Esporte e mercado: OV no Diplô
mar 27th, 2008 by Rafael Evangelista
Momento jabá.
“Pátria sem chuteiras” é o título do artigo que eu - Rafael Evangelista - e Tiago Soares escrevemos para o Le Monde Diplomatique. Juntamos Platini com Eric Hobsbawm e discutimos futebol, identidade, mercado e Estado-Nação.
Vai lá, dá uma olhada. Se empolgar, pode comentar por aqui.
Fui, li, gostei e aplaudo!!! O artigo ficou muito bom mesmo. Parabéns!
Aliás, agora vocês justificam o apelidos de ostras, né? Afinal, produziram uma pérola como esse texto…
E agora, qual será a avaliação? Será que o Le Monde Diplomatique também é um desses orgãos da blogosfera tomado por fanáticos que gostam de intimidar a imprensa livre e etc, etc?
e eu nunca havia ido àquele site, mas gostei de tudo. Valeu a dica!
Abraços e parabéns, mais uma vez.
Marcos
Aqui é país de terceiro mundo. É assim mesmo.
Se te oferecessem milhões de euros por ano pra você tocar o seu site fora do país você iria? Acho que sim.
Abraços.
Porra, belo texto…
O Paulinho (inho, inho, inho…) devia tentar fazer um igual.
Tiago e Rafael.
Muito bom. Vou colocar aqui algo que escrevi sobre essa febre de jogadores sairem cedo do Brasil. Era sobre o caso Neymar, que sairia com 15 anos, se não me engano.
O que eu discuto é a própria estratégia de se trazer jogadores cada vez mais novos. Quão cedo se pode contratar um jogador brasileiro? Se você contratar um bebê e criá-lo na Europa, com treinamento Europeu, você vai ter um jogador brasileiro?
Se fosse apenas uma questão de contratar mão de obra barata essa estratégia seria eficiente e poderia ser aplicada eternamente. O problema é que quando os Europeus querem um jogador brasileiro eles não querem apenas a matéria prima, mas todo um jeito de jogar que faz parte de nossa cultura.
A idéia de que eles vão buscar um talento puro para lapidar na Europa com seus centros de treinamento superior é totalmente falsa. O jogador brasileiro não é um talento puro a ser lapidado, ele carrega consigo toda uma cultura futebolística. Basta ver que um jogador mediano no Brasil (ou seja, um cara realmente sem talento nenhum!) é um bom jogador, tem fundamentos, tem cultura.
Portanto, termino com seu brilhante parágrafo:
“Enfim, trata-se de uma estrutura que, embora lucrativa para os acionistas/investidores do mercado global de entretenimento, corre o risco de, assentada sobre o esvaziamento da relação entre clubes e cultura de torcida, desmoronar sobre si mesma. Levando junto a identificação das arquibancadas com suas seleções nacionais. Pior para os clubes, pior para o futebol, pior para os países.”
Abraços,
Pedro.
Não acho que seja só a saída de jogadores no início de carreira que faz com que o futebol perca sua idêntidade.
Os mega-investidores que estão assumindo o comando de clubes ingleses , russos , ucrânianos e outros , nunca tiveram nenhuma ligação com o clube. Se bobear , quando foram ‘fechar o negócio’ é que descobriram as cores do time.
Só um exemplo aqui do Brasil : o presidente do Guaratinguetá já declarou abertamente que o que interessa para ele é o retorno financeiro (lucro) que o clube vai dar. A parte administrativa fica toda em São Paulo e o outro sócio é que tem um pouco mais de contato com jogadores e comissão técnica. Lógico que ele (presidente) tem contato com todos , mas não tem identificação nenhuma com a história do clube.
Tudo bem! O Guará é um time pequeno que está almejando conquistar algum espaço.A história dele não faz e nunca fez diferença nenhuma no futebol de São Paulo , quiça brasileiro.
Mas imaginem se um dia isso acontece em um grande clube de São Paulo. No primeiro escorregão na administração que coloque a honra e a história do clube em xeque , os fanáticos torcedores vão querer a cabeça desses administradores e a primeira acusação será a de que “venderam o clube”.
História parecida aconteceu por aqui recentemente.
Então…
Amigos,
Comecei a ler e… Caramba! Que arrazoado!
Bajulação minha à parte, pinço duas partes que achei geniais - talvez por expressarem exatamente o que penso? A primeira:
“Enquanto isso, ao Sul, jogadores cada vez mais jovens, ansiosos, determinados a receberem noções puras, desnacionalizadas de técnica e tática, prontos para jogarem tanto na Espanha, quanto na Itália, Inglaterra, França ou Ucrânia. Afinal, jogadores adaptados ao futebol europeu têm mais liquidez enquanto ativo financeiro, coisa valiosíssima num mercado tão azeitado.”
Em relação às noções desnacionalizadas de técnica e tática, lembro-me de ouvir de Muricy Ramalho reclamar das escolinhas de futebol. Ele - e eu também - acha absurdo um moleque de oito ou nove anos dizer que é volante, que é zagueiro, sem antes ter aprendido a fazer um passe. O Leão pediu a um garoto, daqueles incensados pelos empresários da bola, que desse um cruzamento. O garoto deu sete e errou todos. O treineiro chamou o moleque e perguntou o que estava havendo com ele e obteve uma resposta surpreendente: “Não ensinaram isso pra mim.”
Gostei muito do que disse o Pedro, e acho que tem tudo a ver com as observações de vocês. O que eles querem é algo com o rótulo de brasileiro. Como um vinho da França, uma vodka russa ou um chocolate suíço, eles querem futebolistas brasileiros, pois nossa cultura e tradição assim permite. Saber ou não jogar bola é secundário - ou não existe aquele vinho ou aquele azeite que é uma porcaria e, mesmo assim, vende por conferir status ao comprador?. Futebolista brasileiro tem liquidez. Os clubes do Brasil seriam como os pequenos produtores do interior da Itália ou da França que fazem coisas excelentes baseados na cultura local e na tradição e os empresários, escolinhas e clubes europeus dão o “rótulo” a essas coisas e as tornam vendáveis em escala global.
A segunda, simplesmente genial, resume o futebol brasileiro como um todo:
“Existiu um tempo em que a seleção brasileira, mais que gatilho de mercado, parecia ter um papel de diálogo. Primeiro, entre as escolas futebolísticas dos times daqui: cada jogador da seleção representava uma escola de jogo, dependendo do time do qual vinha. Isso porque o Brasil é um país grande, e essa mediação entre escolas de jogo fazia o futebol nacional fazer sentido para todos — do Rio Grande do Sul ao Nordeste. Um time com atacantes cariocas, meias paulistas, volantes mineiros, zagueiros gaúchos, laterais baianos e paranaenses misturava e obrigava todas essas escolas futebolísticas a conversarem entre si, aprenderem e trocarem informações umas com as outras.”
E a mistura não foi ainda maior graças às politicagens da CBD / CBF. Com essa análise, vocês dois comprovam que há uma lacuna muito grande na crônica esportiva, apesar deste texto de vocês não ter nada a ver com o futebol em si. Falta profundidade a esse pessoal, o que permite que um rapaz de boa vontade munido de calculadora e um punhado de livros seja considerado gênio.
Abraços,
LULA.
Desculpem-me pelas cagadas gramaticais.
É foda, eu fico louco com isso ai, na gazeta a mesma coisa o Chico está falando a mesma coisas, disse que o campeonato está comprando . Isso vai ser normal daqui para frente eles sabem que o time é muito bom e pode ganhar o título, então estão querendo tirar o brilho de um suposto título do verdão .
Caros,
sensacional o texto. Sensacional!!!
Eu, que além de jornalista esportivo, sou geógrafo, considero uma das coisas mais brilhantes que já li nesse assunto, sem exagero.
Parabéns!
Valeu, Bindi, muitíssimo obrigado. E parabéns pela nova coluna no Milton Neves.
Texto brilhante! Parabéns!
Grato, Rafael.
Falarei apenas de escudos, suas origens e significados. Opinião já tem muita, ainda mais no site do MN.
Grande abraço.
Brilhante com bê maiúsculo, é o mínimo que se pode dizer. Desculpem o chavão ufanista, mas é um daqueles momentos em que me orgulho de ser palmeirense, afinal, esta análise dá bem a medida do quão articulada e informada é a mídia palestrina.
Concordo com o Lula (6): a profundidade e pertinência deste texto também serve para ressaltar a esqualidez intelectual que acomete boa parte da “imprensa oficial” hoje em dia.
Ótimo artigo, parabéns.
Rafael e Tiago,
Sei que um pouco atrasado, mas mesmo assim queria lhes dar os parabéns pelo texto. Essa visão menos deslumbrada do que o habitual ‘que-orgulho-tantos-brasileiros-no-Milan’ (ou Real Madrid ou qualquer outro similar) é algo que todos aqueles que vêem no futebol mais do que dinheiro ou media entertainment, deveriam compartilhar. (Senão todos, ao menos aqueles que se definem como ‘cabeças-pensantes’ deste país.) Infelizmente, não é o que ocorre.
Há dois anos lancei um livro sobre o Palmeiras - e sobre minha ‘vida de torcedor’ durante a fila 76/93 - que imagino busca defender o mesmo ponto de vista, a fundamental importância, em todos os níveis, do vínculo afetivo na relação torcedor-time. O livro chama-se ‘Coadjuvantes’ e, se quiserem que eu lhes envie um exemplar, o farei enorme prazer. Apenas peço que enviem seus endereços para meu email, que lhes encaminho.
um abraço e, mais uma vez, parabéns.