Eu não vejo a Gazeta. Não veria nem se quisesse pois ela não é retransmitida no sinal por cabo da minha região.
Mas parece que Mustafá esteve lá ontem, no Mesa Redonda, criticando a Arena. Sim, uma semana antes da votação do projeto ele ganhou um palanquinho no horário mais nobre do futebol, com direito a tapinhas nas costas de Dalmo, Chico Lang e Flávio Prado (o amigão da “turma do bem”).
Convidar o ex-presidente de um clube, por mais odiado que ele seja, acho uma coisa normal. Se é odiado deve explicações e, que maravilha, também dá ibope. Mas fazer isso a uma semana da votação e sem convidar ninguém que é a favor do projeto é algo assim, digamos para ser bonzinho e evitar processo, algo extremamente sem-noção e parcial.
E aí, olhando no site do Juca Kfouri “das ruas”, vemos que a visita do Senhor das Trevas gerou um pacotão de notícias. Para fins humorísticos, vamos dar uma olhada em uma delas:
Mustafá ressurge das cinzas e luta contra Arena Palestra!!!
Posso falar o diabo quanto ao resto da matéria mas esse título foi um toque de classe: “ressurge das cinzas” é, ao mesmo tempo, épico e tenebroso, um laudatório com sacanagem.
(…)
O dirigente não aparecia publicamente há tempos. Resolveu agir dessa forma por causa da situação de “emergência”. “A WTorre quer comprar o terreno do Parque Antártica para depois erguer a obra. O nosso patrimônio, hoje, é de 150 milhões de reais. É muita responsabilidade. Não sou contra a Arena Palestra, mas sem precipitações”, alertou, o polêmico cartola.
O entrevistado quer falar bobagens? OK, jornalista não é babá e, se o cara é figura política com alguma força é obrigação ouvi-lo. Mas aí é que entra a “mão invisível do profissionalismo”. Para não ser correia de transmissão de interesses escusos ou delírios paranóico-epifânicos manda a regrinha ouvir o outro lado, alguém que possa dizer: “Pára! Não tem venda aí e o nome do nosso estádio é Palestra Itália”. Mas, sacomé, isso é pra quem quer ter o trabalho de fazer algo meio decente…
Mustafá também defendeu-se da acusação de terrorismo, feita pela situação. “Nada disso. Só quero o bem do clube. Eles estão misturando interesses políticos com os do associado. A hora não é para isso”, analisou. O dirigente até elogiou a venda de Valdívia e a contratação de jogadores sem muito nomes, casos de Evaldo, Sandro Silva, dentre outros. “Isso não é política do bom e barato, é o investimento em promessas do futebol, como eu fiz quando caímos para a Série B”. explicou.
Esse parágrafo eu estou citando só pela tosqueira da coisa. EVALDO! Os caras escrevem EVALDO! O sujeito tá jogando há quatro, cinco rodadas como titular e erram o nome dele. E não foi erro de digitação, pois foi omitida a letra “r” e a letra “n” foi trocada pela “l”. Se foi o ex-presidente que errou na citação - e aí valeriam as aspas ou um (sic) - beleza, sabemos que o negócio dele é picanha, não futebol. E aí a questão seguinte é: o que são jogadores “sem muito nomes”? São aqueles que tem só nome e sobrenome ou, quem sabe, são chamados só pelo apelido? Nesse caso, Sandro Silva são muitos ou poucos nomes? Ou um cara que tem muitos nomes seria o Evandro, que poderia ser chamado de Evaldo que todo mundo entende?
A cereja no bolo da matéria é a foto que a ilustra, uma imagem do projeto antigo da Arena.

ps: O que é o cheirinho de Futebol Interior? Sei lá, entende?