Furacão Luiz Gonzaga
nov 11th, 2009 by Rafael Evangelista
Caros, não vou me alongar no assunto, este post é só para republicar o texto de um amigo torcedor do Náutico, solidário e também indignado com a arbitragem - roubaram-lhes pontos de maneira tão descarada como fomos roubados, mas com menos repercussão.
O que me leva ao nosso Presidente. A incitação à violência é condenável, mas nada me tira da cabeça que Belluzzo usou isso como recurso político extremo. Sim, porque suas declarações, sem esse destempero, não teriam metade da repercussão que estão tendo. E, ao que parece, tem muita gente preocupada, muita gente botando panos quentes para evitar danos à imagem do campeonato. Em dois dias, Belluzzo canalizou uma insatisfação foda com um fenômeno que se vê há tempos, o do juiz que erra cirurgicamente, que com um pretenso equívoco eventual salva times do rebaixamento e dá títulos a outros. Mostrou que não é de falha de que se está falando, mas de sem-vergonhice.
Seria fácil para Belluzzo calar e manter a sua reputação. Mas ele mandou isso às favas para proteger o Palmeiras.
Bem, aí vai o texto.
OPERAÇÃO “SALVE O RIO” (NO BRASILEIRÃO 2009)
Túlio Velho Barreto e Antonio de Pádua de Barros *
O título acima bem que podia se referir a alguma mobilização nacional para ajudar o Rio de Janeiro a se livrar definitivamente da violência urbana, que faz da beleza de sua paisagem algo quase inútil. Triste realidade que, em especial nos últimos 20, 30 anos, tem transformado a Cidade Maravilhosa palco de cenas de guerra só vistas, por exemplo, no Líbano, na Palestina, no Iraque… De fato, seria o caso de “salvar o Rio”, sobretudo agora que a capital mais bonita do País foi escolhida para sediar a Olimpíada de 2016 e o Maracanã foi selecionado para importantes jogos da Copa do Mundo de 2014, inclusive a final. Mas, infelizmente, não. Trata-se de operação muito menos nobre, como já deve ter ficado evidente para o leitor na segunda parte do título.
Embora teses conspiratórias, principalmente em se tratando de futebol, sirvam muitas vezes para esconder incompetência administrativa de dirigentes e limitações técnicas de jogadores, não temos mais idade para sermos tão ingênuos e não acreditar que elas também existam. “Yo no creo em brujas, pero que los hay, hay!”. São muitos campeonatos “disputados”, dentro e fora dos estádios… Por isso não engolimos que o resultado do “jogo de 600 pontos” entre Botafogo e Náutico resultou de erros dos árbitros. Como disse o paulista Juca Kfoury, em seu comentário de título preciso e cristalino (“O Fogão no apito”), logo após o referido jogo: “o Náutico (foi) claramente garfado no Engenhão”. Relembremos: na metade do primeiro tempo, o goleiro do Botafogo não foi expulso após derrubar Carlinhos Bala em “clara e manifesta situação de gol”, na definição da regra (como Rogério Ceni, na rodada anterior, foi; e Marcos, na seguinte, seria, em lances idênticos); depois, Tuta fez gol legítimo, que foi anulado; e, no final do jogo, o pênalti arranjado para o Botafogo… Tudo isso, o carioca Iata Anderson, no Jornal dos Sports, relacionou para dizer que apenas o árbitro Leonardo Gaciba, “um dos protegidinhos dos comentaristas. Aquele que é contra o drible e não passa em nenhum exame físico”, viu.
Mas foi preciso que o Palmeiras, que teve um gol legítimo inexplicavelmente anulado, quando o jogo estava zero a zero, ainda no primeiro tempo, perdesse para o Fluminense para que a imprensa nacional, quer dizer, do Sudeste do País, levantasse a hipótese de haver favorecimento para que os times do Rio sejam salvos na reta final do Brasileirão. Lá a chiadeira não para; nem da imprensa, nem dos dirigentes palmeirenses… Aqui, o Sport está conformado com o rebaixamento e o Náutico se prepara para enfrentar o Flamengo. E a cobertura jornalística, como diria o inesquecível João Saldanha, segue em frente como a vida…
Mas é necessário analisar de forma racional o que está acontecendo. O emocional já foi consumido após cada um dos jogos citados neste texto. Então, vamos lá. Desde que foi introduzido o campeonato de pontos corridos, com turno e returno, em 2003, ganho pelo Cruzeiro, que um time carioca não vence um Brasileirão. Aliás, a última vez que isso ocorreu foi na questionável conquista do Vasco contra o São Caetano, em 2000, decisão que foi adiada de um ano para o outro em função da tragédia de São Januário. E mais: desde 2004 todos os campeões são paulistas, ou seja, Santos (1 título), Corinthians (1) e São Paulo (3). Este ano, entre os favoritos, despontaram até agora Palmeiras e São Paulo. E o Corinthians já está com uma das cinco vagas da Libertadores garantida desde que ganhou a Copa do Brasil. Possivelmente, sobrarão duas vagas para Flamengo, Atlético, Cruzeiro e Inter. Na disputa, só um time do Rio.
Do outro lado da classificação, até poucas rodadas atrás, Fluminense e Botafogo estavam entre os mais fortes candidatos ao rebaixamento. Eram, frise-se, até que apareceu o “apito amigo” em seus jogos e em jogos de outras equipes que tentam se livrar da degola. Como o Sport passou a maior parte das rodadas em posições abaixo do Náutico, entre os pernambucanos o alvirrubro terminou tornando-se o alvo preferido do “apito amigo”, em especial nos últimos dois jogos fora de casa: Botafogo e Santos. Não que não pudesse ter tido melhor resultado, sobretudo contra o Santos quando desperdiçou grandes chances de neutralizar o “apito amigo”, o que (às vezes) é possível. Contra o Botafogo não era, porque, ali, o Náutico foi, repetimos, “garfado”. O que não ocorreu nos dois anteriores quando o Náutico teve igualmente desempenhos pífios e escapou da degola por um triz.
Com a sede da CBF e do STJD no Rio, o que já é um absurdo, que se cuide o Coritiba, que terá o Fluminense pela frente na última rodada, em embate que terá tudo para ser “jogo de 6.000 pontos”. De fato, tudo leva a crer que Sport, Náutico (que não depende só dele e provavelmente teve sua sorte selada na derrota contra o Botafogo) e Santo André (que tem confronto direto com Náutico) estejam com as malas prontas para a desprezível Série B, que os times nordestinos talvez nem devessem mais disputar… Então, sobra para o Coritiba “ceder” a vaga para o Fluminense, embora a Operação “Salve o Rio” já possa ser considerada exitosa ao livrar o Botafogo da degola. E mais: pode sobrar para o Náutico, que vai enfrentar o Flamengo; para o Sport, que enfrentará o Fluminense; e até para o São Paulo e, de novo, Palmeiras, que ainda enfrentam o Botafogo, no… Engenhão! É triste, mas como diss e o presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, que chamou Carlos Simon de “safado, sem vergonha e crápula” e prometeu dar “umas tapas nesse vagabundo”: “neste final de campeonato, só falta urubu voar de costas”. Certamente, o animal não foi escolhido à toa… Só faltou Belluzzo perguntar se agora ficou claro porque Simon é nosso árbitro em Copas do Mundo…
Quanto a não disputar à Série B… Bom, não custa nada fazer uma provocação. Sabemos que seria difícil tomar a decisão de não disputá-la, talvez mesmo improvável em função da submissão dos dirigentes de federações estaduais e de clubes aos encantos de Ricardo Teixeira, da CBF e TV Globo. Ou mesmo impossível do ponto de vista legal. Mas entre ser eterno coadjuvante, mendigar por sobras da distribuição de recursos da TV, ser massa de manobra de campeonatos arranjados (como o que foi tomado do Inter, em 2005) e apenas legitimar uma disputa absolutamente desigual, talvez fosse melhor mesmo criar uma liga regional (Nordeste ou Norte-Nordeste) e fortalecer os próprios estaduais, em vez de esvaziá-los em nome de uma disputa nacional que não existe. (Já pensamos diferente a respeito, mas…) Assim, poderiam ser criadas competições com calendários próprios, mecanismos de acesso e decesso, p remiações… Para tanto, parece existir mercado interno; existem clubes centenários, tradicionais e de massas; existem rivalidades locais e entre times de diferentes estados e grandes estádios… Enfim, todos os ingredientes para disputas mais igualitárias que pudessem despertar novamente a adormecida paixão de vários torcedores por seus times locais, hoje abandonados ou substituídos por novas e impostas paixões televisivas. Pode ser devaneio, mas…
Acreditar que o Campeonato Brasileiro foi moralizado porque não há mais a tradicional virada de mesa é pura ingenuidade. A mesa já começou a ser virada e só não vê quem não quer. Não é à toa que levantamento recente feito pelo jornal Folha de S.Paulo, por exemplo, apontou que, entre os times do Rio, São Paulo e Minas Gerais na Série A, apenas os cariocas defendem a volta do sistema de mata-mata. Por que será? Talvez só o receio que ocorra todo ano o que se desenhava para 2010: o Rio com a mesma quantidade de clubes de Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná e talvez de Goiás ou Santa Catarina, que tem ainda, respectivamente, Atlético e Figueirense na luta para subir. Ou seja, parece que a Operação “Salve o Rio” pretende mesmo é evitar prejuízos esportivos, econômicos e políticos que o estado teria se visse sua representação na Série A resumida à qualidade do futebol atualment e ali jogado.
* Túlio Velho Barreto é pesquisador social e Antônio de Pádua de Barros é fotógrafo. Ambos são torcedores do Náutico e estão indignados com a Operação “Salve o Rio”, no Brasileirão 2009, é claro.
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Mas hoje, palestrinos, depois que o suspeito da vez soprar o apito final será hora da festa. Retomaremos a liderança, marcharemos firmes rumo ao título e ainda vamos mandar o ixpó para a segundona. Pernambuco mais uma vez se vestirá de verde. Os amigos do blog do Santinha estão até ensinando Como organizar seu próprio show pirotécnico
É isso aí, Rafa. Muito bom o texto dos timbus. Concordo com sua análise acerca do motivo do Belluzzo ter chutado o pau da barraca do modo como o fez. De outra forma não teria a repercussão que teve. No mais, me alegra muito que as duas maiores alegrias da torcida coral este ano terão sido proporcionadas pelo nosso Verdão, a saber, a eliminação do ixport da Libertadores e o rebaixamento da mesma coisa que se consumará logo mais no Palestra. Saudações, confiante no título.
http://blogs.lancenet.com.br/maurobeting/2009/11/04/bota-teima-rodada-33/
Belluzzo tomou uma atitude que eu não imaginava possível da parte dele. Estou espantado e feliz com tudo isso!!! Só lamento, como bem disso o Seo Cruz, que esteja sozinho nisso. Poucos tiveram a coragem de fazer o que ele fez ou de dar apoio a ele.
Quanto ao texto do timbu, irretocável!
Cara, gostei da sua análise. Eu pensei um pouco diferente, pois achei que o Belluzzo também jogou um pouco pra torcida - e nesse caso penso não apenas na torcida, mas especificamente na, ahan, “mídia palestrina”. Não sei exatamente qual o retorno que ele tem do que se diz por aí, mas deu a impressão de que ele pensou algo do tipo “Me chamam de bundão, vão ver só”.
O texto tem muita coisa certa mas cai em um erro que também gaúchos e mineiros cometem. Vão na linha do favorecimento aos “times de São Paulo” ou só chiaram por que um time de São Paulo perdeu. Mas a verdade é que se o Belluzzo não tem essa reação tresloucada, ia ficar por isso mesmo. E se fosse contra o Santos, idem.
Faz uma palhaçada em um jogo das meninas pra ver. Ano passado e esse foi a mesma coisa. Esquema traffic, esquema traffic, esquema traffic e enquanto íamos perdendo pontos por motivos extra bolinha apresentada, eram só aplausos. “Bem feito”, diziam. “Quem tem esquema tem mais é que se ferrar”. E todas as sacanagens com grêmios, cruzeiros e flamengos da vida eram imputadas ao “esquema traffic”. Mas era só passear pela mídia palestrina que ainda no primeiro turno que sempre se falava sobre a quem realmente interessava tantos erros. E no ano passado, como o grêmio era uma bela égua paraguaia, bastou nós cairmos fora da disputa que os olhos do terrível Paulo Schibambi se voltaram contra o Cruzeiro. O Cruzeiro também foi prejudicado por manobras extra campo e ninguém falou nada. No final, o grêmio ficou chorando sozinho e ainda teve que ouvir que não tinha direito de reclamar pois tinha ganho das bibas com um gol impedido. Ou seja, um gol impedido do grêmio inocentou o são paulo 18 pontos levados no apito. E todos aqueles que falavam tão mal do esquema traffic de repente sumiram. Estão fazendo o mesmo agora com o flamengo. Só vi uma biba falar que o título é delas de novo, o resto está todo alinhado com os lacaios da imprensa. Mas deixa chegar na última rodada com o time da ética precisando de um resultado. Só não vai ter palhaçada antes porque o Flamengo é diferente do Palmeiras. Com ele não tem conversa, se sacanear o troco vem na rodada seguinte e com juros. Por isso vai ficar pra última.
Pessoal,
Alguém poderia me esclarecer pq no meu computador de casa não há os posts depois do “Processo acelerado de amnésia coletivo(…)”?
Aquele é o último post e de maneira alguma consigo acessar esses dois (dois?) novos posts que vieram depois.
Obrigado, abs.
Leiam esse texto.
http://blogdaclorofila.sopalmeiras.com/2009/11/ei-imprena-vai-t-n-c/#respond
Sugestão para as torcidas organizadas, façam um mosaico mandando a imprensa tomar no c
Amigos,
Vejam esta entrevista do Muricy… especialmente o trecho em que ele diz que o mal não pode vencer o bem…
http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Times/Palmeiras/0,,MUL1397155-9872,00-QUERIA+TROCAR+O+QUE+TENHO+PARA+CONSEGUIR+O+TITULO+PARA+O+PALMEIRAS+AFIRMA+M.html
Ele deve saber de muita coisa do lado de lá do muro…