Cedo, muito cedo
Jul 24th, 2008 by Tiago Soares
Com algum atraso, uma pequena palavra sobre a perda de Luiz Fernado Bindi.
Chegamos a trocar mensagens, ele no OV, nós no Futebol é uma Caixinha de Surpresas. Não o conheci pessoalmente, mas parecia ser um grande sujeito.
Rara ilha de sensatez, a crônica esportiva sentirá, e muito, sua falta.
PS: Leandro Iamin postou um belíssimo texto em homenagem a Bindi nos comentários. Não deixe de ler.
Me permitam postar o texto que fiz ao meu amigo Bindi, cuja morte é uma dor que não tem nome.
*Nessun Dorma*
Chego em casa quase meia-noite. Minha mãe me recepciona e eu lhe presenteio com um aparelho de MP3 que ganhara horas antes. Ela agradece mas não entende muito. Explico didaticamente a finalidade do bichinho. Ela comemora e pergunta se pode ouvir qualquer música. Digo que ponho o que ela pedir. Ela cita uma música. Eu pasmo. pergunto porque justo aquela.
-Essa música a Vandinha pediu pra eu ouvir no dia que ela morreu, quando a gente era menina.
Eu engulo seco. Tento lhe contar uma má notícia, mas opto por uma frase mais simples.
-Mãe… a gente se acostuma com essa coisa de morte?
-Ah, filho… não tem jeito, sempre dói. A gente não aprende.
Eu tomo o MP3 de sua mão e vou para o quarto, chorar e escrever estas linhas. A música que ela citou era exatamente a mesma que estava ouvindo, horas antes, fim de tarde, na mesa de trabalho, quando recebi a notícia que me congelou a espinha.
Estava vendo o blog do meu amigo, o jornalista e geógrafo Luiz Fernando Bindi. Uma postagem nova tinha uma foto curiosa, que mostrei ao parceiro de sala, e depois enviei, por link, para alguns amigos online. Um deles me respondeu.
-Legal a foto, mas você me enviou pela foto ou pela morte?
E foi assim que soube que Bindi partiu. Estava na sala de seu blog, no quintal de sua postagem, avisando os vizinhos para que olhassem aquele quintal. Tão vivo. A música se seguiu enquanto eu chorava e tinha que receber na porta o tal amigo que me daria o MP3.
Não consigo levantar da cadeira. “Digam que não estou”. Tento notícias. E é fato que o coração amável do gordinho mais batuta da Mooca parou de bater. Falo com meu amigo Kadj Oman, para dizer a ele que sou feliz em te-lo conhecido este ano. Algo que queria ter dito a Bindi, a melhor pessoa que conheci nos últimos tempos.
A última vez que falei com ele foi via SMS, como sempre fazíamos após os jogos do Palmeiras. abro a mensagem e não soa como vindo de um falecido. Falo com uma colega da rádio 105FM. Vão pipocando mensagens pela internet toda. Perplexas. Tetricamente, recados choviam no orkut do nosso Bindi.
Que me chamava de “Foca de Base”, desde que montamos uma metáfora futebolística para os estágios de nossa carreira, que, inclusive, ele vinha tão feliz em construir. Que eu chamava de “novo Claudio Zaidan”, posto que costumávamos ter os mesmos ídolos. Que nunca me poupou, nunca foi paternalista, e isso só valorizou cada elogio que fez aos meus atributos profissionais. Que já me deu conselhos amorosos, morais, me deu dicas de mercado e cinema, e sempre foi absolutamente generoso ao passar seus conhecimentos, dividir suas informações, ensinar seus métodos, a quem quer que fosse, e a mim também. Ele sabia que o único capital intangível está naquilo que fica quando a gente se vai.
Falávamos muito sobre ópera. Tínhamos cachorros da mesma raça, e o amor dele pelos bichos era divino. Eu tinha prazer em ter no Bindi um lugar pra aprender de pouco em pouco, um nome que eu podia ter como referência, porque ele era um profissional obcecado por lisura e conduta linear, e uma pessoa de inesgotável doçura. Um cara e tanto. Só 35 anos. Um dos maiores arcabouços culturais desse país não pode mais ser acessado.
Eu não queria só agradecer a força que ele sempre me deu desde que viu meu trabalho. Eu queria tocar minha carreira com ele por perto. Sabe lá o que será do meu futuro. Mas eu queria ver o que seria do promissor futuro dele. Não verei.
É normal que, quando alguém morre, surjam relatos hiperbolizando a bondade do sujeito. Aos olhos de quem não o conheceu, Luiz Fernando Bindi é uma dessas vítimas. Pois ele era uma espécie de unanimidade em seu universo. Sábio e confiável à primeira vista. Um dos mais talentosos pesquisadores desse país. Um cara que, por mais torpe que soe, não podia nem merecia morrer tão cedo, e tão antes de tanta gente. Insubstituível.
Dói e a questão não é se acostumar. É certo que vai ficar um pigarro, um arranhão na garganta. Esta falta vai incomodar a cada um de nós. Por mais que daqui pra frente tudo aconteça de bom, haverá a ressalva: “Mas seria melhor se o Bindi estivesse por aqui”. O moço tão simples e de tão absurda capacidade, que eu conheci há tão pouco tempo e já tenho que me despedir. E fui.
-Você era amigo do trabalho dele?
-Não. Eu era aluno.
conheci o trabalho dele esse ano……………….realmente vai fazer falta…….imagino pra quem convivia com ele!!!!!!!!!!!!!!
Meus pêsames aos parentes e amigos do Bindi. Realmente é difícil encontrar palavras para essas horas… Que Deus o tenha a seu lado e conforte aqueles que o amavam aqui…
Mas mudando de assunto, entrei no globo.com achando que, finalmente, ia encontrar uma manchete exaltando o bom futebol do Verdão e o destaque principal de esportes é …..
“Artilheiro Alex Mineiro não descarta sair do Palmeiras”
Caramba!!! É só especulação, o incerto vale mais que o concreto dependendo do interesse deles… PQP!!!
Essa do Bindi doeu… Que perda. Lamentável!
Uma pena, uma pena!
É infelizmente são coisas da vida.
Que Deus ilumine seu caminho
Que Deus me perdoe, mas tem tanta porcaria na crônica esportiva que poderia ter “ido” no lugar do Bindi…
Belíssimo texto, Leandro!
Realmente a morte do Bindi foi muito triste para todos aqueles que conheciam ao menos o seu trabalho.
Eu ia convidá-lo para ir ao Mondo, e tenho certeza que seria um programa memorável, mas sei que ele continua nos acompanhando lá de cima.
Um dos poucos da classe que merece respeito, vamos seguir agüentando a canalhice dos outros.
Homens como ele não devem ser esquecidos nos meios jornalísticos ou entre os formadores de opinião.
“Construir para poder conquistar! Acreditar sempre!”
Pessoal, realmente triste a passagem prematura de Bindi, agora off-topic.
Estava eu assistindo ao Esporte Espetacular, os caras cobrindo a seleção olímpica, sem assunto, fizeram uma matéria dizendo que os jogadores que atuam no Brasil se sentiam meio que peixes fora d´água, já que dos 18 convocados 12 atuam na europa e coisa e tal.
Eis que Mauro Naves vai entrevistar o abominável Tiago das Neves, e ele comenta o seguinte; “É, a gente se sente meio por fora, os caras só falam de Real Madrid, Milan, Barcelona, eu vou falar de Fluminense?”. É mole ou querem mais?
Ainda bem que essa coisa ficou por lá.
Ouvindo o dinheirista ontem pela manhã, ele deixou no ar que o Bindi havia sido limado por Juca Kfouri - ou pelo Paulinho, não sei dizer - quando este ficou sabendo das ligações do palestrino com MN. Assim ele deixou o Blog do Birner. Disse também está em circulação um e-mail dum André Rocha que esclarece toda a situação. Alguém sabe de algo?
Quero dizer: “Ontem pela manhã, o dinheirista deixou no ar…”