Uma espiadela na cozinha
abr 2nd, 2008 by Rafael Evangelista
Placar fez uma matéria sobre o estado de saúde de Casagrande. No início, silêncio.
Até que Alberto Helena Jr. que, mesmo dizendo-se constrangido, resolveu criticar. Pesou contra o médico mas condenou, com sua habitual elegância, também a revista. E aí foi seguido por Juca Kfouri, que levou a crítica às mídias que ocupa, do seu jeito.
E fez-se a treta. Placar respondeu a Helena, que retrucou.
Então a coisa começou a ficar interessante. Foi até parar no esgoto, digo, na Veja (que, claro, defendeu a Placar, também publicada pela Abril).
André Rizek, repórter-especial de Placar, bateu no padrão dúbio de Kfouri, que quer proteger a vida pública de Casagrande mas não pensou duas vezes ao falar das últimas descobertas de um tablóide inglês sobre Max Mosley. Um trecho:
Juca diz que todo mundo no nosso meio sabia do caso (eu não sabia), mas que isso não era divulgado por não haver “interesse público”. Placar, portanto, teria entrado de forma inadequada na vida pessoal de Walter Casagrande.
Falemos do que o Juca chama de “interesse público”.
Na segunda-feira, como faço todos os dias, estava ouvindo o CBN Esporte Clube, programa que o Juca apresenta. O jornalista, assim como toda a imprensa brasileira, comentou com alarde a informação divulgada por um tablóide inglês, segundo a qual Max Mosley, o chefão da Fórmula-1, teria sido flagrado por gravações de DVD em uma orgia com tema nazista. “Ele aparece com chicote na mão, com as prostituas pedindo para bater no traseiro delas”, disse na CBN. “Diz que ele tomava chá enquanto as pessoas tomavam vinho. Chá de coca, talvez”, brincou no ar. E eu ri junto com ele, evidentemente! A diferença é que o Juca condena (em ótimo debate para a nossa profissão, reitero) a reportagem sobre o Casagrande.
Exemplo claro daquilo que temos dito, Juca tem jogado joga fora as regras de apuração (e frequentemente também do respeito) na hora de criticar seus desafetos. As apregoa quando a coisa é contra os camaradas.
Mas o texto bom mesmo, a “espiadela na cozinha” de que falo no título, o que motivou este post, veio de Alberto Helena. Ao criticar a abordagem da Placar ele exemplifica algo que sempre tentamos mostrar aqui no OV. Construir uma reportagem não é um exercício mecânico, em que um fato unívoco se mostra ao jornalista e ele simplesmente o descreve. Nesse processo há elementos que, destacados ou diminuídos, fazem com que o leitor projete uma certa imagem, tenha uma certa idéia sobre um jogador, um time, um técnico, um campeonato - isso para ficar só no futebol. Claro, a liberdade não é total, não se trata de uma peça de ficção. Mas dá para fazer muito, sem mentir.
Reproduzo parte. Vale ler na íntegra.
Ah, mas Casão é uma celebridade, uma figura pública, cujos passos devem ser devidamente divulgados, tintimtim-por-tintintim por isso ou por aquilo, porque é de interesse público.
È mesmo? Então, me diga o amigo se cada um dos nossos parlamentares, cada um dos nossos governantes, cada um dos empresários cujos produtos consumimos diariamente, cada um dos cantores, compositores, atores, banqueiros e todos os demais, célebres ou não, que de uma forma direta ou indireta interferem no nosso dia-a-dia, são seguidos e expostos sob a lupa da imprensa.
Claro que não. De repente, a imprensa elege este ou aquele e decide expor suas mazelas e pecados ao mundo para que os mazelentos e pecadores de todos os matizes se sintam mais que aliviados – senhores da condenação, do apedrejamento bíblico.
O que mais me incomoda nessa história toda é o que será de Casão, ser humano, amigo ou não, celebridade ou não, e como essa exposição pública de sua doença contribuirá ou não para sua plena recuperação.
Não vou recorrer à minha longa e competente experiência, se me permite a imodéstia, em pautar e editar uma matéria jornalística, seja de qual teor for o assunto. Mas, digo que há na matéria da Placar alguns elementos dispensáveis se a intenção era apenas informar ao leitor a situação do personagem central.
Por exemplo: aquela coluna evocativa de casos anteriores; a foto dramática que estigmatiza a matéria; a revelação do salário pago pela Globo ao comentarista licenciado, obviamente, uma quantia que, num país pobre como o nosso, de cara, indispõe as pessoas contra Casão; a sugestão implícita de que a nova namorada de Casão o deixou depois do desastre de automóvel e otras cositas mas.
Sei bem, por tantos anos de redação, como essas coisas vão se desenvolvendo, a partir da primeira idéia. Começa com alguém levantando questão: afinal, que fim levou o Casão? E a partir daí segue a investigação, que, finda, ao receber o texto final já está contaminado pela emoção de quem o escreve.
Estava fazendo uma tarefa aqui da facul e resolvi parar e dar uma espiadela na net e né que vou ser o primeiro a postar no OV huahauhahauauaha
Que sensação única! huahuaha
Qual é a novidade do post?
Eu te digo caros desinformados: Alberto H. está subindo de vento e polpa na credibilidade do jornalismo (sic) esportivo.
Ah! como queria que muitos copiassem esse sujeito.
Aprendam cambada!
Qual é problema de falar que SEJA QUEM FOR esta com problemas SEJA ELE QUAL FOR, e esta internado para tratamento.
Boa Reportagem, com varios detalhes elucidativos.
Sempre lembrando, quando vc se torna uma personalidade publica, tudo ganha uma conotação maior, as “celebridades” , alias não as vejo reclamendo de falta de dinheiro ou mulheres, e sim de falta de privacidade.
em bom portugues, só venha a nos a vosso reino, agora eu pergunto, e seja feita a vossa vontade.
ATENÇÃO : Não pensem que gosto de ver o cara deste jeito, o que sou adépto a fofocas, NÃO, NÃO GOSTO.
Rafael,
off-topic: o Terceira Via Verdão (não tenho nada a ver com eles, a não ser o fato de ser palmeirense) fez um post contra o Verdão fazer os dois jogos no Morumbi.
http://terceiraviaverdao.blogspot.com/2008/04/10-razes-para-no-usarmos-o-morumbi.html
Eu acho que vale a pena a mídia palestrina começar a fazer pressão desde já. Com sorte, haverá repercussão na imprensinha.
Bom dia, galera.
Marcelo, concordo com vc em certo ponto, e discordo em outros.
Claro que uma celebridade (no caso, o Casagrande) sabe da repercussão que o seu estado atual teria na mídia. Toda celebridade está sujeita à situações de “humilhação pública” (como eu chamo esse tipo de matéria). Mas apenas está sujeita à isso porque a mídia só sabe promover isso… Na verdade, estamos (num geral) sempre tão mais preocupados em “cuidar” da vida das nossas celebridades que não ligamos muito pro que vamos encontrar. Muitos de nós não buscam outras fontes de informação, pegam a primeira que vê e acreditam apenas nela. E é apenas isso que a mídia vende - material para sustentar nossa sede de conhecimento, muitas vezes, desnecessário, sobre a vida de uma celebridade.
Não é necessária tanta exposição sobre certos fatos. É tão mais simples mostrar as fraquezas do que as forças…
Rafael, não há como esquecermos que há alguns anos o Juca Kfouri agiu de forma totalmente leviana, invasiva, deselegante e grosseira, ao dizer que o Guga Kuerten passava por uma má fase, pois o seu irmão (Rafael Kuerten) acabará de ser pai de gêmeos com Paralisia Cerebral. Descobrimos tempos depois que a má fase era decorrente de problemas no quadril. Alguém que age desta forma, não tem moral para criticar em nada a invasão da vida privada de alguém.
Isso pra mim só mostra uma coisa: a imprenssinha está colocando os pés pelas mãos! Sou amigo do cara, então não posso xingá-lo, não sou amigo do cara, então vou detonar! Juquinha tem casagrande como seu idolo. Portanto, não pode falar mal dele…já se fosse o luxa, então pode ficar detonando o cara! Simples e objetivo! A imprenssinha em geral é assim, diferente da midia palestrina, que fala mal qdo tem de falar mal, e fala bem qdo tem de falar bem!
e ponto final!
Por isso que a gente cresce a cada dia, entre a torcida do verdao, e eles diminuem a cada dia!
Mas pra azar desses caras, a hora que todos torcedores dos outros times acordarem e fizerem iniciativas semelhantes como a nossa midia palestrina, dai esses caras vao pro limbo. Alias, eles evitam falar e desmerecem o maximo possivel a gente por isso mesmo: MEDO!
Engraçado, ‘Veja’ é o esgoto? Então, quem aprecia a revista, como eu, é o quê? Merda?
Depois, os conservadores é que são intolerantes. Sei.
Fico com o comentário Nº 49, do “Palestrino.sempre”, no post anterior:
“Juca Kfouri é fã de Mino Carta e lê Carta Capital.
Eles se merecem”.
Sem mais.
A reportagem da revista Veja só veio mostrar o que todo mundo já sabia. Não vejo mal nenhum nisso!
Quando uma pessoa se torna uma ‘celebridade’ , ela está sujeita a isso. É um dos preços que se paga.
Só para citar um caso fora do futebol , o ator Fábio Assunção se internou fora do país para se tratar do vício da cocaína e chegou a ser divulgado até mais do que o caso do Casagrande.
Agora eu pergunto : por que Juca Kfouri não foi contra e não criticou as reportagens sobre o caso do ator?
Podem responder que é porque é um ator e não um jogador de futebol.Eu concordo!
Mas os dois caem no mesmo ‘buraco’! São pessoas públicas e despertam o interesse do grande público.
A diferença está no que todo mundo aqui já sabe : Juquinha só tem olhos para seus amigos e armas contra os seus inimigos.
Seguindo a linha do comentário do Raul (nº 6), ressalto a forma como alguns colegas que freqüentam a “Mídia Palestrina” passaram a ver a imprensa, após o início de suas participações nesses espaços.
Com a troca de informações e opiniões, muita gente passou a observar detalhes que antes não eram vistos.
Jornalistas e órgãos de imprensa, antes considerados como referências, foram retirados dos pedestais. A “Mídia Palestrina” fez com que caíssem muitas máscaras.
Sobre o título do assunto anterior “Não querem entender nossas criticas”, considero importante lembrar que o não entendimento do problema passa toda a impressão de ser proposital e não fruto de simples incompetência.
A omissão da imprensa sobre o tema “Conflito de interesses” apenas demonstra a parcialidade da classe, postura que eles não admitem.
Ninguém pode imaginar que jornalistas tão envolvidos com o esportes não tenham conseguido enxergar fatos tão óbvios.
A propósito disso tudo, Casagrande não escolheu trilhar o caminho dos holofotes? Das celebridades? Então porque todo esse “auê” devido ao fato da ‘Placar’, que quase sempre erra mas extraordináriamente não errou neste caso específico, ter divulgado a situação atual do ex-jogador e atual (péssimo) comentarista? É o ônus do bônus, meu caro. Grana e fama, mas o imposto disso tudo é a privacidade inexistente.
O bom desse episódio todo é que Ki-furo ficou irritado. E quando Ki-furo está irritado, eu fico feliz. Como um passarinho.
Aliás, como um periquito.
Caro Jean Carlos , Nº 7, sinto muito se você gosta da veja, mas que ela é um esgoto é mesmo, assinei veja por quase 20 anos e faz uns 5 anos que cancelei, pois cansei das tentativas de manipulação dessa revista que age igual ao Juquinha, para os amigos tudo, para os inimigos “bala”.
Nem tenho muito a acrescentar em relação ao quiproquó do Casagrande, já dissecado de forma brilhante pelos amigos deste post. O que me deixou surpreso é o fato de Juca Kfouri levar mesmo a sério a idéia de “não julgar de forma igual os desiguais”, máxima que serviu de base em sua defesa do Marcos contra o boquirroto Trajano. Até concordo parcialmente com tal axioma, exceto quando se divide os desiguais entre amigos e inimigos. Como Juca tem orgulho de ter passado a véspera da decisão de 1983 enchendo a cara com o velho amigo Sócrates e o resto do elenco corinthiano, Casagrande, por ser amigo, deve ser tratado de forma mais airosa possível.
É esse erro fragoroso que faz a carreira do Juca entrar nesse declínio que estamos vendo, com sua credibilidade caindo exponencialmente.
O que são essas coisinhas que estão aparecendo embaixo dos nomes? o.O
não vejo qualquer problema na reportagem do Casagrande. ele é figura pública e não há nada de errado em abordar sua doença.
Parece que o Juca Kfuri publicará nota de repúdio na também escatológica Carta Capital.
Abraços,
Se o Casagrande (considero um bom comentarista) cheira ou fuma, não no to nem aí, o problema é somente dele. Quero saber se ele vai desempenhar sua função com qualidade. E já que não conseguiria fazer dessa forma, fez muito bem em sair de cena por uns tempos.
Não leio a Placar, mas pelo comentário do Alberto Helena Jr, eles fizeram aquele tipo de matéria sensaciolista.
Para uma revista que fala de futebol, a única informação que deveriam colocar, seria que o comentarista está afastado por problemas de saúde. Três linhas seriam suficientes.
Considero isso um desrespeito com o leitor. Ele compra a Placar pensando que vai encontrar informações sobre o tema que eles se dizem especialistas e leva pra casa informações e fofocas sobre a vida fútil de uma celebridade.Poderiam deixar isso para uma Contigo! da vida, e seus leitores que adoram cuidar da vida alheia.
Lula.sp (12),
Achei interessante você dizer que concorda parcialmente com a frase “não julgar de forma igual os desiguais”. Isso não seria aquele famoso “dois pesos e duas medidas”? Eu não gosto dessa idéia.
Faço a mesma pergunta do Tibé(13) ????
Calma gente, tô preparando um post aqui e já explico o que é isso.
Márcia (11), respeito a sua opinião. Mas se você teve a pachorra de assinar a ‘Veja’ por duas décadas (!), mesmo a revista sendo esse “esgoto” de manipulação, das duas, uma: ou a publicação não é tão terrível assim, ou você tem mais paciência do que Deus. Vinte anos é muita coisa!
Abraços!
Pessoal, noto uma pequena confusão aqui. O Helena não disse que achava a matéria sensacionalista. Disse que publicar esse tipo de matéria era se oferecer ao risco de cair em sensacionalismo, mas que ele mesmo não tinha opinião definitiva a respeito. Para falar a verdade, até agora também não tenho. A matéria da Placar, especificamente, foi muito boa: não é possível que alguém depreenda dela qualquer coisa que vá prejudicar diretamente Casagrande. Por outro lado, não estou certo se o gênero de matéria é admissível ou não, porque por mais que tenha convicção de que é melhor deixar publicar tudo do que censurar, tenho a impressão de que a vida pessoal de um sujeito, no seu decorrer ao menos, talvez deva ser preservada. Somente no seu decorrer, claro, porque a biografia de Casagrande, se séria, obrigatoriamente trataria do episódio. Em todo caso, ainda não cheguei a nenhuma conclusão, estou confuso. Imaginem o Rizek.
É pra opinar favorável ou negativamente sobre os comentários, né não?
Jean Carlos, compreendo a sua indignação, na qualidade de leitor de Veja, ao vê-la ser chamada de esgoto. Porém, creio que essa é uma oportunidade para discutirmos o atual momento da imprensa de uma maneira geral, com ênfase no baixo nível que ela se encontra, principalmente a de cunho político.
Antes de tudo, é preciso lembrar que o jornalista não pode portar-se como um censor, que determina o que pode ou não ser veiculado nos meios de comunicação. O caso de Casagrande é exemplar. Se de fato existia a sanha do leitor da Placar em saber o que estava acontecendo com o ex-jogador, não vejo problema em a revista tentar responder. Ainda mais diante do silêncio da Rede Globo, contratante do mesmo. É um drama que envolve um ídolo nacional. E, na minha opinião, o caso dele nem é tão escabroso assim. Acontece todo dia. Ainda mais em um caso desse, que ele claramente não gostava de ser comentarista, não gosta de Galvão Bueno, como já disse em entrevista. Agora cabe a sociedade enfiar o conservadorismo barato no bolso e não fazer grandes julgamentos; tentar entender que a vida tem dessas coisas.
Sobre a Veja, você a de convir que ela não passa por um grande momento. Nada contra ela seguir uma linha editorial a qual não corroboro, mas faça isso com o mínimo de qualidade e isenção. O problema de Veja é a falta de capacidade de seus atuais diretores. Tornou-se uma revista de qualidade duvidosa em comparação ao que se via no passado. E o assustador blog do Reinaldo Azevedo tornou-se reduto de exaltação a uma direita que não tem mais espaço no Brasil e uma disposição reacionária fantasmagórica.
O caso é parecido na CartaCapital. Mino Carta tornou-se uma caricatura. Escreve textos pedantes, feito um lorde, que muitas vezes não significam nada. Enquanto o outro sócio da revista, o nosso Luiz Gonzaga Belluzzo, é diretor da TV Pública do Governo. Ou seja, não é parâmetro de isonomia. Recentemente Mino Carta saiu do IG em consideração ao amigo Paulo Henrique Amorim, um absurdo. Como alguém pode se solidarizar com um jornalista pistoleiro (já está caindo de pau o IG, assim como faz com Veja e Globor), que serve tanto aos seus patrões? No IG, pertencente à Brasil Telecom, descia a lenha em todos os inimigos da empresa. Na Record, foi porta-voz da Igreja Universal em um dos casos mais explícitos de intimidação aos meios de comunicação na orquestrada ação contra a jornalista Elvira Lobato da Folha de S.Paulo.
Sobre os textos do Nassif, em seu “dossiê” sobre a Veja, posso dizer que são confusos e muito mal escritos e exigem que o leitor admita uma teoria da conspiração muito grande. Traz algumas verdades, mas em geral é enrolação. Gostaria que ele fizesse isso com outros veículos de comunicação, inclusive o seu IG.
No fim das contas, o que podemos concluir é que não há mais pra onde correr. Criou-se um cenário de polarização assombroso, onde esperam que todos se posicionem de um lado ou do outro, algo que me recuso a fazer. É lamentável que, mesmo diante do governo e dos escândalos de Lula serem exatamanete proporcionais aos de FH, exista quem goste de um e odeie o outro. Essa divisão do mundo em duas partes prejudica toda a construção da sociedade e da formação de caráter, impedindo que se aproveite a variedade da vida. Uma pena.
Falavigna (20),
Como eu disse, não li a matéria da Placar. Eu suponho que a matéria seja sensacionalista pelos recursos utilizados nela. Tomei por base o que o Alberto Helena disse nesses dois parágrafos:
“(…) Mas, digo que há na matéria da Placar alguns elementos dispensáveis se a intenção era apenas informar ao leitor a situação do personagem central.”
“Por exemplo: aquela coluna evocativa de casos anteriores; a foto dramática que estigmatiza a matéria; a revelação do salário pago pela Globo ao comentarista licenciado, obviamente, uma quantia que, num país pobre como o nosso, de cara, indispõe as pessoas contra Casão; a sugestão implícita de que a nova namorada de Casão o deixou depois do desastre de automóvel e otras cositas mas.”
—
Realmente é dificil opinar sobre o assunto, especialmente sem ler a matéria (da maneira que está na revista) que deu origem a tudo isso. Na site da Placar mesmo, não encontrei a matéria da forma como o Helena descreveu.
Rafael (16),
Naquela discussão entre o Juca e o Trajano acerca da “agressão” do goleiro palestrino ao Malaquias, o corinthiano defendeu Marcos com a frase citada por nós. Afinal de contas, foi um caso de falta leve cometida por alguém sem histórico de violência - até o Muñoz tentou bater nele. É o velho “dois pesos e duas medidas”.
Apesar de não gostar disso, assim como você, defendo a prática no caso extremo em que uma pessoa sabidamente cumpridora de seus deveres seja apanhada em falta leve. Neste caso ela deve, sim, receber uma segunda chance, ao contrário de outra que já cometeu falhas anteriormente - neste ponto concordo com Kfouri. Se cometer falta grave sem nunca ter feito nada de errado antes (Pimenta Neves, para ficarmos no caso exemplificado por Trajano), deve ser punida com o mesmo rigor de qualquer outro, assim como reincidências de qualquer tipo. Em qualquer outra situação sou contrário à prática.
A questão é que Juca usa o “dois pesos, duas medidas” o tempo todo por ser um prevaricador. Hoje Juca defende Marcos, espinafrado por ele mesmo e Jorge Kajuru em 2001; Casagrande foi poupado por ele hoje, assim como Renato Duprat também foi poupado há dez anos, quando ainda era amigo pessoal dele. É isso.
O ano passado, ouvi uma entrevista ao vivo no programa CBN EC com Edmundo, realizada por Juca Kfouri. Ele fez algumas insinuações sobre o acidente automobilístico de Edmundo. Chafurdou num assunto pessoal do cara que aconteceu há mais de dez anos. Edinho também sempre teve seus dramas analisados pela imprensa; o racha; o vício. Até sobre a filha que Pelé nunca reconheceu de maneira decente e que faleceu recentemente sempre se falou muito. Nunca vi Juca se indispor contra isso.
Casagrande, no mínimo, colocou a vida de outras pessoas ao capotar seu carro. Seu drama tornou-se público no momento em que ele entrou em seu carro.
Claro que existem assuntos que não de interesse público, como a sexualidade do Richarlysson e seu suposto affair com Aloísio; o alcoolismo de Sócrates e Trajano. Isso tudo é segredo.
Thiago, onde é que eu assino…
Thiago (22), concordo plenamente com você quando diz que a imprensa está ideológicamente polarizada, sem espaço para meio-termos, e que o nível intelectual e moral da imensa maioria dos jornalistas atuais é de um baixo nível assustador.
Entretanto, tudo é muito subjetivo. Tem quem goste e quem odeie a ‘Veja’, ou o Luiz Nassif, ou o Diogo Mainardi, ou o Michael Moore, ou qualquer outro veículo ou articulista - seja qual for a sua orientação política.
Eu, por exemplo, sendo conservador, aprecio - e muito - Olavo de Carvalho e Thomas Sowell. É um direito meu.
Orientação política, como time de futebol, todo mundo tem. O ponto que eu considero incorreto é o editor emitir opiniões ideológicas “absolutas” em um site ou blog esportivo: “PHA é genial”; “a ‘Veja’ é um esgoto”; etc. Aqui não é espaço pra isso.
A única certeza absoluta aqui é a seguinte: o Palmeiras é o maior clube de futebol do planeta.
Qualquer outro assunto que não trate do que une a todos nós - o Alviverde Campeão do Século - soa como proselitismo fora de contexto.
Jean, me desculpe, mas você precisa aprender a conviver com a diversidade de opinião, mesmo partindo de um editor do OV. Você me parece contaminado pela costumaz intimidação promovida pelos jornalistas extremistas, como Olavo de Carvalho, que ensina seus leitores a desprezar quem é de esquerda, estimulando a reiva e o ódio. Recomendo a leitura do texto abaixo:
“A direita e o lulismo
Por Fernando de Barros e Silva
Na Folha
SÃO PAULO - A chegada de Lula ao poder seguida da ruína moral do petismo serviu de trampolim para impulsionar uma nova direita no país. É um fenômeno de expressão midiática, mais do que propriamente político. Está disseminado em jornais, sites, blogs, na revista. E deve sua difusão aos falcões do colunismo que se orgulha de parecer assim, estupidamente reacionário.
Mesmo que a autopropaganda seja enganosa e oculte que até ontem o conservador empedernido de hoje comia no prato da esquerda, que é só um “parvenu”, um espertalhão adaptado aos tempos -ainda assim, temos aqui uma novidade.
Essa direita emergente já formou patota. Citam uns aos outros, promovem entrevistas entre si, trocam elogios despudorados. Praticam o mais desabrido compadrio, mas proclamam a meritocracia e as virtudes da impessoalidade; são boçais, mas adoram arrotar cultura.
É uma direita ruidosa e cínica, festiva e catastrofista. Serve para entreter e consolar uma elite que se diz “classe média” e vê o país como estorvo à realização de seu infinito potencial. Seus privilégios estão sempre sob ameaça e agora a clientela de Lula veio azedar de vez suas fantasias de exclusivismo social.
Invertemos a fórmula de Umberto Eco: enquanto a direita anuncia o apocalipse, os integrados, sob as asas do lulismo, são testemunhas vivas do fiasco do pensamento de esquerda neste país. Não me lembro de ter visto antes a mídia estampar com tanta clareza os passos da regressão social de que participa.
Do lado oficial, há um ambiente paragetulista de cooptação e intimidação difusas, se não avesso, certamente hostil às liberdades de expressão e de informação.
Na outra ponta, um articulismo de oposição francamente antinordestino e preconceituoso, coalhado de racismo e misoginia, que faz do insulto seu método e tem na truculência verbal sua marca. Deve-se a ele o retorno da cultura da sarjeta e do lixo retórico, vício da imprensa nativa que remonta ao Império, mas que havia caído em desuso.”
Vamos lá. Primeiro o assunto do post.
Falavigna, como você, não tenho opinião definitiva sobre o assunto. É complicado, por isso o coloquei aqui.
Entendo a posição de Alberto Helena. Gosto de quando ele fala das escolhas que a mídia faz sobre quem resolve expor. Agora, a mesma crítica, vinda de JK é, sim, contraditória.
Discordo que Helena não critique o sensacionalismo da matéria. Quando ele fala dos elementos que a compõe está falando nisso, a Placar errou a mão.
Li a matéria e é o que acho também. Tudo é tratado como um grande “furo”, a dificuldade em conseguir a informação é valorizada demais. Só que a matéria é, até certo ponto, superficial. O perfil “humano” de Casagrande é pálido. Para construir uma matéria como foi construída era preciso mais depoimentos e menos off. Com o que tinha nas mãos acho que a revista deveria ter escrito algo mais pontual, menos sensacional (como sugere o Helena).
Jean Carlos, meu caro. Não é para você se ofender se eu chamei a Veja de esgoto. Minha crítica é à publicação, não a seus leitores (posso criticar o Jd Leonor e ter um monte de amigos leonores).
Mas acho sim que a Veja faz jornalismo esgoto. E acho natural expor essa minha opinião aqui, num blog sobre mídia. Minha crítica a ela não é ideológica, não é à linha política, é a como Veja trata suas fontes, o espaço que (não) abre ao contraditório, o desrespeito com que critica seus inimigos. Minha crítica é jornalística.
Dou um exemplo. Duas publicações pelas quais tenho o maior respeito, são o que há de melhor no jornalismo são a revista Economist e o jornal The Guardian, ambos ingleses. O Guardian é esquerdinha, mas a Economist é a expressão máxima do pensamento conservador nos costumes e liberal na economia. Mas faz grandes matérias, tem o respeito de todo o mundo é uma bela fonte de informação.
Nós podemos ter opiniões políticas divergentes, o que não significa que nenhum dos lados é um idiota. Mas é assim que Veja se refere a seus criticados, ou como idiotas ou como mal intencionados. Quando ela resolve abrir uma matéria para criticar o pretenso corporativismo de Kfouri e de outros jornalistas não podemos nos iludir, ela só faz isso para defender seu produto, Placar. Aposto meu dedo mindinho que ela não falaria no assunto se não envolvesse uma publicação da Abril.
Acho, sinceramente, que uma Veja do futebol seria uma coisa inimaginável, pior do que qualquer coisa que criticamos por aqui.
Mas o assunto aqui não é Veja e espero que os que gostam dela não descartem minhas críticas só porque minha opinião política é diferente, sei distinguir as coisas.
Rafael, vi o novo texto (nem tanto assim, né mesmo) texto do Helena e ele realmente dá a entender que se tratou de sensacionalismo. Portanto, a confusão foi minha, e não sua. Em todo o caso, eu discordo: achei a matéria quase simpática a Casagrande e muito, muito suave. A foto colocada lá, vale lembrar, é a última imagem pública de Casagrande. E acho que deve ter sido realmente difícil pular o muro do corporativismo para publicar a matéria - daí as constantes referências às dificuldades na feitura da matéria. E é claro: o post foi totalmente pertinente. Quando disse que não tinha opinião formada sobre o assunto, não disse que alguém já tivesse ou, ainda, que quem a tivesse estivesse certo ou errado. Aliás, tanto o post é pertinente que está rendendo o que está rendendo, mesmo sem sequer tratar do Palmeiras.
Felipe (28), você acabou de, inadvertidamente, comprovar o que eu disse: usou de proselitismo - e o pior, usando um artigo da Folha. DA FOLHA!!! Um jornal anti-Palmeirense até o talo! Um pontapé no saco doeria menos…
Sobre conviver com diferenças de opinião… Eu não frequento um “Clubinho da Direita”. Eu tenho amigos de esquerda. Amigos de, sei lá, 10, 12 anos de convivência. Mas no Brasil de hoje, declarar-se de direita é pendurar no pescoço um cartaz mais ou menos assim:
“SOU DE DIREITA, O QUE EQUIVALE À FASCISTA, TOTALITARISTA, EXTREMISTA, ELITISTA, RACISTA, MISÓGINO, HOMOFÓBICO E MEMBRO DA OPUS DEI”
“(E AINDA SOFRO DE GASES)”
“MANTENHA DISTÂNCIA - E SE DESEJAR, PODE APEDREJAR”
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Rafael (29), entendo o seu ponto de vista. Só que para mim, a situação está pintada da seguinte forma: quem é de esquerda está odiando a ‘Veja’, e quem é de direita está apreciando. E cada qual defende seu ponto de vista num cabo-de-guerra. E daí surge o proselitismo.
Jean Carlos, concordo. Mas fiz toda a explicação porque acho que podemos ir além dessa dicotomia. Até porque acho que é ruim para a direita ter a Veja como representante (é como se o PCO fosse a voz política da esquerda)
Eu usei um texto da Folha, justamente por tratar-se de um jornal que nada tem de esquerdista. E em nenhum momento eu usei de proselitismo. Não defendo esquerda ou direita, pois acho hipocrisia ficar de um lado e compactuar com idéias do outro. Esse texto é só uma elucidação sobre um fenômeno proporcionado pela internet, que acabou por formar uma nova extaltação à direita.
Você acha que as pessoas de esquerda vêem os de direita dessa forma mesmo? Pergunte pro Diogo Mainardi ou Olavo de Carvalho o que eles acham do petismo, de quem é de esquerda e terá uma descrição tenebrosa e, provavelmente, você concordará com isso.
Não tanha dúvida que a dificuldade de alguém se assumir de direita é a mesma de alguém se assumir de esquerda. Só não vê quem não quer.
A opinião do Thiago mereceu o primeiro joinha positivo da nova avliação. Parabéns!!
Minha opinião é a seguinte:
Alberto Helena está no seu direito de criticar. Desde que nunca use do expediente que critica, o que, convenhamos, é difícil na imprensa. Em se tratando de Helena, no entanto, acho que merece o crédito. Não acredito que ele saia por aí expondo fatos que julguem a vida pessoal dos “famosos” alegando “interesse público”. Ponto para ele.
Eu que não sou da imprensa, nunca engoli esse argumento de que não se pode esconder certos fatos haja vista o interesse público e que o contrário é censura, que a lei de imprensa num sei que, num sei que lá e etc e etc. Para mim passa mais por uma desculpa para abusar do poder que a imprensa tem sempre no intuito de polemizar e vender mais, não informando o que de fato interessa e invadindo a privacidade alheia a torto e a direito com fundamento em argumentos infantis.
Voltando ao problema central, é consenso que o Rizek tem razão. Nosso amigo JK, como sabemos, nunca poderia ter abraçado a idéia do Helena exatamente por não ter o crédito que este tem. É aquilo que foi citado. Para meus amigos tudo, para os inimigos… Carece de credibilidade o detentor da verdade e da ética.
Parabéns ao Rizek. Agora deve estar sendo alvo de blogs pequenos por aí.
Saudações Palestrinas.
Felipe (33),
>>”Eu usei um texto da Folha, justamente por tratar-se de um jornal que nada tem de esquerdista”
Felipe, se a ‘Folha’, se não tem nada de esquerdista, tem menos ainda de direitista. Pergunte à qualquer pessoa de orientação conservadora o que ela pensa deste jornal e veja a reação.
>>”E em nenhum momento eu usei de proselitismo. Não defendo esquerda ou direita, pois acho hipocrisia ficar de um lado e compactuar com idéias do outro”
Não me parece isso. Você está defendendo a esquerda - e veja bem, isso não é uma acusação, é uma observação. Lendo seus textos, me parece que você é, como diria simpaticamente o Rafael, “esquerdinha”, mas ou não sabe ou não se assumiu como tal.
>>”Esse texto é só uma elucidação sobre um fenômeno proporcionado pela internet, que acabou por formar uma nova exaltação à direita”
Na verdade, os sites e blogs são pouquíssimos. Chega a ser engraçado o autor do texto tratá-los como “fenômeno”. E se são de direita, é natural que exaltem a direita - certo? Mas seria superficial e tedioso se fosse mera exaltação: o que esses escassos sítios fazem é expor o ponto de vista conservador sobre o panorama político brasileiro e mundial. E é claro que eles vão se promover mutuamente, pô! A Mídia Palestrina não faz isso? Faz. E está errada? Não! Internet, como já disse o Rafael noutra ocasião, é para interligar! Ou quer que sites do Corinthians promovam o OV, por exemplo? Ou ver na primeira página do ‘Vermelho.org’ a chamada “Entrevista exclusiva com Olavo de Carvalho”? Impossível. Sites de interesses iguais se promovem. E devem se promover. Isso se chama “web ring”. Só que o maldoso articulista faz parecer a Klun Klux Klan.
E o texto que você postou a fim de exemplo é na verdade um tiro no pé: releia, analise bem e veja se no fim das contas o autor não se utiliza de truques sujos para denegrir a direita. Note o último parágrafo:
“(…) um articulismo de oposição francamente antinordestino e preconceituoso, coalhado de racismo e misoginia, que faz do insulto seu método e tem na truculência verbal sua marca. Deve-se a ele o retorno da cultura da sarjeta e do lixo retórico, vício da imprensa nativa que remonta ao Império, mas que havia caído em desuso.”
É aquela velha e cansativa história: faz-se um truque de prestidigitação, e “conservadorismo” e “fascismo” são jogados no mesmo balaio. Sim, pois a palavra “direita”, sabe-se Deus porque, ao soar nos ouvidos mais incautos e suscetíveis, faz o desnorteado ouvinte lembrar-se de “skinheads” em jaquetas de couro perseguindo gays (não, não sãopaulinos. Gays mesmo).
>>”Você acha que as pessoas de esquerda vêem os de direita dessa forma mesmo? Pergunte pro Diogo Mainardi ou Olavo de Carvalho o que eles acham do petismo, de quem é de esquerda e terá uma descrição tenebrosa e, provavelmente, você concordará com isso”
Felipe, a maioria vê, sim. Você ME VÊ ASSIM. Veja o seu próprio exemplo, veja o texto que você postou, com ilações sobre direitismo = fascismo, Olavo de Carvalho = extremismo… Veja o que você escreveu sobre mim: “Você me parece contaminado pela costumaz intimidação promovida pelos jornalistas extremistas, como Olavo de Carvalho, que ensina seus leitores a desprezar quem é de esquerda, estimulando a raiva e o ódio”. Primeiro, ninguém me contaminou, ninguém me ensinou, e por gentileza, meu jovem, poderia me apontar uma única linha neste fórum que me mostre “desprezando quem é de esquerda”, e destilando “raiva e ódio” contra quem partilha dessa ideologia? E por favor, será que eu posso dizer que sou leitor do Olavo de Carvalho ou do Diogo Mainardi sem que ninguém me taque pedra? Obrigado.
>>”Não tenha dúvida que a dificuldade de alguém se assumir de direita é a mesma de alguém se assumir de esquerda. Só não vê quem não quer”
Eu tento ver, Felipe, e não enxergo. A dificuldade de “sair do armário” - politicamente falando - é MUITO maior para alguém de direita do que para a ideologia oposta. Verifique nas faculdades e veja qual é a ideologia vigente. Verifique este fórum e veja que o direitista aqui não teve uma única reação de apoio. Só opiniões contrárias - claro que tão educadas e sim, embasadas que dá até gosto.
Fico por aqui. Um abraço.
Hm, o computador não publicou um pedaço do último parágrafo:
“Só opiniões contrárias - claro que tão educadas e sim, embasadas, que dão até gosto. Mas reação a favor? Nenhuma. E não estou choramingando ou posando como vítima - repito: estou só expondo os fatos que observo.
Fico por aqui. Um abraço.”
Jean Carlos
Vcs das suas palavras as minhas
Com todo o respeito, que todos os participantes do blog merecem, está muito chato acessar este maravilhoso espaço verde e ver que o futebol e a relação imprensa/Palmeiras, deixaram de ser o foco das discussões.
A intolerância aparece em cada Post, o que tira de mim, e aposto que de muitos outros, o direito de ler deliciosas opiniões relativas ao futebol, de participar, enfim, de opinar.
Inúmeros fatos, relacionados à atuação da imprensa, já foram aqui apontados, e creio, sinceramente, que em muitos casos fomos ouvidos e tenhamos conseguido fazer algo em prol do Palmeiras.
O foco atual, com as discussões apresentadas, que mais parecem um palco de demonstração da cultura pessoal de cada um, com certeza não terá essa capacidade.
Avante Palestra, apesar deles (imprensa).
Eu não te vejo de jeito nenhum, Jean. Na verdade eu te admiro, pois sempre acompanho suas observações aqui no blog com atenção e respeito, muitas vezes concordando inteiramente com elas.
Eu não sou de esquerda. Não acredito na política institucionalizada, representada por partidos e políticos. Acredito na política do dia-a-dia, que está em cada ato realizado por cada indivíduo. É isso que me faz conhecer fulano ou cicrano e não o número digitado em uma urna a cada dois anos.
Me admira, apenas, esse destrinchamento de meu texto, frase a frase. Tudo bem, se você acha isso legal, sem problemas. Se sentiu tão ofendido principalmente. Isso só começou quando eu sugeri que você não invocasse com uma opinião do Rafael e usei um texto que julgo interessante, que pode ajudar a entender que o atual momento da imprensa política, no caso a de direita. Não fiz ilações fascistas e sei-lá-o-quê, apenas pedi um pouco de aceitação da diversidade.
Vixe minha mãezinha querida, acho que entrei por engano no blog do Noblat.
To fora.
Cade Alex Mineiro???????
Para finalizar de vez este assunto - amarrando qualquer ponta solta que possa ter passado despercebida:
Palestrino.sempre (37), obrigado por ter entendido o que eu quis dizer!
Edson (38) e Sangue Verde (40), concordo: nada pior do que acessar um site ou blog esportivo, ainda mais Palmeirense, e topar com uma discussão política. É um pontapé na região escrotal, por assim dizer. Só que não fui eu que comecei. E não quero de modo algum “demonstrar minha cultura pessoal”. Jesus, meu livro de cabeceira é o gibi do Super-Homem! Como é que eu vou demonstrar o que eu não tenho???
E, finalmente, Felipe: acredite, a admiração é mútua. Acompanho os seus comentários, como os de todos os amigos que postam aqui, e também quase sempre concordo com suas observações. Sério! E não estou escrevendo isso para agradar, porque eu não tentava agradar nem meu querido pai, quanto mais alguém que eu não conheço pessoalmente.
Quanto ao “destrinchamento” do seu texto, não é porque eu tenha me sentido tãããooo ofendido assim. Sem neuras. Não me ofendo fácil. Simplesmente analisei e respondi ao seu comentário parágrafo por parágrafo porque, sendo eu meio burrão - e acredite, não estou sendo autocondescendente ou irônico: eu tenho DDA, e para a massa cinzenta funcionar, só no tranco - assim ficava mais fácil formular e sintetizar minhas respostas. E se você afirma tão convictamente que não é esquerdista, não vou duvidar.
Quanto à diversidade… Meu amigo, eu trabalho em uma repartição pública com mais ou menos 50 funcionários: brancos, negros, mulatos, nordestinos, gays (tanto afeminados quanto sãopaulinos. Hehehe), até um chileno, e me dou bem com todo mundo! Outro dia, engatei uma conversa longa pra caramba (sobre o U2) com um funcionário evidentemente homossexual. Como é que um cara que faz isso tem problemas com a diversidade?
Você está fazendo confusão com o seguinte: eu sou ranheta. Adoro ser ranheta. E quando falo ou escrevo, adoro ser politicamente incorreto, beirando a grosseria. É minha marca registrada, até por, paradoxalmente, ser um gozador! Então, fique tranquilo: o reaca aqui é só pose. Eu não mordo!
Um abraço, e espero que não haja ressentimentos. Da minha parte não há, eu garanto!
E vamos voltar a falar do que interessa:
QUE GOLAÇO DO MARTINEZ, HEIN? Quem diria, o “Mortonez” marcando um tento daqueles…
E, POR FIM…
http://www.olavodecarvalho.org/semana/080327jb.html
“Direto da sarjeta”
Olavo de Carvalho
Jornal do Brasil, 27 de março de 2008
(…) Nos últimos anos, a situação mudou um pouquinho. Um pouquinho, quase um nada. Umas quantas opiniões que antes eram só minhas passaram a ser defendidas também por Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo e aproximadamente uma dúzia de blogs e jornais eletrônicos.
O aparecimento dessa leve irregularidade numa superfície que se desejaria uniformemente lisa e sem mácula foi o bastante para que um estado de alarma e de indignação heróica se espraiasse entre os defensores do pluralismo e da tolerância democrática.
Um desses baluartes da liberdade de opinião, o sr. Fernando Barros e Silva, escrevendo na Folha de S. Paulo, assegura que nós, os intrusos, somos despudoradamente interbajuladores, defensores de nossos privilégios, praticantes do compadrio, boçais, cínicos, exibidores de falsa cultura, desprezadores do Brasil, preconceituosos, racistas, antinordestinos e misóginos. Tudo isso num artigo que não chega a vinte linhas, no remate das quais ele ainda encontra espaço para acrescentar que o nosso método – sim, o nosso, não o dele – consiste na truculência verbal, no lixo retórico e, last not least, na “cultura da sarjeta” (sic).
Lendo isso, sinto-me tão culpado, tão envergonhado da minha baixeza inominável, que nem encontro palavras para responder ao sr. Barros. Recorro, pois, às de um meu companheiro de “cultura da sarjeta”: Fernando Pessoa. Num poemeto delicadamente intitulado “Ora, porra!”, ele assim se referiu aos Barros e Silva da sua época e nação:
“Então a imprensa portuguesa é
que é a imprensa portuguesa?
Então é esta merda que temos
que beber com os olhos?
Filhos da puta! Não, que nem
há puta que os parisse”.