Ir, não ir, acabar fondo
jun 5th, 2009 by Tiago Soares
A Folha de S. Paulo, acho que todo mundo sabe, reserva o espaço de sua terceira página para textos opinativos. Aqueles artigos que, em tese, não seriam subordinados à opinião do jornal, representando a vastidão ideológica deste mundão velho sem porteira.
Então. Na edição desta sexta-feira, 05/6, foi a vez de um cartola subir no caixote. Não um executivo da CBF, ou qualquer outra confederação, associação ou coisa que o valha. Mas um diretor de clube.
“De qual clube?”, pergunta o amigo leitor, a dileta leitora.
Bom, eu sei, pode soar repetitivo e tal. Mas sim: era um dirigente leonor.
Intitulado “SP e a Copa: responsabilidade e legado”, o texto é escrito por João Paulo Jesus Lopes. E, sinceramente, entre as categorias “artigo” e “ensaio”, eu o classificaria como “aviso aos acionistas”. Porque em vez de oferecer argumentos sobre alguma ação, idéia ou posição político-institucional, texto se resume vender a idéia de que o Morumbi é um ótimo, ótimo investimento para a Copa.
Nada contra um grão-leonor tentar vender sua idéia (sofra reforma ortográfica, sofra!). A mídia serve pra isso mesmo, pro debate comer solto. O que pega, na minha opinião, mais que o texto em si (e isso é assunto para outro post), é o espaço no qual foi publicado.
Normalmente, a coluna de debates de um jornal diário abriria espaço a representantes do pensamento ou das ações de certa comunidade ou instituição - governo, ONGs, partidos, Academia, etc etc. Isto posto, o que me coça a cabeça é onde, exatamente, se encaixaria um clube de futebol.
Clubes de futebol ficam na zona nebulosa entre o interesse público e privado. Um exemplo: nenhuma coluna de debate séria abriria espaço para jabás assinados por representantes de empresas. Fato. Partindo daí, como fica, então, o caso do dirigente de clube que, na defesa das posições de sua agremiação, está claramente tentando defender uns cobres?
Certo, aí você pode dizer que clubes de futebol são instituições de caráter público, patrimônio nacional, Maracanã, Pelé, Garrincha. E que um dirigente, representante dessa figura constituída, tem todo o direito de ir lá defender o seu (caso no qual, convenhamos, a Timemania faz todo o sentido do mundo).
Quer dizer: o embate institucional no qual se insere o clube de futebol é, em certa escala, também privado. Até porque cada vez mais as agremiações são pressionadas para funcionar com ferramentas empresariais.
Essa modulação sobre o que mereceria espaço para publicação, coisa bastante delicada, é tarefa do editor da coluna. Ou, no caso da Folha, do “Editor de Opinião”. E ele não trabalha sozinho, está inserido na lógica editorial que, em tese, guiaria todo o jornal. Assim, poderíamos crer que o pessoal da Barão de Limeira considera clubes de futebol figuras de caráter público, carregadas de certo patrimônio institucional.
Veja bem que consegui chegar até aqui sem mencionar o fato do Editor de Política da Folha ser filho do grão-leonor Leco. Nem aludi à blitzkrieg midiática leonor pós-Morumbi/2014 chinelado.
Ou à necessária emergência de mídias de clube segmentadas (como a gloriosa Mídia Palestrina).
No fim das contas, o que importa é seguinte: se o Belluzzo escrevesse algo sobre a Arena Palestra, a Folha publicaria no mesmo espaço?
Publicaria sim, aham, assim como publicaria sobre o outdoor que se tornou a camisa gambá, por causa do Ronaldo.
No máximo, vejo textos sobre a Arena na internet, e com tom nada otimista, coisas do gênero “Arena tenta bater Morumbi”, título simbólico.
Como é gostoso ser Palmeirense e invejado!
Abraço
Viva a FSP! antes tarde do que nunca! O mercado publicitário está em retração, e é necessário abrir novos canais com o publico. Chamarei isso de Advertising 2.0, para parecer moderno. Pois no passado a FSP não fez isso.
Imaginem a FSP abrindo aquele espaço para o velho Mansur defender o Mappin e sua falencia escandalosa. Abrindo espaço para as Fazendas Boi Gordo divulgar os ganhos possiveis aos acionistas. Uma pagina 3 aberta à construtora Encol se esplicando. Ou mesmo Joãozinho 30 escrevendo um artigo às vesperas do Carnaval enaltecendo bicheiros assassinos, dizendo que eles são homens de palavra.
No caso do Palmeiras e sua Arena, jamais dariam ese espaço.
Abraços a todos e vida longa ao OV.
Marcos
Uma dúvida:
A FSP tem camarote no Morumbi?
Bom, a imprensa como um todo reproduz o discurso oficial do jardim leonor como se fosse a verdade definitiva sobre qualquer assunto.
Basta um cartola de lá abrir a boca que a mídia se torna servil e mostra seu lado mais chapa-branca da forma mais despudorada e repugnante possível.
Um jabá a mais ou a menos não faz diferença.
Esta é a FSP. E não precisou citar Juca Kfouri, Painel FC, etc.
Por isso mesmo, dificilmente Belluzo escreveria algo para este veículo de comunicação.
Tiago, você chegou a encaminhar o texto ao Ombudsman da FSP?
Marco, se nada foi alterado(e pelo andar da carruagem só será alterado para pior nos lados do Jd. Leonor), a FSP não tem camarote na Bambineira. Os veículos de comunicação que apoiam o camarote arco-íris são a JP, o Grupo Estado, CARAS(apropriado hein madame?) e a Isto É Dinheiro.
O LANCE!(argh) não tem camarote, mas paga publicidade em todo Anti-estádio Leonor.
Gde Abrax,
FC
Um detalhe para recordar.
O Editor de Política da Folha, filho do grão-leonor Leco, estava presente naquele filme da porta do vestiário do SP no dia do episódio do gás.
O Observatório Alviverde está com tópicos interessantes sobre o Terra, Globo e Sportv.
Vale a pena conferir.
Seria interessantíssimo se o Belluzzo enviasse um artigo defendendo a Arena Palestra. Justamente porque acho que eles jamais publicariam. Seria interessante levar esse assunto à tona.
1/2 off- para quem nao sabe, ontem o STF acabou com a obrigaçao do diploma para ser jornalista. O Portal imprensa ouviu o Juca Kfouri e ele afirmou que é contra o diploma(o fato dele nao ter diploma de jornalista tem algo a ver?):
(…)O principal argumento de Kfouri é o fato dos “grandes nomes do jornalismo não terem o diploma”. “Essa é a minha opinião: curta e grossa”, completou. No entanto, ele salienta que é a favor da formação em jornalismo para agregar qualidade ao que é produzido.(…)
fonte: http://portalimprensa.uol.com.br/portal/ultimas_noticias/2009/06/18/imprensa28916.shtml