Antes de ler este post que agora escrevo, sugiro a leitura deste texto aqui do Cruz de Savóia. Não entro no mérito das hipóteses do meu xará, mas os fatos que ele relembra são relevantes.
Dito isso, vamos à história do gás e à circulação da notícia. Começa aqui:
Polícia tem suspeito no Caso Gás ocorrido em clássico paulista
O que a matéria traz de concreto? Algum diretor que negocia com a BWA (Hugo Palaia, Francisco Busico ou Ebem Gualtieri) disse, a algum interlocutor que ignoramos, que Fulano, pertencente a uma organizada do Palmeiras, teria sido o responsável pelo gás. No meio da investigação sobre ingressos falsos, em que a BWA aparece como vítima, essa conversa foi interceptada (grampeada). Daí podemos dizer que o interlocutor, então, possivelmente é da BWA. O próximo que ligar para a BWA já sabe: se liga que alguém mais está ouvindo.
A informação sobre esse “fato novo” veio da própria Polícia Civil, da delegada Renata Corrêa. Ela, por sua vez, recebeu a informação do Ministério Público, que é quem está investigando a BWA. Da delegada ao repórter das duas uma: ou ela ligou para o Da Mata ou o Da Mata ligou para ela.
Sobre o conteúdo da conversa não dá para dizer muito. Palaia-Busico-Gualtieri pode ter dito tanto “Fulano fez o serviço direitinho”, como “O Fulano lá tá dizendo que foi ele”. São os extremos de um amplo espectro de conversas possíveis. No primeiro, ficaria marcado o envolvimento de um diretor do clube. No segundo, nada demais, depois do ocorrido um monte de fanfarões tentou levar o falso mérito pela coisa, naquela molecagem de querer aparecer. A matéria do Lanche! parece querer levar a coisa para o primeiro extremo, pois lemos:
A expectativa é de que um deles possa dar maiores detalhes sobre o suspeito e informar que tipo de relação mantêm com ele.
E, de fato, essa matéria só tem algum valor a partir dessa hipótese. Se o diretor só estava repetindo o falatório que ouviu, sinceramente, ele tá tão por dentro quanto todo mundo.
Ficamos sabendo também que a polícia andou infiltrando gente nas organizadas, sem encontrar nada. E a matéria fecha com um convite à confissão em troca da redução da pena, que pode ir de 1 a 4 anos no xilindró:
O responsável pelo lançamento do gás, caso assuma a autoria do crime, poderá até ter a pena diminuída, segundo investigadores.
Nenhum veículo repercutiu o “fato novo”, com exceção da Folha, que não acrescenta nada, só faz uma paráfrase da matéria do Lanche! (muito melhor, por sinal, pois o padrão de texto do Lanche! é indigente). Os blogs que repercutiram foram o do assessor informal de imprensa leonor, o do ínfimo (que eu nem deveria contar) e o de Marcelo Damato. No de Damato a coisa fica feia.
A Polícia Civil chegou ao resultado que o bom senso indicava. Foi um torcedor que atirou gás no vestiário do São Paulo, no jogo do Parque Antarctica, pelas semifinais do Paulista
O Palmeiras, em vez de procurar o culpado real, ficou rebatendo as acusações do São Paulo, desperdiçando tempo e paz.
E, segundo o LANCE!, outro inquérito, o dos ingressos falsos, descobriu por interceptações telefônicas casuais que um diretor sabia o nome do responsável. E que mais dois ficaram sabendo, bem mais recentemente mas de forma oficial, por consulta aos autos.
E que nenhum deles informou oficialmente o clube. Agora os três serão alvos de uma sindicância.
Especialmente o primeiro, seja quem for, deveria ser expulso do Palmeiras. O seu silêncio por pouco não provocou uma guerra entre as torcidas. Pois ambas as diretorias, de boa fé, se julgavam vítimas.
Essa posição não é minha, mas de um dos mais importantes conselheiros do Palmeiras. Vem mais chumbo grosso por aí.
Entende-se que tudo isso é off de conselheiro. Se esse conselheiro é importante mesmo e se isso procede só saberemos nos próximos episódios. Damato faz parte do conselho editorial do Lanche! e escreve por lá. Esse off, quentíssimo, que eu saiba ficou restrito a seu blog. De qualquer forma, o jornalista tem que confiar muito na fonte para colocar o dele na reta assim.
Bem, daí vamos às matérias-filhote no mesmo Lanche!, as que derivam da principal.
Caso do gás: Sindicância será instalada na terça
Nessa Seraphim Del Grande promete investigar a coisa e eventualmente punir culpados. É a resposta oficial.
Confusão do gás iria parar nos armários da lei do Brasil
Atentem aqui para o título dramático, “armários da lei”. Essa matéria é cheia de cacos estranhos. Vamos a eles.
Para piorar, o inquérito foi tipificado a partir do artigo 132: expor perigo à vida ou à saúde de alguém. Muricy Ramalho é o único citado como vítima, embora mais integrantes da comissão técnica e jogadores também tenham sido prejudicados.
Como o laudo do Instituto Médico Legal (IML) não aponta lesão, o treinador deixaria de ser alvo de crime. Ao menos na visão de uma parte da Polícia Civil.
Está falando aqui das punições possíveis. Que raio quer dizer “ao menos na visão de uma parte da Polícia Civil”? O que o repórter (Da Mata) quer dizer com isso? A Polícia Civil está dividida? Nada disso é explicado, faz-se o jogo - sujo, pois é feito em um texto pouco claro - de levantar suspeitas sobre o delegado responsável pelo caso, aquele que era do “Anjos da Academia” e, justamente por não querer ouvir bobagens, se afastou. Vejam a situação, se o cara fica será linchado, se se afasta continua apanhando.
A coisa piora no parágrafo seguinte.
O primeiro laudo do Instituto de Criminalística (IC) indica a presença do gás no vestiário. Mas, peritos do 23 Distrito apresentaram nova avaliação que considera impossível o produto ser jogado pelo lado de fora.
Tem coisa errada aí. No mínimo o Da Mata não aprendeu que o “mas” deve ser usado para expressar uma contradição. No caso, nada é contraditório. Que havia gás ninguém duvida, o que os peritos disseram é que não parece que o gás tenha vindo de fora.
Mas o caso gerou ainda mais uma matéria.
Prova emprestada substitui trotes na polêmica do gás
Essa é uma bela pauta pastel de vento. Não há nada, escreveram o texto só porque acharam legal mencionar a tal “prova emprestada” (vem de um caso para outro). Os advogados que aqui frequentam me ajudem e digam se uma conversa por telefone não envolvendo nenhum dos suspeitos pode ser considerada prova.
Transcrevo o fim da matéria só para mostrar a tosqueira.
O delegado Mauro Marcelo liderou o grupo “Anjos da Academia”, precursor do “Muda Palmeiras”, de Gilberto Cipullo, atual vice-presidente do Palmeiras. Por isso, prefere não falar sobre o tema.
Chefe dos investigadores do 23 DP, Ana Maria Coelho acredita que o diretor palmeirense grampeado pelo MP não seja o “dedo-duro”.
– Isso deve ter partido de fora para dentro – comenta ela de forma breve, evitando enlações precipitadas.
De novo a menção ao delegado que afastou-se voluntariamente. Tá na cara que é para dar aquele molho de “polícia suspeita”, claro rescaldo do esforço que fizeram para desconsiderar a declaração dos peritos que afirmam que o gás não veio de fora. A matéria é confusa e termina com um erro infantil: escreveram enlações em lugar de ilações.
Para resumir, meu palpite é que não há nada. E, se for assim, é caso para o Damato rasgar o diploma e pedir desculpas de joelhos do Jardim Leonor até o Palestra. O que os palmeirenses esperam é que o caso seja investigado até o fim, os nomes dos delegados responsáveis estão aí. O Lanche!… é aquilo que a gente já sabe: textos ruins e muito leonorismo.
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Milton Neves é ótimo no rádio. Na TV, prefere ser um fanfarrão. E quando falo em fanfarrão não estou citando o Tropa de elite, estou pensando numa garotada vestida de soldadinho, batendo prato e tocando zabumba. Nesta semana Milton Neves resolveu botar uma sainha, dar uns pulinhos e rodar o bastão. Não tenho muito a acrescentar além do que muitos já falaram, em especial o Barneschi. Nem entro no mérito sobre ele antecipar o julgamento, acho que não é por aí - dizer “quando o Diego for condenado” é meio força de expressão. O problema é Milton Neves assumir publicamente seu papel de pautador do STJD (Vaza, Approbato!), bater no peito e dizer que se não fosse ele o Diego não estava lá. Já sabemos que, se o Diego for condenado, o STJD estará passando recibo de marionete de programa de TV.