Guia OV de jornalismo ligeiro I
set 18th, 2009 by Tiago Soares
I – Nota ligeira
Bom, tinha prometido que publicaria as infos da apresentação da diretoria aqui, mas não estava muito certo a respeito de como fazê-lo. Porque nosso negócio no OV não é fazer o jornalismo em si, e sim sua análise dentro do esquema da comunicação.
Sabe como é, talvez uma matéria no esquema clássico ficasse um pouco deslocada de nossa linha editorial.
Então, depois de quebrar um pouco a cabeça, cheguei a um meio termo: usarei o conteúdo da apresentação pra, de alguma maneira, ilustrar o modo como se faz jornalismo quanto à sua linguagem, possibilidades e tal.
O negócio é o seguinte: pegarei as infos e as publicarei ao longo de três textos, cada um num estilo diferente. Junto às matérias, explicarei como e quando as usamos, quais as circunstâncias nas quais geralmente se encaixa uma ou outra e tal.
Pra começar, a reportagem ligeira.
Sabe aquele texto que o repórter, depois de chegar da rua, precisa entregar quinze minutos atrás? Então, é mais ou menos isso. Basicamente, trata-se de pegar algumas informações interessantes e construir um relato do fato reportado, algo mais próximo da documentação que da reflexão.
É o estilo mais comum, o do dia a dia. De vez em quando, corre-se o risco de tocar o negócio meio no automático, e um ou outro erro acabam aparecendo. Mas quando é bem feito, dá conta do recado sem firulas.
E agora, ao que interessa:
Palmeiras apresenta novo projeto para o futebol
Em iniciativa inédita, diretores e coordenadores do futebol palmeirense apresentaram, em evento destinado a editores de sites independentes, dados sobre a reestruturação do futebol do clube.
A reunião, que contou com a presença de Toninho Cecílio, Savério Orlandi e Gilberto Cipullo, entre outros, trouxe boas novidades sobre o trabalho de garimpo e preparação de jovens atletas, além de esmiuçar em detalhes o trabalho de planejamento realizado pelo departamento de futebol profissional.
Base
Usualmente vista com reticência pelos torcedores, as categorias de base foram motivo de atenção especial na apresentação. O trabalho, atualmente comandado por Marcos Biasotto, que já teve passagem por Atlético-PR e Paulista de Jundiaí, vem promovendo reformulações em diversas frentes.
Os ajustes se estendem às tradicionais “peneiras”, agora organizadas em períodos de uma semana ao longo da qual os jovens atletas são testados. “Construímos um sistema de triagem dos garotos que os avalia em diversos critérios, não apenas físicos e técnicos, mas também psicológicos”, explica o coordenador.
Os jogadores são indicados ao Palmeiras, em muitos casos, a partir de parcerias com olheiros e equipes menores espalhadas pelo Brasil, sem custo para o clube. O processo é adaptável às necessidades de cada menino.
“Se o jovem é de longe, pedimos a autorização dos pais e da escola, e arcamos com passagens e hospedagem. Existindo algum impeditivo, como uma semana de provas, por exemplo, reagendamos a sua vinda, para que ele não tenha prejuízo nos estudos”, diz Biasotto.
Ao fim da semana de testes, fica a cargo do Palmeiras a decisão sobre a integração do atleta ao elenco. Uma vez no clube, o jogador é amparado por uma estrutura multidisciplinar, envolvendo médicos, psicóloga e assistente social.
O clube mostra especial cuidado na relação dos atletas com os estudos. O coordenador da base explica que,“no caso dos meninos alojados pelo clube, há a necessidade de certo aproveitamento escolar para a sua manutenção em nosso elenco”.
Profissional
O futebol profissional, que também tem seu departamento reorganizado, conta com estrutura um tanto mais enxuta que a das categorias de base. Até bem pouco tempo apontada como inflada e muito cara aos cofres palmeirenses, a comissão técnica foi especialmente reduzida após a saída de Wanderley Luxemburgo.
“Quando contratamos Luxemburgo, sabíamos que ele vinha com sua própria comissão técnica”, falou o gerente de futebol, Toninho Cecílio. “Ao mesmo tempo, sabíamos que os seus profissionais eram bons. Então montamos uma equipe própria, do clube, para que fosse formada por esse pessoal e, após a saída do Wanderley e de sua equipe, continuasse por aqui em caráter permanente”.
Cecílio explica que, com isso, o Palmeiras deu fim ao vácuo, há muito apontado, relativo à existência de uma comissão técnica fixa. “Construímos uma estrutura completa de apoio ao treinador que venha a trabalhar no clube”, diz.
A montagem do elenco também ganhou ferramentas especiais. Foram implementadas rotinas para o acompanhamento e integração de jovens atletas da base aos profissionais, além de sistemas para garimpo de jogadores no Brasil, América Latina e Europa. “Foi desse banco de dados que pescamos o Kleber e o Robert, entre outros”, conta o gerente de futebol.
Números
A respeito da parceria com a Traffic, o vice presidente Gilberto Cipulo explica que, embora não seja a solução no que diz respeito à contratação de jogadores, há outros benefícios. “Temos uma relação muito boa com a Traffic, não há exclusividade para acordos, nem ingerência técnica”, afirma Cipullo. “Além disso, o fato de nossa parceira ser consolidada no mercado de marketing esportivo nos traz diversos outros benefícios além do relativo às contratações”.
Sobre a dívida do clube, o vice-presidente foi sincero: “Há um cenário complicado no futebol brasileiro, todos os grandes clubes estão endividados – inclusive o Palmeiras”. Cipullo defende, porém, que não há motivo para desespero. Para ele, a dívida palmeirense é uma das menores entre as equipes nacionais, e bastante administrável. Além disso, nos últimos três anos a arrecadação geral do Palmeiras cresceu consideravelmente.
O dirigente lembra ainda que o principal desafogo financeiro entre todos os times é, ainda, a venda de jogadores. “Infelizmente, os clubes têm que, a cada ano, fazer uma boa venda para equilibrar o seu caixa. Isso vale para todos”.
Por fim, os diretores mostraram a expectativa de que a reestruturação mostrada seja parte de um projeto maior. “A ideia é que esse trabalho fique para além de nossa administração” explicou o vice-presidente. E continuou: “Queremos, na eventualidade de uma transição, que os futuros responsáveis pelo futebol tenham fácil acesso às informações do clube”.
Bom, publicado o post, faço umas considerações nos comentários, até pra ver se anima algum debate.
1 - O texto acima tem um pedaço pequeno do que levantei na apresentação. Para “montá-lo”, peguei uns dados, dei uma forma e construi um relato, deixando de fora um monte de coisas bacanas, mas que ou não cabiam (há um limite de caracteres), ou não vinham ao caso por conta do gancho escolhido. Informações, que claro, serão publicadas nos outros dois textos.
2 - Tentei usar poucos adjetivos, e evitei construções adversativas (”é bom, mas…”). Pode parecer pouco, mas o faço como um exemplo de como a simples escolha de uma palavra, a decisão por um adjetivo ou o modo como construímos uma frase pode imprimir um sentido e, não raro, editorializar um texto. O mesmo vale para as informações que escolhemos passar.
3 - Tá, sei que levei uma semana pra publicar o primeiro texto. E que o autor mesmo do guia malaco aparenta não ser tão “ligeiro”. Bom, na verdade, esse material tem sido cozido desde o fim de semana, enfrentando um turno duplo de trabalho e um deadline — além de, acho, todos os eventos familiares do ano. Além disso, escrevi boa parte dos três textos ao mesmo tempo. Pode não justificar, mas, pô: também não fui tão lento…
“Em iniciativa inédita, diretores e coordenadores do futebol palmeirense apresentaram, em evento destinado a editores de sites independentes, dados sobre a reestruturação do futebol do clube.”
Tiago, na minha humilde opiniao voce nao deveria ter se furtado a usar o termo “Midia Palestrina” no paragrafo acima, ainda que colocasse “alguns”. Imagino que a intencao tenha sido nao colocar fogo no melindre de alguns, mas se curvar a essa gente quando eles nao tem razao apenas os estimula a continuar com suas leviandades.
Oi Alvaro,
pô, valeu o comentário. Então, na verdade a não utilização do termo foi proposital - minha ideia foi uma tentativa de emular ao máximo o discurso clássico.
E nesse esquema, pensando a coisa tradicional, de ser o mais claro que puder e partindo do princípio que o leitor pode não estar por dentro de alguns conceitos, resolvi fazer o lide o mais enxuto possível.
Isso porque se eu utilizasse o “Mídia Palestrina”, teria que fazer um pequeno adendo explicando a ideia nele engendrada, e talvez tirasse o ritmo da notícia.
Boa parte dos textos nesse estilo, quando tratam de um assunto relativo a uma ideia ou conceito que peça boa explicação, acaba acompanhado de um textinho menor focado apenas nisso.
Nas minhas coisas e no texto tradicional do OV, continuarei usando o termo, claro. Até porque já escrevemos um monte de coisas aqui sobre a Mídia Palestrina como fenômeno e meio de informação, e não é um flamewar que me fará mudar de ideia.
Bom, é isso, acho.
[...] This post was mentioned on Twitter by Observatório Verde. Observatório Verde said: Post novo no OV - A coletiva com a diretoria do Palmeiras: uma cobertura em três atos. Parte um, aqui http://migre.me/7gnw [...]
Falaí, chapa verde. Ulisses, o Guimarães, dizia que nada lhe dava mais engulhos que ciúmes de homem. Pô. Quem mandou vcs serem convidados pelo Palmeiras. E aceitarem. Isso é imperdoável. Convite do PALMEIRAS?
Cara, tem quem tenha perdido todo o senso do ridículo e fique por aí esperneando toda sua, como direi, inconformidade rebelde. Desta feita sem nenhuma causa. Ou zelo excessivo com a possível cooptação do OV pelo PALMEIRAS. Era só o que faltava.
No mais, um abraço deste admirador do blog, no aguardo dos próximos posts.
Ah, tô comemorando anos, só não os convidei para evitar melindres. Aquele abraço.
O pior disso tudo é que o conteudo da reunião em si acabou ficando em segundo plano por causa dessa crise cotoveliana.
Pessoal, vamos tentar nos ater ao conteudo deste post, e a debatê-lo. No minimo porque o Tiago teve um puta trabalho pra colocar tudo no post. Diante da quantidade de conceitos apresentados a nós, a capacidade de síntese do Tiago foi brilhante, valorizem hehe
Como eu ainda não escrevi nada la no Parmerista, e o conteúdo aqui está excelente, vou na carona do Tiago, se ele me permitir.
De tudo o que foi apresentado, o que me deixou mais satisfeito é o projeto para a base. E o que me preocupa mais é saber que pode se estar preparando um foguete e numa dessas viradas políticas que só o Palmeiras proporciona, esse foguete cair na mão de um desses inuteis aproveitadores que estao cavando sua boquinha e tudo pode ir por terra.
Medo!
Entendi, Tiago, faz sentido. E fico feliz por saber que voce nao vai abandonar o termo “Midia Palestrina” por causa de dois ou tres fazendo insinuacoes irresponsaveis.
Pô Dimar,
Feliz Aniversário! E você não fala nada?!
Comemoremos, pois.
Conrado (6), nem tem que pedir. Manda bala!
A grande frustração de parte da imprensa em relação à direção do Palmeiras ter chamado primeiro a “Mídia Palestrina” para mostrar seu projeto, poderia ser explicada pela dificuldade que ela, imprensa, terá para “editar” as informações.
Como dar a tradicional conotação negativa aos fatos após as informações se tornarem públicas?
A reação de algumas pessoas não tem sentido, pois em outro assunto importante como é a construção da Arena Palestra Itália, a imprensa paulista faz questão de ignorar o projeto.
Querem a prioridade da informação para que? Para esconder ou para “filtrá-las”?
Interessante a observação do Conrado. A lamúria mesquinha e rancorosa dos que não foram convidados para a festa acabou quase se equiparando ao debate dos assuntos em si.
A iniciativa foi excelente, uma comunicação direta da diretoria com os canais que efetivamente representam a torcida na internet.
O Palmeiras tem problemas a resolver a não deve misturá-los aos problemas da mídia oficial, totalmente periféricos para nós. Certamente essa inovação não vai melhorar o tratamento que a mídia nos dispensa, até porque piorar é impossível.
Gostaria que fosse mais elaborada a parte que trata das relações com a parceria, a meu ver ainda o assunto menos bem resolvido dentro do projeto (ôpa!) do clube.
Ainda sobre o ataque de pelanca que o evento provocou em alguns jornalistas:
É cômodo bater no Palmeiras através da imprensa oficial.
Quem fizer isso não sofrerá represálias, não será perseguido, não será processado, não será intimidado, não perderá espaço, não ficará mal com a tchurminha dominante no meio, não será repreendido pelo patrão, não irá contra a política oficial da empresa em que trabalha.
Aí é fácil bancar o matcho.
Bastou uma derrota para que a imprensinha voltasse à tona.
O “Jason” está chegando está sendo a frase mais lida nos jornais e sites de todo o Brasil e as manchetes do Palmeiras são de crise!! (estamos na liderança!!)
Apóio 100% a atitude da diretoria, que, a meu ver, causou reações imediatas, não só do Juliano Costa.
Não acredito que só a derrota causou esse estardalhaço anti-Palmeiras nessa última semana… Acredito que a maior parte dessa reação foi causada pela dor de cotovelo da imprensinha. O Palmeiras deve vencer o Cruzeiro a qualquer custo para cortar logo essas asinhas. E a diretoria deve manter essa postura já que, como foi dito, informar a mídia Palestrina antes evita distorções de manchetes e engessa a imprensinha, dificultando a edição maldosa tão habitual e recorrente na imprensinha.
Grande sacada, mas há um preço… A imprensinha é suja, joga baixo… O time precisa voltar a ganhar, senão o “efeito Jason” (pqp!!) vai ganhar destaque maior que o da morte do Michael Jackson.
Aí, aguenta… Vcs vão ver como ai ser a pressão no Palmeiras até quarta-feira, caso eles ganhem do Santo André hoje. Quem diria… nos resta hoje torcer pro Marcelinho Carioca…
Sds.
Depois de ler todos os comentários, Só me resta rezar para que as administrações vindouras não ponham tudo a perder.
E…. pessoal… não se preocupem com o rato que ruge…..faz barulho, mas quando vcs olham…. é só um ratinho ehehehehheh
Quem viu o Neto puto depois do jogo na Band…????
Godoi viu 100 pênalti para o cruzeiro, amanhã vão tentar fazer de tudo para atacar esse brilhante vitória do palmeiras, vão jogar a culpa no juiz para nos próximo jogos eles nos prejudiquem