelos anunciantes e pelos donos de jornal.”
A diferença nesse caso é basicamente o seguinte: enquanto no capitalismo o “Estado opressor” é a exceção (as antigas ditaduras latino-americanas e a espanhola, por exemplo), no comunismo, você há de concordar, é a regra.
Por exemplo, no momento - aliás, já há alguns anos - o vilão do momento é George W. Bush. Considero-o um mau presidente, inculto e sem preparo. Não chega aos pés de outros grandes presidentes republicanos do passado, como “Ike” Eisenhower, por exemplo.
Entretanto, mesmo durante o seu governo, um opositor ferrenho como Michael Moore pôde publicar um livro como ‘Stupid White Men’ ou lançar com estardalhaço um documentário abertamente oposicionista como Farenheit 9/11.
Já nos regimes comunistas, toda a contestação à hegemonia se dá, sempre, inescapávelmente, por “meios clandestinos, informais ou não oficiais”. Não há debate e oposição oficiais; prevalece a vontade do partido (ideologia) e, falando claramente, que se explodam os outros.
Concluindo: pode-se dizer que o sistema capitalista funciona; há falhas, SEM DÚVIDA, no capitalismo, e isso é aceito de antemão pelos seus “seguidores”. O conservadorismo é pessimista: para ilustrar a diferença primal entre conservadorismo e socialismo, transcrevo aqui trecho de um artigo de Russel Kirk, eminente intelectual norte-americano falecido em 1994:
“(…) Os conservadores são refreados pelo princípio da imperfectibilidade.
A natureza humana sofre irremediavelmente de certas falhas graves, bem conhecidas pelos conservadores. Sendo o homem imperfeito, nenhuma ordem social perfeita poderá jamais ser criada. Por causa da inquietação humana, a humanidade tornar-se-ia rebelde sob qualquer dominação utópica e se desmantelaria, mais uma vez, em violento desencontro – ou então morreria de tédio. Buscar a utopia é terminar num desastre, dizem os conservadores; nós não somos capazes de coisas perfeitas. Tudo o que podemos esperar razoavelmente é uma sociedade que seja sofrivelmente ordenada, justa e livre, na qual alguns males, desajustes e desprazeres continuarão a se esconder. Dando a devida atenção à prudente reforma, podemos preservar e aperfeiçoar esta ordem sofrível. Mas se os baluartes tradicionais de instituição e moralidade de uma nação forem negligenciados, se dá largas ao impulso anárquico que está no ser humano: ‘afoga-se o ritual da inocência’. Os ideólogos que prometem a perfeição do homem e da sociedade transformaram boa parte do século XX em um inferno terrestre.”
http://www.kirkcenter.org/kirk/ten-principles.html
http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=5178
http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=5179&language=pt
Jean Carlos, seu inexplicavelmente tem explicação: você coloca três links no seu post e o sistema, por segurança e de maneira correta, entende como spam.
Não vou alongar esse papo que, embora interessante, está em lugar errado. Faço só observações pontuais: não acho que no capitalismo o Estado opressor é exceção, a opressão não acontece somente pela violência (Michael Moore é livre para lançar seus filmes, mas encontra dificuldades imensas de distribuição. Seu novo filme, Sicko, que agora ataca também os democratas é exemplo disso); o sitema capitalista, de certa forma, funciona para alguns, em algumas regiões, justamente porque se equilibra numa relação de expropriação que vai além dos limites regionais; o conservadorismo não é pessimista, é ideologicamente (e de maneira funcional para alguns) hobbesiano.
Queremos sair dessa situação? Só há uma saída: 1-Continuarmos sendo a torcida que domina a Internet, com suas centenas de comunidades, defendo as cores de nosso clube; 2- Reformulando nossa Administração e Estruturas e 3- Formando times vencedores e que marquem a Historia.
Só assim essa mídia hipócrita se renderá ao Palmeiras e sua Nação.
Abraços Alvi-Verdes!
Vitor Vitor@sso
http://www.vitorasso.com
Retornando do feriado…
Rafael, concordo quando você diz que o assunto (interessante, e, principalmente, infindável) ocorre no espaço inadequado. Portanto, finalizo meus comentários sobre ideologia política com as seguintes observações finais:
Minha opinião sobre o Estado opressor ser basicamente ser muito mais frequente no comunismo do que no capitalismo deve-se à observação dos fatos; para ficar em um só exemplo, veja o que está ocorrendo na Venezuela. Mais um país eminentemente comunista surge no cenário mundial, e os direitos básicos à liberdade de expressão e à propriedade já começam a ser tolhidos, tais como foram na URSS, na Tchecoslováquia, na Polônia, em Cuba, e por aí vai;
Michael Moore vendeu centenas de milhares de cópias de seu ‘Stupid White Men’ (1º lugar no New York Times e quejandos), e arrecadou quase 120 milhões de dólares com seu ‘Farenheit 9/11′. Se está tendo problemas com a distribuição de ‘Sicko’, não é apenas por questões político-ideológicas, mas também mercadológicas: qual norte-americano vai ter a pachorra de pagar ingresso para ver o gordinho, dentre outras coisas, tecer elogios ao sistema de saúde cubano? Não imagino nenhuma distribuidora, com razão, querendo investir grana em um projeto destinado ao naufrágio financeiro. Lá nos EUA o filme precisa, antes de tudo, dar lucro; não existe uma Ancine para pagar as contas do prejuízo com dinheiro público. É o livre mercado agindo, não o Estado;
Eu considero que o sistema capitalista funciona não apenas para alguns, mas para muitos, dentro, como foi citado, da imperfeição; seu êxito, por mais deficiências que contenha, é mais completo e abrangente do que o socialismo, algo que também pode ser comprovado pela observação dos fatos. “Expropriação” basicamente é: “privação de propriedade em harmonia com a lei”. Falar sobre expropriação, comparando os sistemas capitalista e comunista, é até covardia; nos países onde se estabeleceu, o regime comunista não apenas expropriava o cidadão, como também o desapropriava - e não apenas de seus bens materiais, o que já é grave e acintoso, mas também de seus direitos básicos, como liberdade religiosa.
E, por fim: consigo ver o conservadorismo como hobbesiano apenas em sua raiz ideológica. Nos tempos atuais, sua prática é basicamente pessimista.
Termino aqui minha análise. Um abraço!