Hai kai
jul 7th, 2009 by Tiago Soares
Desperto de sua catacumba, Mustafá andou batendo bumbo no blog do Cosme Rímoli.
Bom, todo mundo sabe qual é a de Mustafá Contursi.
E não é um cara como o Rímoli, rodado na imprensa esportiva, que ia comer bola.
Dou o braço a torcer: Cosme parece ter umas fontes bacanas, é esforçado e tal.
Mas o modo como trata a informação, não raro, abre caminho para certo mal estar.
Há quem fale que blog é blog, jornalismo é jornalismo.
O que é nebuloso: se um jornalista toca seu blog e vende o peixe como jornalístico, tem responsabilidades.
Porque, para todos os efeitos, para seus leitores é jornalismo. E é blog.
Numa leitura ligeira, Rímoli trilha menos a estrada do jornalismo leviano que a do jornalismo mal tratado.
Coisa que a entrevista do Mustafá pode ilustrar muito bem.
É papel clássico do jornalista encarnar, vez por outra, o advogado do Diabo.
“Jornalismo é o que alguém, em algum lugar, não quer ver publicado. O resto é Relações Públicas”, dizia Lord Northcliff, pioneiro magnata da mídia britânica.
A frase, lógico, faz sentido desde que não passe pela pauta marotamente torcida. Coisa que, convenhamos, anda rara por estas bandas.
A diretoria palmeirense bate cabeça de vez em quando, erra e acerta.
E é justo abrir espaço “ao outro lado”, como manda o manual.
Agora, amigo leitor, dileta leitora, dêem uma lida rápida nas palavras de Mustafá ao Rímoli.
Mustafá é oposição, tem todo o direito de fazer críticas ao Belluzzo.
E é isso, justamente, que torna tão importante o dever jornalístico de orientar, angular a fala de quem anda longe do poder.
Mustafá, como todo líder de oposição raivosa, declarará, se puder, que a situação palestrina se diverte colocando gatinhos fofos no microondas.
E foi mais ou menos o que ele acabou fazendo no papo com Cosme.
Eu, você, todo mundo sabe que Mustafá não é santo.
E que, quando presidente, não foram poucas suas decisões prejudiciais ao Palmeiras.
Cabe ao jornalista questionar o entrevistado e colocar as coisas no lugar.
Perguntar ao homem da oposição qual sua responsabilidade no grande cenário, procurar a contradição.
Se você entrevista alguém envolvido em claros interesses políticos e não faz esse tipo de coisa, abre margem para especulações.
Porque uma coisa é uma coisa. Outra coisa é outra coisa.
Ou se abre o jogo ao leitor, e se esclarece qual apito toca, ou se está sendo leviano.
A outra opção é a deficiência técnica mesmo.
Não há mal em se ter um lado.
Boa parte do melhor jornalismo do mundo é feito por veículos e profissionais bem claros quanto às suas posições - Economist e Guardian que o digam.
Mais que ser justo com o leitor, o jornalista que declara suas posições faz bem ao jornalismo. Enriquece o debate, oferece novas angulagens.
Quando o jornalista não abre o jogo na esperança de faturar algo, é picaretagem. Feio feio.
Lógico, o problema pode ser a orientação da pauta.
Uma condução meio torta do trabalho, ironias mal colocadas, coisas ditas pela metade, insinuadas, que acabam falando nada.
Aí, menos mal. Afinal, sempre dá pra melhorar.
Tiago, acho que esse foi um dos melhores posts que ja li aqui no OV. Eu ja tinha comentado sobre esse assunto no Mondo Palmeiras e vou copiar o que disse la.
Vejam as perguntas que esse Cosme fez para o historiador Odir Cunha a respeito dos títulos de antes de 1971 e comparem com as perguntas que ele fez para o Mustafá. Contrastem a agressividade em uma entrevista com a complacência na outra:
ODIR CUNHA
“Se não foram reconhecidos em 1971 é porque esses títulos não eram considerados nacionais de verdade…”
“O interesse do João Havelange nessa cruzada é voltar a ser importante? Estava com saudade do poder?”
“Se, por acaso, a CBF reconhecer esses títulos, onde fará a festa em homenagem aos campeões? No cemitério?”
“Quem não gostaria de ganhar seis estrelas na camisa vindas do nada?”
MUSTAFA
“Como você analisa o que está acontecendo com o Palmeiras?”
“Como viu a saída de Vanderlei Luxemburgo?”
“Que você acha do Belluzzo como presidente?”
Na minha modesta opiniao isso nao eh ruindade do Cosme nao. Pra mim a unica explicacao plausivel eh desonestidade intelectual mesmo.
Grande Tiago,
Concordo com o Alvaro… Eu havia escrito algo tb no meu blog, mais diversão que qualquer outra coisa, sobre esse assunto !!!
http://bianco.futblog.com.br/60416/ESSA-IMPRESINHA/
Rimoli, JP, Lance, Jk … é tudo farinha do mesmo saco !!!
Muito bom, Tiago. Só pra não falar que o problema desse sujeito é só com o Palmeiras, outro dia li um “Manual de Técnico do São Paulo” no referido blog e achei oportunista e covarde. Dava a entender que o Muricy fora demitido por não cumprir determinadas obrigações que os barões do clube Leonor exigem. isso porque estava falando de um cara que ficou três anos e meio no cargo e foi tricampeão brasileiro. Agora é fácil falar mal do São Paulo, mas queria ter visto isso quando a imprensa do Brasil inteiro babava ovo pro time da Vila Sônia. Isso sem contar o português sofrível, o estilo chulo e a os parágrafos de uma frase só, como você aplicou aí em cima. Ele sempre tenta ser irônico, mas não consegue, é risível. Agora está no rol de colunistas do UOL e isso basta para ganhar muito mais popularidade do que merece. E nós, jornalistas, vendo nosso diploma cada vez mais desvalorizado (foda-se, mas é engraçado ver a campanha anti-diploma de alguns).
Abraço.
Concordo com o comentário sobre o Blog Do Cosme Rimoli quando ele entrevistou o Mustafá. Realmente surge a duvida de cada o Cosme está….abrir espaço para Mustafa detonar o Beluzzo sem nenhum critério, provas e argumentos razoeaveis é falta de responsabilidade.
Até porque quando o Mustafá era presidente, e o foi por mais de 10 anos seguidos, eu não lembro dele ter dado entrevistas tão diretas e objetivas como esta que ele concedeu ao Cosme…É preciso cuidado
Tiago, você sabe por que há tanta gente escrevendo propositadamente desse jeito odioso, parágrafos compostos de uma única frase curta?
Pauta para vocês: Juquinha, sempre ele, quis fazer um comentário irônico sobre o fato de o Lula querer beneficiar o Gambá com um presentinho, um centro de treinamento. O Juquinha é contra - ele é gambazinho, mas não é odioso. Como não há link direto, reproduzo o texto abaixo:
Leio comentários indignados sobre o meu silêncio a respeito do que teria dito o Ronaldo sobre a ajuda de Lula ao Corinthians.
Difícil avaliar o que não vi e sobre o que nada sei.
Mas estranho a estranheza de quem mora no Brasil — e não está em Portugal, como eu.
Porque o governador tucano José Serra ajuda o Palmeiras de seu coração, como o governador tucano Aécio Neves faz com o Cruzeiro do dele, assim como o governador peemedebista Sérgio Cabral faz com o Vasco.
Por que imaginar que o presidente petista e corintiano não faria?
A ironia é mal escrita (ou muito bem escrita), de sorte que não dá para entender se o Lula é o único político que faz coisas como essa, ou se todos os políticos o fazem, o que é evidentemente errado. Em sua caixa de comentários muito parmerista cobrou dele qual foi a ajuda que o Serra deu para o Palmeiras. Tentando se explicar, ele mantém a ambiguidade, por meio desta gracinha:
Atenção! Vou desenhar!!!
Pela amostra dos primeiros comentários que leio sobre a nota anterior, duas conclusões:
1. Não são poucos os que perderam completamente a capacidade de entender uma ironia ou ler nas entrelinhas;
2. Ainda bem que das 100 mil visitas em média diariamente neste blog, os comentários fiquem na casa dos 500;
Porque revela-se que a maioria esmagadora entende o que lê.
É ÓBVIO QUE É UM ABSURDO QUE HAJA AJUDA GOVERNAMENTAL A CLUBE DE FUTEBOL.
Não desenhou nada. Manteve a ambiguidade de propósito. E esse é o principal jornalista esportivo do Brasil, o dono da ética.
Marcos (6)
O pior de tudo, é que em uma outra postagem, ele criticou alguns comentaristas do blog, alegando que é contra a ajuda governamental aos clubes, e que não entenderam a ironia dele. Claro que ele tentou se desvencilhar do principal, que não foi a ironia, e sim a acusação direta a Serra, Cabral e Aécio. É preciso colocar esse sujeito em seu devido lugar!!!
Quanto aos textos do Rímoli, de fato não há tentativa de perseguir apenas o Palmeiras, já que o texto sobre o São Paulo foi ainda mais ferino (e, confesso, gostei do que li). Mas tudo indica que surge aí uma tendência de se tornar um jornalista incômodo, mas da forma negativa.
Em tempo: essa onda de parágrafos curtos deixou de ser um recurso estilístico um tanto pobre para se tornar algo irritante e terrívelmente revelador.
Os parágrafos curtos formam uma cortina de fumaça proposital, feita para esconder a ausência de argumentação (coisa muito cômoda, por sinal).
Pense na seguinte situação. Você tem um ponto de vista, mas ao mesmo tempo: (1) sabe que ele é apenas um dos lados da moeda, e eventualmente o lado errado; (2) tem medo de revelá-lo com clareza, por causa da repercussão contrária; (3) não tem presença de espírito para argumentar e convencer os demais que ele é correto.
Solução?
1) Crie ironias sobre o ponto de vista contrário. Seja debochado, com alguma elegância.
2) Use meias-verdades, que no fundo são meias-mentiras, que pareçam fortalecer o seu ponto de vista (tipo “pesquisas apontam” ou “estatísticas revelam” ou “dívidas chegam ao valor x”)
3) Não articule suas frases, deixe-as bem soltas e independentes umas das outras, como pequenas flechas venenosas que geram efeito mais pelo acúmulo do que pela coerência entre si.
4) Fique no anonimato tanto quanto possível, escrevendo frases com sujeito indeterminado, mesmo que sejam invenções suas: diz-se, teriam dito, estaria sendo ventilado, fontes ligadas à cúpula haveriam se reunido para selar não-sei-o-quê, etc.
5) De vez em quando, banque o bom moço, falando mal de algo visto como mau por todo mundo, ou falando bem de algo visto como bom por todo mundo, ou concedendo pequenos elogios (em detalhes puramente acidentais, lógico) aos seus inimigos.
Este é o manual de redação e estilo de grande parte da imprensinha. Cuidado com os autores de frases curtas, hoje em dia são quase sinônimo de ordinarice (eu disse “quase” porque temos acima o brilhante post do Tiago, muito bem bolado por sinal…)
Só para registrar a sutil deturpação de uma história.
Há o título de uma matéria no UOL assim: “Após não de Muricy, Palmeiras faz mistério e pede paciência”.
Muricy não disse “não”.
O Palmeiras ofereceu X, Muricy fez uma contraproposta, o Palmeiras achou muito alta e disse “não”.
Independentemente da exposição negativa, do alarde das negociações, da hesitação da diretoria, de Muricy ser identificado com não sei quem, a verdade final é que o Palmeiras considerou que Muricy não valia o que estava pedindo.
Textos mal escritos e interpretações enviesadas não mudam este fato.
Macedo, eu concordo contigo. Mas o Belluzzo tem parte de culpa nisso aí. Ao invés de adotar o discurso do “não achamos que vale o que ele está pedindo”, adotou-se o discurso do “não temos pra pagar o q ele pede mas pagaríamos se tivéssemos”. Acho que isso foi feito até por cordialidade, mas dá margem a dizerem q o não foi dele
Não gosto muito de falar antes do jogo acabar, mas hoje está dando gosto ver o Palestra jogar!!
O time está com uma atitude positiva, jogando pra frente, não desistindo de nenhuma bola, pressionando a marcação no campo de ataque… Muito bom ver o Palmeiras honrar a camisa dessa forma… Vamos ver o 2o tempo agora e torcer pra que o time não se acomode como fez contra o Santos.
Sds.