Tudo ao mesmo tempo agora
set 21st, 2008 by Rafael Evangelista
Como a semana foi infernalmente corrida, vou tentar falar de várias coisas ao mesmo tempo. Mais tarde computo as NotasOV e abro um novo tópico.
Sobre bairrismos
Que o Grêmio (jogadores, diretoria, torcedores, imprensa) é o time mais chorão com relação a bairrismos qualquer um que viveu os anos 90 sabe. A coisa é tão forte que já deve fazer parte da alma gremista sair por aí reclamando que o “eixo Rio-SP” (ou simplesmente “eixo”, para eles serem a parte boazinha da história) não lhes dá o devido valor, não vê como eles têm que ser temidos, como eles são roubados, como os pederosos estão contra eles e blábláblá.
Agora que o time de Celso Hot (obrigado aos amigos do Impedimento, esse apelido é genial) ensaiou um leve declínio, e o Palmeiras ensaiou um pequeno calor no cangote deles, a coisa desandou de vez. Até o ex-leonor Jean veio reclamar que a “mídia quer que o Palmeiras seja campeão”. Ah, faça-me o favor!
E a diretoria gremista manipula bem esse tipo de sentimento e o usa para jogar a pressão nos adversários. Qualquer interpretação contrária a eles vira “a opressão do eixo contra o resto do país”. Os “blog de torcedor” da Globo.com são um lugar curioso para observar esse fenômeno: os gremistas comentam avidamente no blog de outros time e invariavelmente falam sobre “como o eixo oprime e despreza o resto do país”.
Quem incorporou muito bem essa tática de acirrar as rivalidades regionais foi a diretoria do Sport. Qualquer comentário negativo com relação aos jogadores ou estádio do time da cachorra de peruca era interpretado logo como uma ofensa preconceituosa ao Nordeste.
Estou negando que haja preconceito, soberba, ignorância etc? Não, há muito disso e infelizmente em muita gente. Vide as declarações do goleiro de hóquei diminuindo a Copa do Brasil e os lugares ermos do país. Mas o modo como o futebol acirra esses sentimentos de inferioridade-superioridade, preconceito-reação-ao-preconceito, orgulho regional e outros, é um fenômeno bem interessante de se observar.
Aí, vamos aos fatos. Como interpretar essa coisa toda do ponto de vista do grupo de pessoas que acompanha os constantes desrespeitos/equívocos/sacanagens da imprensinha com relação ao Palmeiras? Está havendo um oba-oba um pouco acima da medida, já que o Palmeiras ainda é o segundo? Sim e não. Não porque, como os amigos demonstraram bem no tópico anterior, o grosso das matérias da imprensinha continua sendo de manchetes negativas, em especial se comparadas às manchetes do Jardim Leonor. Ao mesmo tempo, a imprensinha está um pouco célere demais em tratar o time de Sexy Roth (gracias, muchachos) como carta fora do baralho. Minha impressão é que isso é uma armadilha (não-consciente, mas ainda sim uma armadilha do nosso ponto de vista): na primeira derrapada do Palmeiras - e é esperado que ela aconteça em algum momento - vão criar um fantasma que vai nos atormentar.
Mas, para além disso, há uma questão estrutural. Até minha vó sabe que o SporTV é um canal carioca, global. Até o asfalto da avenida Roberto Marinho sabe que a ESPN é uma emissora paulista, da Abril. Erra é quem vê nesses veículos algo nacional. É até algo que eles fingem tentar, mas nunca é com um esforço verdadeiro. Afinal, a coisa alí é mercado e só. Então, cada um com a sua imprensinha.
Um exemplo
Nesse sentido, o GloboEsporte.com talvez seja o veículo mais esquizofrênico com relação ao Rio-SP. Teve aquele caso recente do setorista do Fluminense alfinetando o Palmeiras.Agora encontrei isso numa matéria do caso Thiago Cunha:
De acordo com o regulamento da Conmebol, cada clube pode inscrever 25 atletas até 48 horas antes da primeira partida de cada fase. No caso do Palmeiras, em uma primeira lista, o camisa 25 do time paulista era o atacante Jorge Preá. No entanto, na segunda partida, quem atuou com o uniforme foi o também atacante Thiago Cunha, que marcou dois gols na vitória por 3 a 0 sobre o Vasco. A reclamação dos cariocas é que o atleta não foi inscrito no prazo estipulado, já que o seu nome só foi publicado no BID da CBF no dia 12, fora da data que o colocaria em condições de jogo para a competição sul-americana.
Eu não consigo pensar em explicação mais mal dada para a coisa toda. A tal lista de que falam foi o comunicado distribuído à imprensa, nada oficial. O erro foi logo corigido (me lembro porque recebi os dois releases). Mas a matéira faz uma confusão entre primeira lista, segunda lista e segunda partida, dando a entender que realmente houve maracutaia.
Pra mim, isso se deve a essa esquizofrenia. O GloboEsporte.com não sabe a quem fala. Eles gostariam de poder escrever apenas a um torcedor, e assim poder fazer aquela matéria direcionada e popularesca (como a imprensinha acha que tem que ser a notícia sobre futebol). Mas não dá, porque agora o que circula no Rio circula em São Paulo, no RS e em Pernambuco. A solução seria apurar direito, mas…
E a tosqueira pura (eféquis)
Alguém aqui já disse que a narração e comentários do eféquis até que são bons. Pode ser, mas vi uma tosqueira engraçada agora, nos Railaitis da Sul-Americana (um melhores momentos). Thiago Cunha faz um golaço. O narrador grita o nome dele mas logo se corrige: Jorge Preá! Então sai o terceiro gol, e o narrador segue o fluxo: Jorge Preá! Aí ele lê na camisa do cara, naquela cena belíssima em cima do símbolo do Palmeiras: Thiago Cunha. Sem jeito, ele tenta consertar, até que tem uma idéia genial: “… ou seria Thiago Preá?” Sei lá, pode ser Jorge Cunha também.
Imprensinha por um dia
Duas recomendações no estilo “Imprensinha por um dia”. Vale ficar de olho no Painel CZ, do Cruz de Savóia. E o Imprensinha Gambambi pega pesado, mas tem seus momentos.
Quando o Diego Souza, há umas duas semanas, falou que queria ver como o Grêmio se comportaria sob pressão, muita gente achou que ele estava falando demais.
Aí está.
O Palmeiras perdeu merecidamente para o Sport em casa e todos nós ficamos abalados, achando que o título já era, mas centrando todas as críticas em nossos próprios erros.
Juntamos os cacos e conseguimos uma vitória que nos recolocou na luta.
O Goiás foi o Sport do Grêmio. Ganhou porque foi mais valente, confirmando sua ótima fase.
Mas em vez de usar a derrota para refletir sobre os próprios erros, preferiram iniciar uma campanha de auto-piedade ufanista provinciana, disparando uma montanha de asneiras para todo lado, a começar pelo técnico.
Fosse eu dirigente do Grêmio - ainda em vantagem na tabela -, decretaria uma lei do silêncio interna, mais ou menos ao estilo Palaia, na base do “calem a boca e vençam os jogos”.
Como eu não sou, espero que continuem destemperados, percam totalmente o rumo e transformem o Olímpico num vale de lágrimas.
Preparem-se, ao menor sinal da SEP em 1.º lugar virão golpes violentíssimos, tentando alijar-nos da disputa. Vão procurar até encontrar um fato novo.
É bom termos cuidado e não oferecermos munição ao inimigo.
“Construir para poder conquistar! Acreditar sempre!”