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Essa foi levantada pelo pessoal nos comentários do post anterior.

E vem do BlueBus, site pioneiro na cobertura de mídia por estas bandas. A coisa é bastante auto-explicativa:

TV Globo falsifica o áudio do futebol para agradar corinthianos.

‘Nao pára, nao pára, nao pára!’ Este era o canto da torcida organizada do Corinthians que se ouvia ontem à noite, durante o início da transmissao do jogo pela TV Globo. Pelo menos aqui em Sao Paulo.

Mas veja, o Estádio da Ilha do Retiro tem capacidade para 36 mil pessoas, das quais 35 mil eram torcedores do Sport e apenas 1000 torciam para o Corinthians. Como entao o canto da torcida era corintiano?

Tecnologia e engenharia de som. O áudio foi captado e divido em 3 canais - o do narrador, o da torcida do Corinthians e o geral do estádio. Entao, o diretor técnico aumenta o volume do canal da torcida do Corinthians e diminui o volume geral do estádio. Isto cria no telespectador a falsa idéia de que a torcida no estádio é do Corinthians e ajuda a audiência, aqui em São Paulo, onde a maioria da populaçao é corinthiana.

Esta forcinha da técnica durou até o primeiro gol do Sport, pois entao, a esmagadora torcida do Sport foi ao delírio e aí nao houve técnica que ajudasse o torcedor do Timao. Ainda mais depois do segundo gol.

A transmissao do futebol é uma operaçao JORNALISTICA, realizada pelo departamento de jornalismo esportivo. Nao se pode falsear o áudio do estádio. Nao é ficçao, nao é dramaturgia. É jornalismo.

A TV Globo foi convidada pelo Comitê Gestor das Olimpíadas de Pequim para gerar as imagens do Volei de Praia. Este convite foi feito pela sua reconhecida competência técnica. Nao pode, ou melhor, nao deve, colocar em risco este reconhecimento para turbinar a audiência de um jogo. É pequeno, não precisa.

É, não precisa mesmo.

Mais do que a falta de noção ao se lambuzar no puro creme do populismo gambá, o que salta à vista é a assustadora promiscuidade entre os departamentos jornalístico e comercial da Globo. Seria apenas feio, se não fosse perigoso.

Semana corrida e cabeça quente. Façamos um catadão bacana.

Escreve Rafa Perdizes nos comentários:

Acho que a gambazeta se superou desta vez. Veja o título
Timão pega Sport por hegemonia nacional e vaga na Libertadores

“Se conquistar o tri da Copa do Brasil na noite desta quarta, no Recife, o Corinthians não só se garante como primeiro time brasileiro classificado para a competição sul-americana como se torna o maior campeão nacional.”

O jornal, que tem como um de seus colunistas nada mais nada menos do que Chico Lang, conta como títulos nacionais apenas os disputados a partir de 1971.

Não sei se vocês concordam, mas já estou cansado desse discurso da imprensinha, que para mim é coisa de bambi, gambá e flamenguista (clubes que não ganharam nada em nível nacional nos anos 60), de que o jogo zerou em 1971. O Palmeiras tem 10 títulos nacionais, todos vencidos em campo, sem qualquer tipo de interferência como 15 pontos no apito, Sveiter etc.

Acho que iesse assunto dos títulos pré-1971 tinha de ser abordado aqui uma hora. Infelizmente, os critérios se adequam a cada hora, para a imprensa fazer espuma em cima principalmente desses três clubes, os superprotegidos.

É por essa e por outras que concordo com o que leio no Amálgama:

(…) Agora, é óbvio que eu respeito o Corinthians. É um grande clube, com uma grande história, uma torcida gigante. Ponto. Respeito, mas fico puto com as vitórias deles, e puto certamente ficarei assistindo ao “Globo Esporte” na quinta-feira com o mais do que provável título deles.
Mas o que me deixa puto, mesmo, é essa coisa de que o Corinthians é especial e que ser corintiano é mais (preencha com o que quiser) do que ser torcedor de outros clubes. Pior, de que o corintiano sofre mais, vibra mais, sente mais. Mais o cacete, e arrumo discussão em redação há muito tempo por conta dessa besteirada.
Besteirada que acaba inflada por força da mídia. Pegue o “Lance”, por exemplo: se nenhum dos três grandes tem notícia boa, a escolha da capa é pelo Corinthians, porque vende mais jornal. Se tem mais torcida, logo dá mais audiência, então a Globo passa mais jogos ao vivo e dá mais minutos no “Globo Esporte”.

(…)

E dá-lhe Ixpó na quarta-feira!

Agora, alguém, por favor, me explica isso?


Deu no Blog do Juca:

Aproveita, São Marcos!

Assim que assinar com o Chelsea, Luiz Felipe Scolari desfalcará a Comissão Técnica do Palmeiras.

Não, ele não levará Vanderlei Luxemburgo para auxiliá-lo, mas, sim, o ótimo preparador de goleiros Carlos Pracidelli.

Que não irá para Londres como tal e sim como observador de jogos para Felipão.

Porque o goleiro tcheco Petr Cech, para muitos o melhor do mundo, tem um treinador pessoal há quase 10 anos.

Pode ser que Felipão deixe a seleção portuguesa no fim da Eurocopa, e assine com o Chelsea. Pode ser que ele acabe renovando contrato com os patrícios. Pode ser que Pracidelli vá para o Chelsea - e pode ser que não. É um mundo grande, e o futuro traz desconhecidas oportunidades, e é a vida e etc etc.

Agora, o amigo leitor, a dileta leitora, sabendo da habilidade de Juca para desenhar o resultado de negócios hipotéticos, caso Pracidelli continue no Palmeiras será porque:

a) Juca deu a negociação antes e melou tudo;

b) O leitor entendeu errado;

c) A ida de Pracidelli está condicionada à assinatura de Valdivia com o Jd. Leonor (e vice-versa);

d) Alguém está mentindo, tomara que não seja sua desinteressada fonte…*

As votações seguem abertas, sem previsão de período de encerramento ou aferição de resultados.

*Alternativa sugerida por P. C. Tibé, do Coisa Verde.

No pique da votação, recomendamos o esclarecedor comentário do grande Raul “Goleiro Verde” Bianchi. Sabe como é, tem coisas que só a Mídia Palestrina faz por você.


Estava eu, almoçando calmamente e vendo o Bate-Bola da ESPN, ao vivo. Tudo transcorria normalmente, Calazans, no Rio, comentava o jogo da Marginal Sem Número admitindo não ter visto o jogo e tal.

Até que mostram um vídeo do vice-presidente do Sport, Guilherme Beltrão, falando um monte de bobagens. Quer retrucar Luxemburgo, que lembrou, entre outros, da bomba jogada no time do Palmeiras antes do jogo da Copa do Brasil. Diz coisas absurdas, fazendo uma associação negativa da presença do filho do presidente Lula na comissão técnica, chama Luxemburgo de mau-caráter e diz “quem mente, rouba”, referindo-se ao técnico palmeirense. O repórter que o entrevista em nenhum momento faz a pergunta básica: “Mas não foi realmente jogada uma bomba no ônibus do Palmeiras?” Pelo contrário, parece levantar a bola para o dirigente do Sport fazer mais polêmica.

Aí, retorno ao estúdio. Na mesa, um silêncio meio constrangedor. O comandante do programa, João Carlos Albuquerque, diz que o dirigente está justificando um processo contra ele, mas insinua uma concordância com as reprimendas a Luxemburgo. Do link, no Rio, Calazans ri e desconversa, lembrando que “O Dono do Mundo” era nome de uma novela - Beltrão disse que Luxemburgo pensava que era dono do mundo - e que os verdadeiros donos do mundo, hoje, são Renato Gaúcho e Mano Menezes.

Retorno ao estúdio em São Paulo e - a PVC o que é de PVC - o homem calculadora dá uma dentro: lembra que esse dirigente do Sport vive dizendo que, quando tem jogo em Recife do Sport contra um carioca, é sempre um paulista que apita. Quando tem contra um paulista, é um carioca o árbitro. E haveria esquema. PVC diz que isso é flagrante mentira, basta ver a escalação dos árbitros para comprovar que isso não se verifica.

João Carlos Albuquerque retoma dizendo que acha que Luxemburgo tem dado palpite demais e que concorda com a frase “quem mente, rouba”, embora não saiba se ela se aplica ao técnico.

E aí o assunto se encerra. Graças a PVC, fica a imagem do dirigente do Sport ser um surtado, mas também a visão de que Luxemburgo se acha dono do mundo. O problema é que Bulhões falou um monte de borracha e a maioria dos jornalistas contentou-se apenas em levantar a bola pra ele. E, o principal, omitiu-se a informação mais concreta: a bomba contra o ônibus palmeirense realmente existiu, ninguém sonhou com ela, e o Palmeiras reclamou muito disso após o jogo, embora não tenha usado o incidente para justificar a derrota.


A idéia era escrever algo sobre o populismo gambá. Porque nesse tempo de finais de Copa do Brasil, convenhamos, a coisa anda dura de aguentar. Devo voltar ao assunto mais tarde, é só questão de encontrar o gancho certo.

Enquanto isso, vale dar uma olhada no recente texto do neurocientista Miguel Nicolelis, convicto palestrino volta e meia cotado ao Nobel, em sua coluna na Carta Capital. Para atiçar, reproduzo um pedacinho logo abaixo:

(…)

Acompanhado pelo meu filho mais velho, Pedro, me distraía durante a viagem, tentando identificar as belas estações subterrâneas do metrô moscovita, construídas nos idos da década de 1920, não pelos seus nomes, mas por sua curiosa arquitetura. Perdido nesse exercício pictórico, quase não reparei quando meu colega russo, Misha Lebedev, sugeriu que, em vez do balé, talvez pudéssemos fazer um programa diferente naquela noite. O plano era assistir a um clássico do futebol russo disputado no não menos famoso estádio do Dínamo de Moscou.

Meio distraído, escutei Misha transformar a proposta num convite tão irrecusável como surreal: o jogo seria entre o CSKA, ex-time do Exército Vermelho soviético, e o Rotor Volgogrado, o mais popular da cidade que um dia foi chamada de Stalingrado. A verdadeira atração, e a razão do convite, não era o adversário, mas o fato de o CSKA ir a campo com a mais recente contratação, um jogador brasileiro que estava arrasando no campeonato russo, e que, diz Misha, era chamado pelos torcedores de Tovarich Love. Meu recém-descoberto gosto pela arquitetura soviética subterrânea dissipou-se por completo. Subitamente, toda a minha atenção voltava-se para o fato de que estávamos em Moscou no dia em que Vágner Love, ex-centroavante do alviverde imponente da rua Turiassu, o Palestra Itália da avó Antonieta e do tio Waldemar, o Palmeiras de incontáveis cafonachos do Bexiga, desfilaria pelo estádio que um dia fora conhecido como O Ninho do Aranha Negra, em referência ao legendário goleiro soviético Lev Ivanovich Yashin, cujo elegante traje negro e milagrosas defesas encantaram torcedores do mundo todo por assombrosos 22 anos (1949-1971).

Segundos depois de terminada a minha aula, Pedro e eu retornamos ao hotel apenas para abrir a mala, encontrar o “kit de emergência de viagens ao exterior”, que habitualmente contém uma camisa da seleção brasileira e outra do Palmeiras, e nos paramentarmos apropriadamente.

(…)

A íntegra, o nobre leitor, a dileta leitora encontram aqui.

Para quem quiser saber mais sobre Nicolelis (que, para se ter uma idéia, tem um escudo do Palmeiras publicado em sua página oficial), recomendo a sensacional e palestriníssima entrevista dada à edição 134 de Caros Amigos. É, Caros Amigos. Afinal, vocês sabem, nunca escondemos de ninguém que somos esquerdinhas…


Passado o Campeonato Paulista a imprensinha volta a sua velha forma.

Manchete da Gazeta Esportiva:

Chateado com a reserva, Gustavo se vê fora do Verdão

Chateado por perder (perdeu?) a posição qualquer um fica. Mas vamos ler a matéria para vermos o zagueiro “fora do Verdão”:

Ao comentar sua volta ao time, Gustavo surpreendeu e, ao mesmo tempo em que prometeu empenho na defesa da equipe pela qual nunca escondeu ser torcedor, praticamente anunciou que não permanecerá no Palestra Itália após o término de seu contrato, dia 30 de junho.

‘Não vou mentir. Fiquei surpreso por ter perdido a posição, mas respeito a opinião do treinador. Nunca perguntei quando fui escalado e também não perguntei quando saí, pois acho falta de ética. Vou procurar aproveitar a oportunidade e fazer o meu melhor, como sempre fiz desde que cheguei’.

Sobre sua possível renovação contratual, foi evasivo: ‘Ainda não houve qualquer contato para a renovação e tenho pessoas cuidando disso. Tenho contrato até o dia 30 de junho e vou procurar cumprí-lo’, simplificou o jogador, que pertence a Traffic.

‘Sou feliz aqui, mas minha permanência não depende só de mim. Eu quero ficar e minha cabeça estará totalmente voltada para o Palmeiras até o dia 30, mas, se não for possível, sigo minha vida, no Brasil ou no Exterior’, concluiu.

Peraí, só eu acho que “praticamente anunciou que não permanecerá no Palestra Itália após o término de seu contrato” é uma descrição um pouco exagerada para as falas de Gustavo? E o engraçado é que o próprio repórter, no parágrafo seguinte, descreve a resposta do zagueiro como evasiva. Quem praticamente anuncia sua saída não pode ser evasivo, certo? Pode até ser que o jogador tenha dito algo em off ou que o repórter saiba de algo mas, sinceramente, as falas reportadas não podem ser descritas como um adeus.

A coisa fica melhor se cruzarmos a matéria da Gazeta com a do Globo Esporte. Lá no finzinho:

O contrato de Gustavo termina no dia 30 de junho e sua expectativa é renovar o compromisso.

- Adoro jogar no Palmeiras e pretendo ficar após o fim do contrato. Ajudei o time a conquistar o Paulistão depois de muitos anos sem título e sou muito bem tratado aqui. Uma prova disso foi o gesto do David, que estava me substituindo no jogo contra a Portuguesa, que correu para me abraçar quando fez o gol. Isso mostra o carinho que todos têm por mim e o bom ambiente que temos no dia-a-dia - afirma.

Ah, esse Gustavo, será que ele é como aquela namorada que diz que vai embora só para você pedir que ela fique? Ou será que tem repórter lendo demais nas entrelinhas?


Já adianto que não é aqui que o palmeirense vai ler algo sobre a política interna palestrina. Evidente que nós somos contrários à volta dos tempos de escuridão. Mas nem eu, nem o Tiago, somos sócios do clube, não vivemos o dia a dia das Alamedas, e qualquer palpite nosso seria diletantismo irresponsável.

Dito isso, vamos dar uma olhada na configuração da coisa toda, situação objetiva que o Parmerista e o 3VV já analisaram bem.

Chama muito a atenção como toda a pretensa crise passa pelo Painel FC. No dia da eleição dos conselheiros vitalícios (26) lemos duas coisas por lá:

Melhor ou pior? A diretoria do Palmeiras concentra suas forças em vencer a resistência de conselheiros à remodelação do Parque Antarctica. Fará reuniões para explicar que o estádio não será dado em garantia à WTorre, responsável pelo projeto. Dirá que assinará um termo cedendo o direito de uso de superfície da arena por 30 anos. Na prática, a construtora será a dona do estádio por esse período. O clube pagará aluguel para usá-lo, mas receberá parte das receitas. Já há quem tema uma reação ainda mais negativa após o esclarecimento.

“Della Monica me disse que muita gente o apóia. Falei que muita gente também apoiava o nazismo. Hoje a Alemanha se envergonha”
De LUIZ GONZAGA BELLUZZO, diretor de planejamento do Palmeiras, sobre o presidente planejar prorrogar seu mandato

Quem não entende que o Palmeiras não vai pagar aluguém para usar seu próprio estádio ou tem deficiência cognitiva ou é mal intencionado. Imagine que você queira uma reforma na sua casa e não tenha um puto no bolso. Aí você entra em acordo com a loja de materiais para construção e se propõe a pagar a reforma em prestações, durante 30 anos. De quebra, vocês acertam que ela vai alugar sua casa todo fim de semana, dias que, sei lá, você não fica mesmo em casa, pois vai visitar sua mãe que mora no litoral. O bacana é que você ainda ganha uns trocados, referentes a parte do aluguel que a visita do fim de semana paga. Alguém, em sã consciência, pode falar que você está pagando aluguel para morar na sua casa? Pois é!

E aí tem a frase do Belluzzo. É, o moço é dado a frases de efeito, várias bem bacanas. O problema é que, às vezes, ao contar uma piada de duplo sentido você corre o risco de o interlocutor pode não entender nenhum. Ou seja, num belo telefone sem fio, tem gente dizendo que o Belluzzo chamou o Della Monica de Hitler.

Também nunca é demais lembrar que esse Painel FC já publicou:

Coroa. No coquetel em que conselheiros palmeirenses celebraram o plano de reforma do Parque Antarctica foi festejada a Traffic, empresa que aumentará seu investimento em jogadores para o clube. Ecoava o coro “Ei, ei, ei, J. Havilla é nosso rei”, em homenagem ao dono da firma.

A frase acima constitui-se em flagrante nota plantada. E isso posso dizer com certeza, pois eu estava lá, nenhuma fonte me contou.

Vale lembrar que, desde priscas eras do OV, comentamos que a coluna ecoa, com especial sabor, toda informação que a atual oposição palmeirense quer passar. Muita gente nos comentários aqui já a chamou de “Painel do Mumu”.

Bem, duas notas do mesmo Painel no dia 28:

Aviso. O grupo de Affonso della Monica comemorou a derrota de Gilberto Cipullo e dos aliados dele na eleição de conselheiros vitalícios, anteontem. A turma do presidente palmeirense diz que foi retaliação porque a ala do vice de futebol é contra a extensão do mandato de Della Monica.

No colo. Correligionários de Cipullo dizem que agora racharam com o presidente palmeirense. Como o grupo foi vital para eleger Della Monica, a ala do ex-presidente Mustafá Contursi agradece.

E outras duas no dia 29:

Partido verde
São curiosas as justificativas do grupo do presidente dos Palmeiras, Affonso della Monica, para convencer conselheiros a prorrogarem seu mandato por mais um ano. Uma delas é que a extensão, chamada de golpe pela a oposição, consolidaria a democracia no clube. O cartola precisa de tempo para as transformações. Além disso, a disputa pelo poder numa eleição após o fim da gestão atual, em dezembro, racharia a aliança que o colocou lá. Por fim, quem é contra a continuidade precisa ser “republicano”, e não “xiita”.

Apito final. Apesar do racha escancarado entre a turma do futebol e Affonso della Monica, os aliados de Gilberto Cipullo dizem que ele só deixará a vice-presidência de futebol se o presidente palmeirense pedir. E que a desavença não pode tirar a Traffic e seus jogadores do clube.

Tudo o que está aí no Painel é total fantasia? Provavelmente não, o padrão de apuração “J. Hawilla é nosso rei”possivelmente foi uma mancada isolada. Mas chama muito a atenção o tom adjetivado das notas, que não é tão intenso na coluna de que o Painel FC é clone, o Painel do caderno Brasil da Folha.

E outra coisa também pesa. Os leitores e personagens do Painel original são muito mais escolados em matéria de política do que os personagens do Painel-clone-FC. Eles sabem que o que está escrito no Painel-original não necessariamente é um espelho da realidade, muitas vezes é algo que um assessor ou coisa que o valha conseguiu plantar. Mais: os jornalistas que fazem o Painel-original são muito mais cobrados para não se comportarem como corrente de transmissão de interesses. É claro que continua tendo gente plantando nota lá, mas a coisa é menos descarada.

Quando se leva tudo isso para o futebol a coisa fica explosiva, uma coluna dessas ganha poder excessivo. Junte uma apuração menos rigorosa com uma área que envolve paixão, mais uma cartolagem de segundo escalão meio inocente e um monte de gente querendo mandar recado e temos isso aí.

Em resumo:  tudo o que sai no Painel FC é mentira? Não. Dá para acreditar em tudo que sai no Painel FC? Não! Ou torcedores, sócios, conselheiros e dirigentes passam a relativizar o que está lá ou a coisa não vai melhorar nunca.


Malvados 1

Malvados 2

A tirinha acima vem do Malvados de hoje. Não consegui pensar em nada mais adequado para este post.

Saiu a decisão do TJD e o Palmeiras perdeu o mando por dois jogos do Paulista e deve pagar multa de 10 mil reais.

A ata da reunião do TJD deve sair amanhã, e aí poderemos ter mais detalhes. Segundo o GloboEsporte.com o relatório da polícia foi ignorado:

De acordo com os auditores do TJD, as evidências apontadas no relatório parcial do Instituto de Criminalística da Polícia Civil, que afirmava ser impossível o gás ter sido atirado de fora para dentro do vestiário são-paulino, não são suficientes para provar a inocência do clube. Além disso, o Palmeiras era o mandante do clássico e por isso foi denunciado e punido no artigo 213 do CBJD (deixar de tomar providências capazes de impedir ou prevenir desordens em sua praça de desporto). Teoricamente, o Verdão pegou uma pena leve.

Já um texto no site da FPF fala que os auditores julgaram ser impossível determinar a culpa no caso. Por isso, decidiram punir o mandante:

Foi consenso geral de que determinar o culpado específico do incidente era impossível, e, por isso, o Palmeiras foi punido por sua condição de mandante do jogo.

Mas o texto da FPF tem uma outra informação mais interessante: o voto de cada um dos relatores. Dois deles (Luiz Antônio Vidal e Acyr José de Almeida) decidiram pelos dois jogos e a multa de 10 mil. Mas o terceiro queria uma pena maior, cinco jogos e 50 mil de multa. Adivinhem o nome dele: Alberto Bugarib!

Sim, o mesmo Alberto Bugarib objeto do post “Vaza, Zago. Vaza, Bugarib. Vaza, Del Nero“. O mesmo Bugarib que pediu a menor punição a Adriano depois de sua cabeçada no vácuo. O mesmo Bugarib que pediu 120 dias de gancho a Luxemburgo no começo do Campeonato Paulista quando o técnico começou a reclamar da arbitragem. O mesmo Bugarib que é conselheiro leonor! (veja detalhes no post). Deu para perceber algum padrão nessas votações? Alguma inclinação leonordinense?

Para voltar a falar de imprensinha vou usar uma frase que Juquinha, o Chico Lang “do bem”, adora: quem se curva aos poderosos mostra a bunda aos oprimidos. E essa devia ser uma das funções da imprensinha, quando alguma instituição de poder faz bobagem, atropela o bom senso, ela vai lá e bota o dedo na ferida.

Mas não, é o traseirão da imprensinha que vislumbramos neste momento, após tanto silenciamento sobre os flagrantes conflitos de interesses do TJD. Aliás, quando é conveniente, o conflito de interesses serve sim para levantar suspeitas. Aí uso o comentário do novo blog da Mídia Palestrina, o Estação Palestra em plena desconstrução do Chico Lango “do bem”:

…o que chama a atenção é a posição de Juca sobre o delegado responsável pelo caso:

2. Fruto de um inquérito em delegacia dirigida por delegado da atual situação palmeirense, nada menos adequado;

Oras, inadequado. O delegado titular do 23º distrito é Virgílio Guerreiro Neto, que segundo uma das cabeças de Juca, é “da atual situação palmeirense”. Inadequado? Eu acho, e a cabeça de JK que escreveu isso também acha.

O que Juca não sabe é que o delegado não conduz investigação, e sim a chefe dos investigadores, no caso Ana Maria Coelho. Não há como o delegado se afastar de um caso não conduzido por ele. Juca põe em suspeita o delegado que não participa da investigação do caso, e toda a equipe que cuida dele.

Agora, outras cabeças de Juca não pensam assim. se pensassem, falariam algo sobre estes casos:

  1. Edson Zago, Presidente do Conselho de Orientação Fiscal do São Paulo, é procurador do TJD - SP.
  2. Rubens Approbato Machado, que assumiu a presidência do STJD após o saudoso (para a torcida Corinthiana) Luiz Zveiter, é cardeal corinthiano.

Segundo as cabeças de Juca, que nunca se manifestaram sobre estes dois casos, os dois juristas estão bem onde estão, sem conflito de interesses. Há de se argumentar (e agora penso como uma das cabeças) que os dois acima citados são pessoas de grande respeitabilidade e que não se pode lançar suspeita sobre elas.

Mas o que o credencia a levantar suspeitas sobre um delegado do qual ele nada sabe? Uma das cabeças deve ter a resposta…

Aliás, sensacional o desenho do Estação Palestra retratando as várias cabeças de JK:


Segunda tem o julgamento do gás no TJD. E o Terceiro Tempo antecipou um relatório da Polícia Civil bem interessante.

De acordo com o documento, é pouco provável que o gás tenha vindo de fora. O autor teria que ficar durante muito tempo em frente ao duto para que uma quantidade considerável pudesse chegar ao vestiário leonor.

O relatório também levanta suspeitas sobre o comportamento de Muricy, que parece subir as escadas pimpão e, minutos depois, passa mal em campo. Desnecessário. É nesse ponto que a imprensinha vai pegar para desqualificar o trabalho da polícia. Vamos ouvir muito como é um absurda essa suspeita contra o treinador mais rabugento da galáxia e pouco sobre o que realmente importa: se não veio de fora, quem soltou o gás? E, de fato, a não ser que a polícia tivesse indícios de que rolou um teatrinho no vestiário, acrescentar isso no relatório não leva a nada. É observação interessante para construir uma teoria da conspiração no boteco ou para começar alguma investigação sobre a autoria da coisa toda, mas não para jogar assim no documento.

Mas o bacana é que, para o desespero daqueles que queriam a interdição instantânea, irrevogável e inapelável do Palestra - escorados na simplista tese de que o mandante é sempre culpado -, ganha força a hipótese de que, no mínimo, tudo não passou de um acidente. Seguranças leonores poderiam ter deixado escapar o gás, levado ao Palestra para ser usado no caso de tumulto.

E aí, vejam só que coisa, mesmo que tenha sido tudo sem querer querendo é preciso cobrar punição aos leonores. Ora, se escapou do segurança deles alguém da diretoria de lá sabe disso faz tempo. E, se sabe, porque não veio a público explicar tudo e pedir desculpas pela confusão? É o valioso tempo da polícia e dos tribunais que está sendo gasto nisso tudo. Atrapalhar uma investigação é crime, não?

Se bem que ninguém pode dizer com toda certeza que foi sem querer, dado o histórico dessa mesma diretoria no caso Bosco. Dificilmente o reserva agiu sozinho no caso da pilha e, se o fez, porque os leonores não o puniram internamente, já que manchou a imagem do clube ao promover aquela ceninha lamentável?

Então voltamos para a imprensinha. Era tão difícil levar um especialista ao Palestra e antecipar o que o relatório só mostra agora, que dificilmente o gás veio de cima? E que tal inquirir os seguranças leonores sobre o porte desses tubinhos de gás? Usam todo jogo? Usaram só no Palestra? Quem deu a ordem para levarem isso ao jogo? A polícia não precisa ser avisada que os seguranças estão portando coisas assim?

***

Sobre o jogo, não preciso acrescentar muito ao dito pelo Fabian, no Mondo: puro salto alto. E, com análise do Parmerista, dialogo pelas discordâncias (com o resto concordo): no geral, achei Leandro bem, mas aquela bola tem que chutar!; achei que Martinez ficou na média, melhor que no ano passado, pior do que vem jogando; Fabinho não foi bem, mas foi melhor que o Granja; e Léo Lima foi horrível, um ou outro bom grande passe, mas quase entregou o jogo umas trocentas vezes!


No jogo de domingo, contra a Portuguesa, informam os jornais que Kléber não deve entrar jogando.

Até aí tudo bem. Quem viu o jogo contra o Inter viu que o Denílson foi muito bem. Não dá para saber exatamente o que se passa na cabeça do Luxemburgo, mas manter o time que foi bem me parece muito lógico.

Diz o Estadão, na versão impressa:

Palmeiras que tenta a segunda vitória no Campeonato Brasileiro - amanhã, contra a Portuguesa, no Pacaembu - não deve ser diferente daquele que bateu o Internacional no Palestra Itália. No coletivo de ontem, o técnico Vanderlei Luxemburgo repetiu a formação de domingo, e o atacante Kléber, que se envolveu em confusão na madrugada de quinta-feira, deve ficar no banco de reservas.

Antes de saber da discussão que Kléber teve numa casa noturna (atropelou um rapaz na saída), Luxemburgo havia dito que iria aproveitá-lo no jogo de amanhã. O jogador estava perdoado depois de ficar fora do clássico com o Inter - tinha sido punido por agredir o companheiro Mauricio num treino da semana passada. Ontem, porém, atuou no time reserva. E Denilson será de novo titular.

Na madrugada de quinta, Kléber estava cumprindo seu dever como funcionário da Sociedade Esportiva Palmeiras e comemorava a desclassificação leonor. Diz que tirava uma onda na boa com um garçom quando um grupo de torcedores entristecidos ouviu, subiu nas tamancas e tentou agredi-lo. Na fuga, atropelou um dos perseguidores, que sofreu ferimentos leves.

Reparem no segundo parágrafo destacado. O jornalista opta por estabelecer uma contradição. Diz que Luxemburgo perdoou Kléber e que estava pronto a escalá-lo, antes de saber da confusão de quinta. Mas que, na sexta, colocou o atacante no time reserva e deverá deixá-lo no banco no domingo.

A impressão que fica é que o técnico está punindo Kléber. Pode ser verdade, o rolo de quinta pode ter contribuído para isso. Mas também é verdade que a entrada de Kléber pode ter motivos puramente técnicos (e certamente é algo que Luxemburgo pensou em fazer já antes de quinta). O mais provável é que as duas coisas tenham pesado: Luxemburgo estava a fim de escalar Denílson, e Kléber metido em confusão foi mais um empurrãozinho.

E aí a questão é: porque não colocar tudo isso às claras na matéria? Por que ficar fazendo essa jogo de “dar a entender” quando se pode simplesmente dizer: “Luxemburgo não  disse que mudou de idéia sobre o time por causa do episódio. Mas o caso pode ter contribuído para que o treinador tomasse essa decisão”. Seria mais transparente e muito mais informativo para o leitor.

Vamos ver como a Folha tratou o episódio. Colo a matéria quase completa:

Ainda não deve ser contra a Portuguesa que o atacante Kléber vai recuperar a sua condição de titular. No coletivo de ontem, o atacante treinou entre os reservas e só no final, quando o técnico fez várias mudanças na equipe principal, Kléber mudou de time.
Para enfrentar a Portuguesa amanhã, o time deve entrar com três volantes (Pierre, Martinez e Léo Lima) e Denílson completando o meio. O chileno Valdivia e Alex Mineiro formarão o setor ofensivo.
Titular absoluto na campanha no Paulista, quando o Palmeiras voltou a ser campeão estadual, Kléber viu sua situação mudar depois de agredir, no treino, o companheiro Maurício. Expulso da atividade e nem sequer relacionado para enfrentar o Internacional, o jogador reapareceu no noticiário por problemas fora de campo.
Na madrugada de anteontem, ele atropelou um torcedor são-paulino após uma discussão que teve correria e agressão em uma casa noturna.
Apesar de descartar qualquer tipo de punição ao jogador, a atitude do atleta não caiu bem no departamento de futebol.

Novamente temos o mesmo expediente. Ninguém diz que Kléber não vai jogar por causa do ocorrido na quinta. Mas a informação de que “a atitude do atleta não caiu bem no departamento de futebol” é a senha para que o torcedor entenda o que o jornalista pensa sobre os motivos da mudança no time.

O duro é que a matéria tem um equívoco grande numa parte importante: explicar ao leitor como jogará o time. Diz-se que Denílson ficará no meio e Valdívia ajuda Alex no ataque. Ora, até minha avó vendo o jogo contra o Inter percebeu (teria percebido, se ela ainda estivesse entre nós) que quem jogou lá na frente, ajudando o Alex, foi o Denílson, não o Valdivia.

***

Muito bacana o Estadão ter destacado a música feita para o Mago Valdivia.

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