Essa é de sexta-feira, mas é tão boa que decidi recuperar.
Vem da Folha, e o título enuncia bem a tese da matéria: Adriano não ganhou picas nenhuma, mas só a marquetagem gerada já pagou o investimento.
Sem taça, Adriano quase se banca com camisas
A 10 do atacante teve 44 mil unidades vendidas em seu período de São Paulo
Número representa 70,4% do que o clube gastou em salários do jogador, numa média de 280 exemplares vendidos diariamente
Então vamos lá, prestando atenção nas premissas e nas continhas vamos ver como se faz uma bela bagunça.
Na sala de troféus do Morumbi, o atacante Adriano não trouxe nenhum impacto para justificar seu investimento, mas o torcedor de fato “bancou” o jogador, como disse Juvenal Juvêncio em entrevista à Folha no início deste ano.
Só para nos localizarmos, comentários na imprensa dão conta que o Jardim Leonor pagava R$ 300 mil por mês ao seu Imperador. O resto ele recebia sei lá de quem.
Se a sua passagem relâmpago no clube tricolor serviu apenas para reposicioná-lo profissionalmente no mercado da bola e nos critérios de Dunga, prejuízo não houve: só a venda de camisas diretamente relacionada a ele pagou 70,4% dos salários do centroavante.
Bom, se os leonores não ganharam nenhum título com Adriano a vinda dele significou um aumento de arrecadação direta próximo a zero. Se a venda de suas camisas pagou 70% do salário, 30% ainda é prejuízo, certo? Bom, mas vamos em frente, que das incongruências essa é a menor.
Recuperado para o futebol em alto nível e convocado para quatro malfadados jogos da seleção de Dunga, o atacante, apelidado de “Imperador”, “vendeu” cerca de 44 mil camisas tricolores número 10 até 31 de maio, segundo o clube.
Vamos começar a fazer umas continhas por alto?
6 meses de salário x 300 mil = 1,8 milhões
Venda de camisas 10 por 4 meses = 44 mil
Arredondando o salário para 4 meses = 1,2 milhão
Mesmo sendo a camisa 10 um símbolo de tremendo apelo junto aos torcedores, os números ainda são respeitáveis. Sozinho, o jogador, que retorna agora à Inter de Milão, representou um aumento de 30% nas vendas de material esportivo como um todo, conforme apurado pela reportagem.
Alguém consegue explicar como alguém “sozinho” consegue “representar um aumento de 30% das vendas como um todo”? Bom, tem duas alternativas: considerar que o que aumentou em 30% foi a venda de camisas 10; ou que aumentou em 30% a venda de material esportivo leonor como um todo e, esse aumento, a Folha atribui exclusivamente a Adriano, considerando que o Campeonato Brasileiro que os caras conquistaram o ano passado não representou nada.
Nas duas alternativas há problemas lógicos. Na primeira, é desprezar que a venda de camisas 10 canibaliza a venda de outros números (o pequeno leonor ia compra a do Ricky, mas desiste pela de Adriano). Na segunda… bom, já expliquei.
Como o São Paulo recebe da Reebok 10% de royalties sobre cada camiseta vendida, no valor de R$ 160, o clube recebeu em torno de R$ 704 mil. De 23 de dezembro, data do seu anúncio, até o 31 de maio, segundo os dados, Adriano “vendeu”, em média, 280 unidades por dia.
Se foi anunciado no dia 23, ainda não estava disponível nas lojas a camisa personalizada. Deve ter levado, no mínimo, uma semana. Dá a impressão que começam a contar dessa data para aproveitar o boom de Natal. Mas ok.
Só que uma camisa leonor não custa 160 pilas. Hoje, o modelo novo custa 150.
Então vamos considerar 44 mil camisas x 15 pilas = R$ 660 mil. Nas contas da Folha são R$ 704 mil de lucro em camisas 10.
Mas, peraí. Se fosse outro cara a usar a camisa 10 ainda sim venderia alguma coisa, certo? 30% menos, mas venderia. Então o fator Adriano aí é só o aumento de 30% nas vendas. Ou seja, a venda regular seria de 34 mil camisetas. Bota aí uma crescida de 30% e chegamos aos 44 mil anunciados. Então temos 10 mil camisas 10 a mais sendo vendidas. Vou ser bem bonzinho nessa conta e aumentar uns números de lambuja, para o caso de o aumento das vendas da camisa 10 ter sido mais do que 30%. Vamos dizer que foram 20 mil camisas a mais vendidas e que o pedágio leonor é de 16 reias pra cada uma (e não 15). Dá 20 x 16 = 320 mil.
Opa, opa, o fator Adriano é, então, R$ 320 mil!
No mesmo período, o goleiro Rogério, tradicional campeão de merchandising entre os são-paulinos, vendeu 26 mil, mesmo tendo a seu favor o lançamento de um modelo novo.
“Trata-se de um case de sucesso, tanto no âmbito esportivo quanto no marketing”, afirma Júlio Casares, diretor de marketing do clube do Morumbi, ainda que desprezando o fato de Adriano não ter levantado qualquer taça no seu semestre são-paulino. Caiu com o São Paulo nas semifinais do Paulista, diante do Palmeiras, e nas quartas-de-final da Libertadores, diante do Fluminense.
Em salários do jogador nesses quase seis meses, o investimento foi de R$ 1 milhão. A Inter pagava a maior parte dos vencimentos, enquanto o São Paulo comportava o restante -em torno de R$ 160 mil.
Continuando as continhas e continuando a generosidade. Vamos então acreditar no seu Juvenal e aceitar que o Imperador representou um investimento de 1 mi de reais. Proporcionalmente, para 4 meses, isso dá R$ 640 mil. Xiiii, então não é 70%, é 50%! E isso na mais da mais da mais otimista das continhas. Na pessimista, temos salários de 1,2 mi, com aumento de venda de 10 mil camisas e aumento de lucro de R$ 150 mil (10 x R$15).
Ou seja, o aumento de venda das camisas pagou entre 10% e 50% do salário do jogador, e não 70,4%, como diz a Folha. (Aliás, alguém devia dizer a eles que esse número de casas decimais - os 0,4% - não faz o menor sentido em uma conta aproximada como essa).
Ah, se o Palmeiras conseguisse emplacar matérias positivas como essa… Já imaginaram uma sobre o sucesso da verde-limão?
Belo texto, Rafael!
apenas uma ressalva: os salários foram pagos integralmente pela Internazionale. Aliás, diga-se, a Inter até deu uns a mais para o Jd. Leonor! É ou não é totalmente verossímel? Não? Que importa? É o que a imprensinha quer que acreditemos.
Quanto à nossa camisa 3, pela imprensa não deve ter vendido nada.
Abraços e FORZA PALESTRA!
O filho do Leco é diretor da folha de são paulo né………
ele dever ser bem forte por lá
Rafael e Tiago (desculpe mas eu não lembro mais quem postou sobre o Nicolelis),
No jogo de hoje me lembrei do Nicolelis. Quem leu a entrevista na caros amigos deve se lembrar do episódio do artigo de revisão da Nature. Ele descreve o gol do Pelé contra a Itália no primeiro parágrafo e ressalta como nossos cérebros, acostumados a ver o Pelé saltar mais alto cabecear e marcar, já antecipam o gol no momento do cruzamento do Rivelino.
Pois é, hoje quando a bola saiu do pé do Élder Granja eu já sabia: é caixa. O Alex nesse tipo de lance dá até uma impressão de dejá vu; a corrida no espaço vazio e cabeçada no ângulo já foram repedidas tantas vezes que já estamos acostumados.
Claro, o Alex não é nenhum Pelé. Mas nesse lance meu cérebro já sabe: é caixa!
Pedro.
Belo texto Rafael! Só estou na dúvida de qual teoria explicaria esta (mais uma) bobagem da Folha de S.Paulo.
Primeira teoria: os caras da Folha de S.Paulo são bem fraquinhos de matemática. E bota fraquinho nisto, porque o cálculo em questão só envolve aritmética simples.
Segunda teoria: Júlio Casares, diretor de marketing do SPFW, é quem dita as matérias para os “repórti” da Folha de S.Paulo levarem para a redação. Nesse caso mostra o quanto eles são obedientes e escrevem direitinho o que o “chefão” manda.
Eu acho que as duas teorias são boas e não são excludentes. Ficarei com as duas. Provavelmente os caras que receberam estes dados do sr. Casares não tiveram a capacidade de questionar os números, porque entre outros defeitos da Folha de S.Paulo, seus analistas esportivos não conseguem fazer as quatro operações.
Nem vou entrar na questão do lucro do SPFW com vendas de camisas da Imperatriz. Mas por que toda essa puxação de saco?
E com nossa camisa verde-limão?? Quantas foram vendidas?? SUCESSO TOTAL, o Palmeiras deve ter lucrado milhões com ela, e teve por acaso, qualquer matéria na imprensinha, elogiando o Palmeiras??
É uma vergonha, cambada de comprados…
Noooooooooossa!
Mas que coisa, hein?!
Avisa lá na Folhinha que a camisa do Valdívia, verde-limão, foi recorde mundial de vendas da Adidas…
Sinceramente eu tenho nojo do pessoal da imprensa esportiva, um bando de baba-ovo de jogador de futebol.
Excelente texto!
Isso tudo é muito fácil de explicar.
Incompetência e falta de ética.
Quando o jornalista é pautado por assessoria de imprensa, reproduz tudo o que lhe é contado, sem apurar, sem ser capaz de uma análise crítica, aí é uma baita incompetência.
Quando o jornalista fica babando ovo e levantando a bola de suas possíveis fontes, para, excluindo a hipótese de ser um torcedorzinho travestido, ter acesso aos bastidores e a eventuais furos, aí é falta de ética.
Devem achar que somos todos imbecis.
Para ouvir teorias sem base e bobagens de torcedor vou até um boteco…jornalismo deveria ser algo diferente…
Pera la! O bambi pagava salario da imperatriz?? Mas os bambis mesmo nao disseram que quem bancava todo o salario era a inter, e que eles nao estavam pagando nada por ele?
Foi isso que saiu nesse mesmo lance e folha do sp, qdo a imperatriz veio jogar, e algumas pessoas (eu, inclusive) disseram que o bambi pagava grande parte do salario, e dai vieram na imprensinha dizer que nao! que o bambi nao pagava nada! de repente passou a pagar?? Que coisa, hein???
PQP viu, não tem um meio de comunicação em massa como essa porra da folha dos bambis que venha a público mostrar todas essas maquiagens leonores e as mentiras descaradas como disse o goleiro verde aki em cima….
Po, não é possível que não tenha algum palestrino influente, que veja essas babaquices e diga alguma coisa, fico puto com o que parece ser uma venda nos olhos de muitos por aí kct.
Pode ser rádio, jornal, revista o c*#@lho a 4 mas metam o pau !!!
* Ps: Filho do Leco akele do video do gás né?….sobre isso a folha não vai falar nunca mais.
Elio (1) o Bambi pagava sim, lembra q multaram a imperatriz em uma porcentagem do salario no começo do ano?
Se eles nao pagavam como multaram.
E no fds eu pensei a mesma coisa desse post, e tem mais, aqui em Marilia, eu não vi sequer uma camisa do Adriano, já é dificil de ver original, ainda mais da imperatriz, mais uma jogada de marketing da diretoria visionaria!rs
A Folha, já há uns vinte anos, adora números esquisitos. Houve uma reportagem célebre em que falavam em pessoas 5% menos amadas, como se amor pudesse ser medido em percentual. De todo modo, esses números aí foram apresentados pelo SPFW (adoro essa sigla), e aí é caixa: veio em números, e números exóticos, 70,4%, ah, eles não resistem. Aliás, é justamente esse 0,4% que dá aos folhosos a idéia de que a informação é séria: veio apurada até aos décimos de por cento! O Palmeiras devia fazer coisa igual, dizer que a verde limão vendeu 84,93% a mais. Eles caem.
Aliás, o post do Barneschi mostra como eles são sérios quando o assunto é números do Palmeiras: http://forzapalestra.blogspot.com/2008/06/para-cumprir-tabela.html.
Rafael, será que tiveram que vender tantas camisas assim? Olha como a imprensa inflaciona e reduz valores à vontade:
http://globoesporte.globo.com/ESP/Noticia/Futebol/Sao_Paulo/0,,MUL236025-4286,00.html
Oras, se ele ganhava no SPFC 10% do q ganhava na Inter, não pode ser mais do q R$100 mil (+- U$50 mil). Será q já não vendia o suficiente de camisas 10 no SPFC para cobrir isso?
Lembrando que camisa 10 é um item q vende sozinho, porque é um fetiche futebolístico. Será que se o Adriano fosse camisa 3 a alta nas vendas de camisa 3 seria tão expressiva?
Enfim, imprensa e SPFC vivem disso: de continha mentirosa. Pra um time q acha q daqui a 10 anos será a maior torcida do país, qqer fantasia é válida.
Amigos,
Há que se dar um desconto. Toda camisa 10 vendida pelos bambis se deve ao Adriano. Afinal, quem compraria uma camisa 10 pertencente a Souza ou ao Zidanilo…hehe.
Falando sério: como é possivel a imprensa engolir números à revelia de qualquer checagem? Como é possivel um jornalista - um observador da sociedade - não ter qualquer afinidade com números e bom-senso?
Isso lembra a piada que o Carlos Brickmann - jornalista e colunista do Observatorio da Imprensa - faz com as passeatas que juntam 2 milhões na Av. Paulista: a Paulista tem 2.000 metros de comprimento com 100 metros de largura. Então havia 10 pessoas por metro quadrado na Paulista….
Abraços,
Marcos
Essa matéria é similar aquela que o gambá teve mais de um milhão de acessos nas primeiras horas do lançamento da TV gambá e que venderam mais de 100 mil camisas da frase de c-o-r-n-o “nunca vou te abandonar”.
Detalhe, a TV gambá tem hoje menos de 10 mil assinantes.
Papinho furado. E não aparece ninguém na imprensa para questionar.
Vai ver a camisa que foi bastante vendida foi outra, com mais apelo:
http://coisaverde.blogspot.com/2008/06/aula-da-escola-tricolor-de-publicidade.html
Amigos, por favor, parem de falar do São Paulo. Nosso adversário é o Chorinthians. Em qualquer divisão que elas ou nós estivermos. Temos camisa.
Porque vocês não falam da Portuguesa? Porque não falam da Ponte Preta? Deveriam fazê-lo, já que dedicam tantos posts a um time que tem tanta ou menos tradição que os demais citados. Discuto (e ganho sempre) horas com chorintianos. Não perco meu tempo com os bichinhos. Não vou discutir com torcedores de Goiás, Sport, Juventus da Mooca, Portuguesa Santista. Portanto, não perderei meu tempo discutindo números de quem quer posar de uma grandeza que não possui. Times grandes somos nós e nossos arquirrivais. O resto, nem mil Libertadores comprariam..
Alessandro (17):
Só discordo de você em um ponto: devemos analisar e criticar adversários que estejam pelo menos na mesma divisão que nós, não esses times da segunda divisão que costumam dividir o horário da TV com o Raul Gil aos sábados de tarde.
Volto a fazer a sugestão para que um tópico sobre os “setoristas” dos clubes.
Quem são eles?
Já trabalharam em outros times?
Para quem torcem?
Escrevem por vontade própria ou seguem linhas editoriais?
Por que em alguns clubes eles omitem informações e apenas retransmitem o que o clube quer?
Por que, em outros, exploram apenas assuntos que possam causar tumultos?
Como eles são tratados no Palmeiras? São bem recebidos ou têm problemas de relacionamento?
Como explicar o comportamento de pessoas que vivem o dia a dia do time de futebol, mas atuam de forma tão oportunista, em determinadas situações?
Sobre os órgãos de imprensa.
Qual o perfil da direção de cada um deles, pelo menos dos mais conhecidos?
São ligados a algum clube, por razões comerciais e/ou pessoais?
Talvez, um esclarecimento geral sobre cada uma dessas partes possa mostrar ao público os motivos de determinadas condutas que observamos no jornalismo esportivo.
E o mais impressionante é que foram necessárias quatro mãos (dos jornalistas Márvio dos Anjos e Ricardo Viel) para cozinhar o release. Pelo visto, nenhum dos dois tinha uma calculadora por perto.
Bom Tiago, eles pelo menos tinham vinte dedos. Será que não ajudava?
Pedro.