Sobre crises e painéis
Mai 30th, 2008 by Rafael Evangelista
Já adianto que não é aqui que o palmeirense vai ler algo sobre a política interna palestrina. Evidente que nós somos contrários à volta dos tempos de escuridão. Mas nem eu, nem o Tiago, somos sócios do clube, não vivemos o dia a dia das Alamedas, e qualquer palpite nosso seria diletantismo irresponsável.
Dito isso, vamos dar uma olhada na configuração da coisa toda, situação objetiva que o Parmerista e o 3VV já analisaram bem.
Chama muito a atenção como toda a pretensa crise passa pelo Painel FC. No dia da eleição dos conselheiros vitalícios (26) lemos duas coisas por lá:
Melhor ou pior? A diretoria do Palmeiras concentra suas forças em vencer a resistência de conselheiros à remodelação do Parque Antarctica. Fará reuniões para explicar que o estádio não será dado em garantia à WTorre, responsável pelo projeto. Dirá que assinará um termo cedendo o direito de uso de superfície da arena por 30 anos. Na prática, a construtora será a dona do estádio por esse período. O clube pagará aluguel para usá-lo, mas receberá parte das receitas. Já há quem tema uma reação ainda mais negativa após o esclarecimento.
“Della Monica me disse que muita gente o apóia. Falei que muita gente também apoiava o nazismo. Hoje a Alemanha se envergonha”
De LUIZ GONZAGA BELLUZZO, diretor de planejamento do Palmeiras, sobre o presidente planejar prorrogar seu mandato
Quem não entende que o Palmeiras não vai pagar aluguém para usar seu próprio estádio ou tem deficiência cognitiva ou é mal intencionado. Imagine que você queira uma reforma na sua casa e não tenha um puto no bolso. Aí você entra em acordo com a loja de materiais para construção e se propõe a pagar a reforma em prestações, durante 30 anos. De quebra, vocês acertam que ela vai alugar sua casa todo fim de semana, dias que, sei lá, você não fica mesmo em casa, pois vai visitar sua mãe que mora no litoral. O bacana é que você ainda ganha uns trocados, referentes a parte do aluguel que a visita do fim de semana paga. Alguém, em sã consciência, pode falar que você está pagando aluguel para morar na sua casa? Pois é!
E aí tem a frase do Belluzzo. É, o moço é dado a frases de efeito, várias bem bacanas. O problema é que, às vezes, ao contar uma piada de duplo sentido você corre o risco de o interlocutor pode não entender nenhum. Ou seja, num belo telefone sem fio, tem gente dizendo que o Belluzzo chamou o Della Monica de Hitler.
Também nunca é demais lembrar que esse Painel FC já publicou:
Coroa. No coquetel em que conselheiros palmeirenses celebraram o plano de reforma do Parque Antarctica foi festejada a Traffic, empresa que aumentará seu investimento em jogadores para o clube. Ecoava o coro “Ei, ei, ei, J. Havilla é nosso rei”, em homenagem ao dono da firma.
A frase acima constitui-se em flagrante nota plantada. E isso posso dizer com certeza, pois eu estava lá, nenhuma fonte me contou.
Vale lembrar que, desde priscas eras do OV, comentamos que a coluna ecoa, com especial sabor, toda informação que a atual oposição palmeirense quer passar. Muita gente nos comentários aqui já a chamou de “Painel do Mumu”.
Bem, duas notas do mesmo Painel no dia 28:
Aviso. O grupo de Affonso della Monica comemorou a derrota de Gilberto Cipullo e dos aliados dele na eleição de conselheiros vitalícios, anteontem. A turma do presidente palmeirense diz que foi retaliação porque a ala do vice de futebol é contra a extensão do mandato de Della Monica.
No colo. Correligionários de Cipullo dizem que agora racharam com o presidente palmeirense. Como o grupo foi vital para eleger Della Monica, a ala do ex-presidente Mustafá Contursi agradece.
E outras duas no dia 29:
Partido verde
São curiosas as justificativas do grupo do presidente dos Palmeiras, Affonso della Monica, para convencer conselheiros a prorrogarem seu mandato por mais um ano. Uma delas é que a extensão, chamada de golpe pela a oposição, consolidaria a democracia no clube. O cartola precisa de tempo para as transformações. Além disso, a disputa pelo poder numa eleição após o fim da gestão atual, em dezembro, racharia a aliança que o colocou lá. Por fim, quem é contra a continuidade precisa ser “republicano”, e não “xiita”.Apito final. Apesar do racha escancarado entre a turma do futebol e Affonso della Monica, os aliados de Gilberto Cipullo dizem que ele só deixará a vice-presidência de futebol se o presidente palmeirense pedir. E que a desavença não pode tirar a Traffic e seus jogadores do clube.
Tudo o que está aí no Painel é total fantasia? Provavelmente não, o padrão de apuração “J. Hawilla é nosso rei”possivelmente foi uma mancada isolada. Mas chama muito a atenção o tom adjetivado das notas, que não é tão intenso na coluna de que o Painel FC é clone, o Painel do caderno Brasil da Folha.
E outra coisa também pesa. Os leitores e personagens do Painel original são muito mais escolados em matéria de política do que os personagens do Painel-clone-FC. Eles sabem que o que está escrito no Painel-original não necessariamente é um espelho da realidade, muitas vezes é algo que um assessor ou coisa que o valha conseguiu plantar. Mais: os jornalistas que fazem o Painel-original são muito mais cobrados para não se comportarem como corrente de transmissão de interesses. É claro que continua tendo gente plantando nota lá, mas a coisa é menos descarada.
Quando se leva tudo isso para o futebol a coisa fica explosiva, uma coluna dessas ganha poder excessivo. Junte uma apuração menos rigorosa com uma área que envolve paixão, mais uma cartolagem de segundo escalão meio inocente e um monte de gente querendo mandar recado e temos isso aí.
Em resumo: tudo o que sai no Painel FC é mentira? Não. Dá para acreditar em tudo que sai no Painel FC? Não! Ou torcedores, sócios, conselheiros e dirigentes passam a relativizar o que está lá ou a coisa não vai melhorar nunca.
É pra ficar louco da vida com essas “cosias” que o “Pinel” publica… pelo amor.
Lendo a frase do Beluzzo, da forma como foi colocada, realmente deu a entender que ele chamou o Afonso de Hitler mesmo.
E essa frase: “Por fim, quem é contra a continuidade precisa ser “republicano”, e não “xiita”.”, será que nada melhor que se encaixe nesse no lugar de xiita? Pelo amor….
Revoltante!
Rafael, boa tarde.
Não leio a Folha de São Paulo e não sou sócio do clube.
Anoto, porém, que a vida política do Palmeiras, notoriamente, sempre foi tumultuada.
Na minha opinião, há dois grupos: os provincianos (aqueles que estão preocupados com a botcha, a piscina, a sauna, enfim, discípulos do MuMU) e os futebolistas (que é o que mais nos interessa, diga-se de passagem).
Os futebolistas - perdoem-me, uma vez mais, a licença poética - subdividem-se em dois grupos: os vaidosos (é campeão graças ao trabalho dele) e os abnegados (trabalham em silêncio, para o clube).
Como todos os dirigentes são humanos e a vaidade é um dos pecados capitais (sabem, a carne é fraca e as tentações são recorrentes), inevitável que uns queiram perpetuar-se no poder ou fazer as coisas como bem entendem.
O que precisamos - e aí novamente me incluo, já que estou pouco me lixando para a sauna ou piscina - e daqueles que trabalhem para engrandecimento e perpetuação do clube, no sentido de time de futebol.
Por isso, arrepia-me o fato de voltar à era da escuridão. À era do provincianismo.
Elio, para voltarmos a escuridão não é necessária a volta dos provincianos. A parte incompetente dos futebolistas já dará conta.
Para ser um pouco mais claro. Não é toda a parte futebolística que é incompetente, e sim uma parcela dela significativa.
Pessoal, isso é muito sério. É incrível que a paixão de15 milhões de torcedores no Brasil inteirofiquem nas mãos de uma centena de velhinhos politiqueiros de perdizes.
Mais uma vez colocarei minha paixãoà deriva pois, ela não resistirá ao retrocesso da volta de Mumu.
É por essas coisas que o palmeiras entra em filas de títulos, quando entra uma diretoria competente não deixam ela continuar por pura vaidade. Enquanto for assim, não vale a pena acompanhar mais o palmeiras.
Rafael,
Preciso dizer mais uma vez que você expôs as vísceras do Painel FC com extremas eficiência e precisão, sem radicalismo e fanatismo, os quais eu mesmo muitas vezes fiz uso.
Parabéns. Mais uma vez, tá aí uma aula de jornalismo e análise do OV.
O Painel FC não está preocupado com a política interna do Palmeiras. Para ele, não interessa a vitória de A ou B. Usa essa situação ou qualquer outra que possa servir aos seus interesses, ou seja, explorar situações que possam trazer algum tipo de prejuízo ao clube.
Observamos muito a ação dessa coluna durante as disputas de bastidores desse último Paulistão, quando mais parecia uma Assessoria Informal de Imprensa do adversário e não uma publicação de um jornal de grande circulação, que deveria pautar pela neutralidade.
No caso da construção da Nova Arena do Palestra Itália, as notas editadas pela coluna têm a clara intenção de conturbar o ambiente, procurando criar obstáculos a um projeto que não interessa aos concorrentes do Palmeiras.
A forma como o Palmeiras deve implantar esse projeto é uma discussão interna do clube, mas sua implantação modificará o panorama esportivo paulistano.
Com a construção da Arena no Palestra Itália, o Palmeiras se torna o mais forte candidato a sediar partidas da Copa do Mundo de 2014 na cidade de São Paulo e terá o melhor local para eventos de grande porte na cidade. Não é preciso dizer a quem essa condição não interessa.
Tudo o que for publicado pelo Painel FC deve ser visto com reservas. A conotação dos textos sobre a política interna não passa de pano de fundo para disfarçar a atenção dos verdadeiros objetivos dessa coluna.
Como exemplo emblemático do post, vejam o Painel FC desse sábado 31/05. Interlocução privilegiada a Mustafá….
Essa coluna é a assessoria de impensa da oposição.
Recebo a edição impressa da Folha do SP, que a distribuidora insiste em entregar mesmo sabendo que não irei assinar.
O caderno de esportes publicado hoje não traz a coluna Painel FC, pelo menos nessa edição que recebi. São oito página, sendo as páginas 4 e 5 são de publicidade.
A página 2 que costuma trazer a coluna mostra uma matéria do Palmeiras, falando sobre a ausência do Valdívia.
Quanto a linha editorial do jornal e dessa coluna, mesmo que a presidente do Palmeiras fosse a Madre Teresa de Calcutá e o diretor de futebol o Mahatma Gandhi eles iriam trabalhar contra o clube.
O que eu tentei expor no comentário nº 7 foi a intenção do colunista em explorar situações negativas ao clube. No atual momento, o instrumento encontrado para melhor atender esse objetivo é se envolver nos aspectos políticos internos do Palmeiras, sabendo que o tema é de grande repercussão interna.
Pouco tempo atrás, observamos uma verdadeira campanha para denegrir a imagem da instituição e atribuir a condição de inseguro para os locais “em torno do estádio”.
Creio que a avaliação do “em torno do Palestra” não é um assunto que possa ser atribuído à política do clube.
VAMOS DEFINIR,
O PALMEIRAS PAGAR PARA JOGAR NO PALESTRA ITALIA É NOVIDADE ?
NÃO !
ATUALMENTE O CLUBE PAGA , E MUITO, CADA VEZ QUE JOGA NO PALESTRA.
O CLUBE RETIRA 10%da renda para as despesas do estadio, joga 30 vezes por ano e mesmo que arrecadasse 700.000 (utopia) por jogo, arrecadaria 2.100.000 por ano.
as despesa só com o estadio , tudo inccuido, dá 8 milhões por ano.
portanto que venha a arena que passaremos a receber e não pagar a cada jogo
Marco Verdão, ao ler seus comentários que complementam de forma muito didática o também excelente post do Rafael, surgiu-me uma dúvida. Desde pequeno ouço falar na rivalidade histórica do grupo Estado contra o grupo Folha. O Observatório Verde mostra de forma clara como o grupo Folha é contra o Palmeiras. Nunca passou pela cabeça do grupo Estado fazer um antagonismo com esta postura do rival? Eles teriam um monte de matéria-prima para fazer a festa, assim como nós aqui nunca ficamos sem assunto para criticar a parcialidade da imprensa. Infelizmente, já li aqui em algum lugar que o grupo Estado também tem raiva do Palmeiras. O grupo Estado teria origens na elite cafeeira quatrocentona, que “detestava perder para os italianinhos”.
Daniel,
O Palestra/Palmeiras foi sempre um intruso na festa.
Estado e Folha são rivais, como são rivais Gambás e Bambis.
Peço que leia o livro “Imigração e futebol, o caso Palestra Itália”. Com essa leitura podemos entender o envolvimento histórico do Palestra/Palmeiras nesse contexto.
Por eles, o Palestra/ Palmeiras não existiria e tudo ficaria dividido entre dois.