Já adianto que não é aqui que o palmeirense vai ler algo sobre a política interna palestrina. Evidente que nós somos contrários à volta dos tempos de escuridão. Mas nem eu, nem o Tiago, somos sócios do clube, não vivemos o dia a dia das Alamedas, e qualquer palpite nosso seria diletantismo irresponsável.
Dito isso, vamos dar uma olhada na configuração da coisa toda, situação objetiva que o Parmerista e o 3VV já analisaram bem.
Chama muito a atenção como toda a pretensa crise passa pelo Painel FC. No dia da eleição dos conselheiros vitalícios (26) lemos duas coisas por lá:
Melhor ou pior? A diretoria do Palmeiras concentra suas forças em vencer a resistência de conselheiros à remodelação do Parque Antarctica. Fará reuniões para explicar que o estádio não será dado em garantia à WTorre, responsável pelo projeto. Dirá que assinará um termo cedendo o direito de uso de superfície da arena por 30 anos. Na prática, a construtora será a dona do estádio por esse período. O clube pagará aluguel para usá-lo, mas receberá parte das receitas. Já há quem tema uma reação ainda mais negativa após o esclarecimento.
“Della Monica me disse que muita gente o apóia. Falei que muita gente também apoiava o nazismo. Hoje a Alemanha se envergonha”
De LUIZ GONZAGA BELLUZZO, diretor de planejamento do Palmeiras, sobre o presidente planejar prorrogar seu mandato
Quem não entende que o Palmeiras não vai pagar aluguém para usar seu próprio estádio ou tem deficiência cognitiva ou é mal intencionado. Imagine que você queira uma reforma na sua casa e não tenha um puto no bolso. Aí você entra em acordo com a loja de materiais para construção e se propõe a pagar a reforma em prestações, durante 30 anos. De quebra, vocês acertam que ela vai alugar sua casa todo fim de semana, dias que, sei lá, você não fica mesmo em casa, pois vai visitar sua mãe que mora no litoral. O bacana é que você ainda ganha uns trocados, referentes a parte do aluguel que a visita do fim de semana paga. Alguém, em sã consciência, pode falar que você está pagando aluguel para morar na sua casa? Pois é!
E aí tem a frase do Belluzzo. É, o moço é dado a frases de efeito, várias bem bacanas. O problema é que, às vezes, ao contar uma piada de duplo sentido você corre o risco de o interlocutor pode não entender nenhum. Ou seja, num belo telefone sem fio, tem gente dizendo que o Belluzzo chamou o Della Monica de Hitler.
Também nunca é demais lembrar que esse Painel FC já publicou:
Coroa. No coquetel em que conselheiros palmeirenses celebraram o plano de reforma do Parque Antarctica foi festejada a Traffic, empresa que aumentará seu investimento em jogadores para o clube. Ecoava o coro “Ei, ei, ei, J. Havilla é nosso rei”, em homenagem ao dono da firma.
A frase acima constitui-se em flagrante nota plantada. E isso posso dizer com certeza, pois eu estava lá, nenhuma fonte me contou.
Vale lembrar que, desde priscas eras do OV, comentamos que a coluna ecoa, com especial sabor, toda informação que a atual oposição palmeirense quer passar. Muita gente nos comentários aqui já a chamou de “Painel do Mumu”.
Bem, duas notas do mesmo Painel no dia 28:
Aviso. O grupo de Affonso della Monica comemorou a derrota de Gilberto Cipullo e dos aliados dele na eleição de conselheiros vitalícios, anteontem. A turma do presidente palmeirense diz que foi retaliação porque a ala do vice de futebol é contra a extensão do mandato de Della Monica.
No colo. Correligionários de Cipullo dizem que agora racharam com o presidente palmeirense. Como o grupo foi vital para eleger Della Monica, a ala do ex-presidente Mustafá Contursi agradece.
E outras duas no dia 29:
Partido verde
São curiosas as justificativas do grupo do presidente dos Palmeiras, Affonso della Monica, para convencer conselheiros a prorrogarem seu mandato por mais um ano. Uma delas é que a extensão, chamada de golpe pela a oposição, consolidaria a democracia no clube. O cartola precisa de tempo para as transformações. Além disso, a disputa pelo poder numa eleição após o fim da gestão atual, em dezembro, racharia a aliança que o colocou lá. Por fim, quem é contra a continuidade precisa ser “republicano”, e não “xiita”.
Apito final. Apesar do racha escancarado entre a turma do futebol e Affonso della Monica, os aliados de Gilberto Cipullo dizem que ele só deixará a vice-presidência de futebol se o presidente palmeirense pedir. E que a desavença não pode tirar a Traffic e seus jogadores do clube.
Tudo o que está aí no Painel é total fantasia? Provavelmente não, o padrão de apuração “J. Hawilla é nosso rei”possivelmente foi uma mancada isolada. Mas chama muito a atenção o tom adjetivado das notas, que não é tão intenso na coluna de que o Painel FC é clone, o Painel do caderno Brasil da Folha.
E outra coisa também pesa. Os leitores e personagens do Painel original são muito mais escolados em matéria de política do que os personagens do Painel-clone-FC. Eles sabem que o que está escrito no Painel-original não necessariamente é um espelho da realidade, muitas vezes é algo que um assessor ou coisa que o valha conseguiu plantar. Mais: os jornalistas que fazem o Painel-original são muito mais cobrados para não se comportarem como corrente de transmissão de interesses. É claro que continua tendo gente plantando nota lá, mas a coisa é menos descarada.
Quando se leva tudo isso para o futebol a coisa fica explosiva, uma coluna dessas ganha poder excessivo. Junte uma apuração menos rigorosa com uma área que envolve paixão, mais uma cartolagem de segundo escalão meio inocente e um monte de gente querendo mandar recado e temos isso aí.
Em resumo: tudo o que sai no Painel FC é mentira? Não. Dá para acreditar em tudo que sai no Painel FC? Não! Ou torcedores, sócios, conselheiros e dirigentes passam a relativizar o que está lá ou a coisa não vai melhorar nunca.